CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
- Estudos Feministas, vol. 23, n.1
As manifestações do tempo e do espaço na poesia de Mario Quintana, são o eixo dessa dissertação, tal como o pensamento e o olhar do poeta sobre a realidade do século XX. A noção do tempo na poesia é analisada sob a perspectiva de personagens recorrentes na obra do poeta, como a criança Lili e os fantasmas. A personagem Lili representa, na perspectiva do poeta, a infância imaginada e sonhada, já os fantasmas encenam sua relação com o tema da morte. Outro aspecto dessa dissertação explora a questão do espaço. Esse é configurado nos poemas, e se refere à memória de lugares. Conforme o poeta, os lugares fazem parte da construção interior de todos. As cidadezinhas inventadas (ou que não existem mais) figuram a melancolia. Por outro lado, o poeta se mistura ao espaço da cidade e ao bulício cotidiano. Assim, a poesia de Mario Quintana integra a mudança espacial e temporal a existencial. Cabe destacar a afirmação do poeta, que o cotidiano é o incógnito do mistério. Desta forma essa dissertação analisa como o tempo e o espaço se desdobram na temática do cotidiano.
Este trabalho tem como principal proposta realizar uma análise das imagens produzidas pelas câmeras de vigilância na cidade de Florianópolis, cujo objetivo de suas instalações se apóia nos discursos produzidos em torno da violência e criminalidade urbanas. O estudo problematiza as relações entre cultura de vigilância e cultura midiática, explorando a pregnância da imagem na vida social contemporânea, o emprego das imagens oriundas das câmeras de vigilância como meio para o exercício de determinadas práticas de poder e de saber na cidade, bem como o papel que desempenham na atualização dos discursos em torno do mito da verdade da imagem. Destaco, ainda, as relações estreitas entre as câmeras de vigilância e o panóptico de Jeremy Bentham e a crescente subordinação da paisagem urbana e da vida citadina aos sistemas de segurança e vigilância. Chamo especial atenção para o modo como tais dispositivos se articulam a processos sociais mais amplos que dizem respeito à produção de subjetividades no contemporâneo e à construção de fronteiras sociais.
O campo de estudos feministas e de gênero tem avançado à medida que se articula com outras categorias de análise, tais como geração, classe, raça/etnia, orientação sexual, região e religião. Uma questão, contudo, permanece à revelia do esforço de interseção dessas categorias, a saber, a deficiência. Para tanto, busca-se aqui avaliar algumas das possibilidades de análise de fenômenos sociais e culturais nas quais se considera oportuno o diálogo entre os estudos feministas e de gênero com o campo de estudos sobre deficiência. Espera-se proporcionar maior visibilidade para o debate dessa questão, avaliando seu potencial analítico e político em vista da sua contribuição para as políticas públicas.
- Estudos Feministas, Vol. 20, n.3
Esta tese de doutorado propôs-se a realizar um estudo etnográfico das narrativas biográficas e formas de sociabilidade de sujeitos que se identificam como “travestis das antigas”. Ao procurar empreender, em termos de Eckert & Rocha (2005), uma etnografia das lacunas da duração pretendeu–se compreender os processos pelos quais estes sujeitos foram construindo, ao longo de suas trajetórias sociais, e por intermédio de seus itinerários urbanos, suas formas de sociabilidade relacionadas às suas vivências na cidade do Rio de Janeiro. Pensar as formas de sociabilidade específicas das interlocutoras desta pesquisa me conduziu à análise de suas interações sociais e, conseqüentemente, das formas de apropriação do espaço urbano, bem como de suas relações, percepções e concepções da cidade entendida, principalmente, como cenário de atuação desses atores sociais. Acredito que ao compartilhar de suas caminhadas ao longo de suas vidas através de suas memórias e seus cotidianos somos levados aos dramas, às intrigas e aos dilemas que compõem a interface entre o que estou chamando aqui, inspirada em De Certeau (2008), cidade conceito e cidade ordinária. Se em suas narrativas sobre as experiências na e da cidade são enunciados preconceitos e discriminações constrangedoras de seus processos de construção de subjetividade, de formulações de projetos e de apropriações e usos da cidade em que nasceram e/ou escolheram para viver, também são relatadas suas astúcias e táticas no intuito de impor seus estilos de uso nos diferentes espaços urbanos e de serem, assim, senhoras de seus passos na cidade do Rio de Janeiro.


