CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Através da comparação de duas trajetórias exemplares e de dois estilos de "fazer um nome" no campo artístico, busco analisar os padrões de "ser atriz" que Cacilda Becker e Leila Diniz contribuíram para impor e legitimar, em suas épocas. Procuro compreender como Leila Diniz tornou-se um modelo "revolucionário" de comportamento feminino e como Cacilda Becker transformou-se na maior referência artística do campo teatral brasileiro. Analiso, através de duas trajetórias singulares, as transformações dos papéis femininos ocorridos na década de 1960, principalmente no que diz respeito à sexualidade, conjugalidade e maternidade.
- Revista Gênero, v.3 n.2
Esta dissertação consiste em uma análise de narrativas sobre homicídios que envolvem jovens em Santa Catarina. Nas últimas décadas o universo de homens com idades de 15 a 24 anos concentra a maior parte de vítimas nas situações de homicídio no Brasil. Os interlocutores da pesquisa são jovens que se encontravam em regime de “privação de liberdade” (internação) para o cumprimento de medidas socioeducativas. No tocante a perspectiva teórica, foca-se a dimensão vivencial das situações nomeadas como “violências”. Trata-se de uma maneira de pensar os homicídios praticados entre jovens a partir dos sujeitos sociais que emergem nas narrativas. Os interlocutores descreveram alguns casos de homicídios como “justificáveis”, passíveis de explicação e outros como “sem motivos”. Nas histórias sobre mortes, os sujeitos falaram também sobre suas próprias vidas no contexto do tráfico de drogas: a nada fácil “vida fácil”, os altos e baixos, o risco constante, a relação com a morte, as situações em que “é matar pra não morrer”. Em um âmbito mais geral, o diálogo entre teoria e dados etnográficos permitiu situar as vidas desses jovens como vidas: “arriscadas”, “desperdiçadas”, “matáveis”, vividas “no veneno”.
A importância da figura do pai nos tradicionais estudos sobre o desenvolvimento infantil e do adolescente tem sido em relação à autoridade e limites, nos processos de constituição do sujeito, visto como uma figura que ocupa um lugar secundário na formação de seus filhos. Na perspectiva histórico-cultural em psicologia o homem é visto como produto e produtor da realidade e da história através de sua ação no mundo, sendo que este processo se dá através da mediação de instrumentos e signos. As relações que uma criança estabelece no/com o mundo são inicialmente mediatizadas por seus adultos, sejam eles do sexo feminino ou do sexo masculino. O modelo de pai presente no ideário coletivo da atualidade é o modelo das classes dominantes, isto é, o pai provedor e protetor da tradicional família burguesa. Esta pesquisa teve a intenção de investigar como é que meninos idealizam-se como pais, partindo de dois pressupostos: 1 – tanto a figura materna como a figura paterna, podem ocupar lugares semelhantes nas experiências da criança com o mundo como mediadores, independente do sexo ao qual pertencem: 2 – a internalização de concepções/papéis/modelos de ser homem/pai para meninos/adolescentes está relacionada com experiências vividas com outros homens, além do próprio pai, na vida cotidiana. Foram entrevistados seis meninos/adolescentes afastados de suas famílias, oriundos das camadas populares, com idades entre 12 e 17 anos e em regime de abrigamento no município de Joinville. A coleta de dados deu-se através de entrevista semiestruturada e de um “grupo focal”, com o objetivo de buscar os depoimentos dos sujeitos da pesquisa em relação à suas experiências com o pai biológico e/ou substituto e um outro homem que pode ser chamado de pai. Constatou-se que os lugares ocupados por figuras do sexo masculino por homens que desempenham atividades relacionadas ao papel de pai no cotidiano de meninos afastados de suas famílias e colocados em regime de abrigo, podem ser significativos para a internalização de concepções/papéis/modelos de paternidade.
Neste trabalho, examinam-se o discurso e as marcas de gênero em anúncios publicitários que divulgam utilidades domésticas. O estudo baseia-se em anúncios publicados entre janeiro e dezembro de 2002 na revista CLAUDIA, dos quais três foram selecionados por indicarem distintas práticas discursivas. Como principal suporte teórico, utilizou-se o modelo da Análise Crítica do Discurso ACD , abordagem social do discurso lingüisticamente orientada que tem, entre seus principais objetivos, investigar formas de poder e de ideologia que se manifestam através de fenômenos sociais, sobretudo aqueles relacionados às minorias. A ACD tem lançado mão, entre outros, do conceito de gênero como categoria analítica ao formular questões sobre representações sociais expressas verbal ou visualmente, empregando o termo semiótica social para abordar o cruzamento de códigos diversos. Assim, nos últimos anos, a ACD vem subsidiando estudos que analisam questões de gênero na publicidade, prática discursiva que acompanha as transformações globais desde os anos 50 do século XX. Consoante a natureza inter e transdisciplinar da ACD e o tema desta pesquisa, o material bibliográfico teórico incluiu também textos acerca de Pós-Modernidade, feminismo, gênero, publicidade, ideologia e economia na sociedade contemporânea. Os antecedentes da investigação podem ser encontrados em outros estudos que já versaram sobre a questão das marcas de gênero em revistas populares. A hipótese que norteia o trabalho é a de que os anúncios escolhidos refletem uma mudança discursiva em andamento, análoga a transformações que estão ocorrendo em práticas sociais em nosso país, especificamente entre mulheres das classes A e B, tema que não foi abordado na literatura consultada. Para se testar a hipótese, analisam-se os elementos lexicogramaticais e visuais das páginas impressas, relacionando-os a questões de gênero, ao contexto da sociedade pós-industrial e à proposta da revista. O estudo conclui que, em maior ou menor grau, esses anúncios apenas dissimulam um discurso sexista, reforçando, para a venda de produtos, a tradicional relação entre mulher e trabalho doméstico.
- Universidade Católica de Pelotas
O objetivo deste estudo é desvelar o significado do desligamento do trabalho para homens e mulheres quando ocorre a aposentadoria. Como prática investigativa foi utilizada a pesquisa qualitativa, desenvolvendo a análise das trajetórias laborais como um todo reconstruindo a historia sócio-cultural do grupo pesquisado. Para o estudo das trajetórias laborais, foram buscados aportes teóricos que sustentaram as discussões acerca das seguintes categorias: trabalho, aposentadoria, envelhecimento e relações de gênero. Os sujeitos da pesquisa possibilitaram contemplar um conjunto de experiências no contexto das relações de trabalho tendo em vista o desligamento pela aposentadoria. Para a coleta de informações foi utilizada a entrevista individual, semidirigida, com um fio condutor que permeou a construção das trajetórias laborais de cinco homens e cinco mulheres associadas da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Previdência Social da Grande Florianópolis (ASAPREV). O estudo revelou que as trajetórias laborais são trazidas com múltiplos significados e que esses estão relacionados com as mudanças da vida social e com as relações surgidas no mundo do trabalho, entre elas encontramos a perda da rotina laborativa, sua reorganização da vida familiar, a busca de espaço para convívio dentro e fora das relações privadas e de novas atividades ocupacionais. A relação com a aposentadoria para os entrevistados é vivida de forma ambígua: de um lado, significa espaço de autonomia, de liberdade e, de outro de incertezas e inseguranças. Como a aposentadoria assegura a todos, fonte de sustento, o aspecto financeiro se reveste de vital importância. Esse é um elemento unificador dos interesses dos entrevistados/as, os congregando em torno das questões: redução e desvalorização do benefício previdenciário e a ineficácia das políticas de seguridade social insuficientes para manutenção da sua qualidade de vida.

