Sylvia Plath e a construção da fama
O presente trabalho tem por objetivo propor um estudo teórico a respeito da fama póstuma de uma escritora suicida, Sylvia Plath. A notoriedade que a poeta norteamericana atingiu não se restringe apenas ao âmbito da literatura, pois encontra repercussão também nas manifestações da cultura de massa. Assim, em busca dos suportes contextuais que a teriam transformado em mito e ícone do século XX, um diálogo reflexivo com a cultura, a literatura e as formas de consumo é proposto. Ao fazer uso das ferramentas metodológicas da Teoria da Literatura e dos Estudos Culturais, esquadrinham-se os elementos responsáveis pela invenção da fama, dentre os quais merece destaque o campo das representações biográficas, a tarefa da avaliação crítica e o lugar de recepção do leitor comum. A partir dessas três frentes principais desdobram-se outros temas fundamentais para a época em questão e que contribuem sobremaneira para a manifestação do fenônemo da fama: a espetacularização da sociedade, a prática do voyeurismo, a transformação da negatividade em objeto de negociação, a estetização da morte via indústria cultural, a midiatização e mercantilização dos indivíduos, a celebrização das personalidades e a perda de objetos de referência na sociedade moderna. As linhas interpretativas levantadas oferecem a possibilidade de leitura da celebrização da vida trágica de Sylvia Plath como produto cultural pertencente à dinâmica dos objetos na sociedade de consumo.
- Autores:Marcio Markendorf
Outras teses e dissertações
Na segunda metade do século XX, e particularmente a partir da década de 60, a teoria social ocidental passou por uma série de questionamentos e revisões, que incluíam novos debates sobre a relação entre as obras reconhecidas como o cânone das diversas áreas disciplinares e as mudanças que dariam lugar a um mundo social em alguns aspectos muito diferente daquele que formou o contexto histórico das obras canônicas. Por outro lado, a emergência dos novos movimentos sociais que permitiram uma nova voz a certos grupos sociais antes excluídos da produção do conhecimento acadêmico e intelectual, também conduziu a novas interpretações da história e das relações sociais no Ocidente e no resto do mundo. Neste cenário, um dos movimentos sociais e culturais mais importantes foi o movimento feminista, que produziu dentro e fora da academia novas interpretações da história e da sociedade, a partir das experiências das mulheres e de sua problematização do que vieram a se chamar relações de gênero. Esta tese tem por objetivo o estudo de um encontro particular deste contexto: o da teoria feminista e da sociologia contemporânea. Ao mesmo tempo que surge a teoria feminista contemporânea (nascida de esforços simultâneos e conexos realizados em diversas áreas das ciências humanas), também inicia-se uma ampla revisão das perspectivas clássicas na sociologia acadêmica. A questão central deste trabalho trata das formas pelas quais a contribuição feminista é recebida no campo disciplinar da sociologia (e, de maneira mais ampla, na teoria social), constatando-se que os canais de comunicação estão apenas parcialmente abertos. Por meio dos depoimentos e observações de teóricas feministas, são levantadas algumas explicações para tal resistência. Por sua vez, o exame do trabalho de importantes sociólogos da contemporaneidade, propiciam a descoberta de alguns dos mecanismos teóricos mais concretos da recepção, incorporação ou rejeição da perspectiva feminista na sua obra. A conclusão final é a de que, apesar das resistências, a teoria feminista conseguiu fazer uma contribuição fundamental para a ampliação do campo de visão da sociologia e seu discurso sobre a modernidade. Este trabalho oferece ainda algumas sugestões teóricas e práticas para a incorporação mais plena da teoria feminista e dos estudos pós-coloniais à sociologia contemporânea, que também se beneficiaria de uma troca mais aberta com outras áreas disciplinares das ciências humanas.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
O presente trabalho é um ensaio etnográfico sobre o trabalho da pesca em uma pequena comunidade da Barra da Lagoa, localizada em Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina/SC. O eixo desta pesquisa consiste na descrição de alguns aspectos da vida cotidiana – tanto em mar como em terra – dos pescadores desta comunidade, dos modos como os saberes e os conhecimentos derivados do seu trabalho se ancoram e se reproduzem em certas práticas sociais e das formas que assumem suas relações com seu exterior e com o mercado. O ensaio foi construído a partir do uso das ferramentas audiovisuais e do discurso do cinema documentário-etnográfico e buscou produzir um encontro dialógico entre os sujeitos da pesquisa e o investigador. Portanto, tem como proposta, através das premissas da Antropologia Visual, comprender em que condições é possível a construção de um “campo político próprio” em comunidades de trabalhadores da pesca.
Analise de rede discursiva que se construiu durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, em torno de questões do envelhecimento. O Brasil, Santa Catarina em especial, é entendido como contemporâneo deste movimento que tirou o "velho" da invisibilidade, passando pelo processo da cidadania, e o constitui como sujeito idoso "autônomo". Os discursos empoderaram aqueles/as que alcançavam o envelhecimento. O gênero constituiu importante divisor de comportamentos de uma geração que vivia sua velhice. Constituíram a base empírica desta pesquisa: jornais de circulação em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980, especialmente O Estado e depois o Diário Catarinense; a Revista Manchete da década de 1980; produções monográficas do Curso de Especialização em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Catarina; bem como algumas entrevistas, documentos legais, relatórios e fontes institucionais não governamentais.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Infância, livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado em 1945, destaca-se na história do memorialismo brasileiro por conter em seu texto aspectos inovadores, tanto do ponto de vista da técnica narrativa, quanto da posição estilística do escritor. Este trabalho procurou analisá-lo respeitando o seu caráter híbrido, o que não lhe suspende do circuito das memórias, mesmo quando se observa sua tonalidade ficcional. A gradativa consciência do mundo expõe elementos culturais e práticas educacionais que transgridem a atual concepção d e . universo infantil. Seja por sua tácita ausência ou por seu avesso, esse universo em letras de fôrma aponta também para o caráter social e histórico da literatura. Entre tantos elementos disponíveis para análise, Infância convida igualmente a pensar a história social da criança no sentido inverso, ou seja, por sua ausência.
Esta dissertação tem por objetivo mostrar como a autora espanhola Rosa Montero refuta em seus romances o amor romântico e o casamento burguês tradicional, por ver nestes a manutenção da ordem patriarcal de gênero. Para justificar tal ideia, faço uso da teoria do contrato sexual desenvolvida principalmente por Carole Pateman, juntamente com os conceitos em torno do amor romântico e do casamento burguês. Feito esse embasamento teórico, parto para uma leitura cronológica da obra de Montero, com o intuito de mostrar como, no decorrer dos quase trinta anos de sua carreira literária, a autora começa a construir um outro modelo de amor, baseado na igualdade das relações cotidianas, a que chamaremos de amor democrático. Procuro, assim, demostrar a negativa feita por Rosa Montero do amor romântico e o surgimento, em sua obra, do amor democrático.
O trabalho pensa o afeto, o amor e a sexualidade entre mulheres. Para tanto, as análises são norteadas a partir de três categorias: o dionisíaco, o hedonismo e a ambivalência existencial. As exigências da pesquisa impuseram a seleção de sujeitos e espaços específicos que constituem a análise e são detalhados no trabalho.
- Universidade Federal do Rio Grande do Norte
- Mestrado
- 2002
O presente estudo tem como principal objetivo a constituição de arte do erótico como objeto de estudos. Através de conceitos como ambiguidade, fetichismo, manifesto e desafio se problematiza o feminino. Parte-se do suposto de que existe um regime epistemológico visual que trabalha mediante tecnologias do corpo e de visualidade, para a configuração de um código binário. Dessa forma, propõe-se uma metodologia para a pesquisa inter e transdisciplinar de estudos queer, feministas, antropologia visual e arte contemporânea, em cujo processo se faz necessária a realização de genealogias, (en)codificações culturais, e experimentações plástico-conceituais. O eixo condutor da tese são as experiências práticas, artísticas, políticas y teóricas idealizadas e executadas mediante um tipo de insistência pela autora como artista e pesquisadora no decorrer dos estudos de doutorado (PPGICH/UFSC), no Brasil, e, no Estado Espanhol.
Este trabalho tem como objetivo estudar a obra Evocagëes do poeta catarinense Cruz e Souza de forma a criticar sua inadequada interpretação no contexto da lite ratura brasileira. - Para tal, proponho uma avaliação da fortuna crítica sobre o autor, sobre sua obra e, especificamente, sg bre Evocagoes, para depois analisar os temas presentes no livro, a fim de confrontar as interpretaçães apresentadas e o verdadeiro teor do trabalho do poeta. Pretendo, assim, apresentar a obra de um artista "além de seu tempo", que antecipou tematicamente a litera turs.contemporãnea ao revelar sua=preocupação com o papel ou do ser humano em meio a um.mnndo em transformaçao e evolu çao, compondo uma obra não so atual, mas profundamente filosofica.
Esta pesquisa procurou investigar a utilização da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), por mulheres que sofreram violência doméstica e familiar, em seus relacionamentos conjugais. Foram entrevistadas mulheres que freqüentavam um grupo de reflexão no Centro de Atendimento a Vítimas (CEAV) na cidade de Florianópolis/SC. A pesquisadora frequentou as reuniões do grupo durante seis meses, realizando observações das participantes em todas as atividades e reflexões do grupo registrando-as em diário de campo. Foram descritas as histórias de Joana, Cristina, Roberta, Teresinha e Francisca, buscando ressaltar nos relatos construídos por elas, as singularidades das experiências de cada uma. Assim, foi dado destaque às resistências e descontinuidades que fizeram com que essas mulheres criassem linhas de fuga nas situações de violência vivenciadas e na própria forma como utilizaram (ou não) a Lei Maria da Penha. A categoria “mulheres” foi utilizada na pesquisa de forma aberta e contingente, sem estar fixada a um modelo universal. A violência contra mulheres ainda é uma realidade e não há apenas uma causa que possa caracterizá-la, mas múltiplas causas. Esta dissertação procurou problematizar o uso da Lei Maria da Penha como recurso jurídico para o enfrentamento da violência doméstica.
