CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
O trabalho utiliza a teoria da complexidade para a análise das questões de gênero, mostrando que a sociedade as constrói em uma interação de informações entre natureza e cultura. O enraizamento bioantropológico e as características socioculturais comportam graus diversos de experiências, conhecimentos e sabedoria, em uma complexa organização em que as oposições não devem significar extinção e as diferenças não podem traduzir enfraquecimento ou superioridade. Dessa forma, podemos aplicar o conceito do “anel tetralógico” de Edgar Morin, que comporta desordem, organização, ordem e interação para a compreensão dos impasses entre seres masculinos e femininos, humanos e não-humanos, em direção a uma mudança paradigmática em nossas relações sociais e ambientais.
- Estudos Feministas, vol. 11, n.2
Os movimentos de mulheres muito contribuíram para pôr fim aos governos autoritários na América Latina, mas sua participação na reconstrução da política democrática tem sido mais limitada do que o esperado. Este artigo argumenta que a enorme influência exercida por elites tecnocráticas no processo de democratização na América Latina tem representado um obstáculo para a melhoria do status da mulher na região. Pressupostos e práticas preconceituosos quanto ao gênero têm sido apenas parcialmente abordados, em parte porque o processo de elaboração de políticas é controlado por economistas, um grupo profissional com uma postura particularmente hostil às análises de gênero. Sugere-se que mudanças no interior da (disciplina) Economia poderiam colaborar na tarefa de tornar a democracia mais sensível às demandas das mulheres.
- Estudos Feministas, vol. 11, n.2
Nesta versão condensada de seu livro homônimo, Sedgwick esboça uma reflexão sobre o “armário” como um dispositivo de regulação da vida de gays e lésbicas que concerne, também, aos heterossexuais e seus privilégios de visibilidade e hegemonia de valores. A pesquisadora norteamericana afirma que “o armário”, ou o “segredo aberto”, marcou a vida gay/lésbica no último século e não deixou de fazê-lo mesmo após o marco de Stonewall em 1969. Sedgwick argumenta ainda que esse regime, com suas regras contraditórias e limitantes sobre privacidade e revelações, público e privado, conhecimento e ignorância, serviu para dar forma ao modo como muitas questões de valores e epistemologia foram concebidas e abordadas na moderna sociedade ocidental como um todo.
- Cadernos Pagu, Quereres, v.28
As shin-sanba, ou ‘novas parteiras’ medicalizadas, que apareceram durante o período Meiji (1868–1912) no Japão, parecem ter, aos olhos atuais, substituído rapidamente e sem conflito as ‘velhas parteiras’ (kyû-sanba) e as cada vez mais criminalizadas ‘parteiras não licenciadas’ (mumenkyo-sanba), enquanto a profissão de parteira foi se desenvolvendo progressivamente como profissão médica moderna. Este artigo sugere que a história das parteiras na era moderna foi mais complexa do que aquilo que se imagina atualmente. Primeiro, o surgimento e a prosperidade das shin-sanba estiveram intrinsecamente ligados às contingências do Japão moderno e ao inter-relacionamento de vários grupos de atores históricos – autoridades da higiene, sankai (ginecologistas-obstetras), outras parteiras e ‘clientes’. Segundo, ao longo da era moderna, as shin-sanba não substituíram outros tipos de parteiras; na verdade, os diferentes tipos co-existiram. Por fim, a existência e o status das parteiras dependeram em grande parte de um mercado de serviços de saúde marcado pelo laissezfaire, e as realidades desse mercado muitas vezes contradiziam a retórica médica que favorecia as shin-sanba em relação a outros tipos de parteiras.
- Estudos Feministas, vol. 10, n.2
El artículo analiza las condiciones en las que las mujeres se incorporan al sector agrícola de exportación en México. Este sector genera una fuerte demanda de mano de obra en el nivel nacional, lo cual ocasiona importantes flujos de migración en los que algunas indígenas participan de manera significativa. El artículo muestra cómo dicha incorporación de mano de obra femenina al mercado de trabajo pone en juego desigualdades de género y étnicas que se traducen en una segmentación dentro de las ramas y sectores de la economía. Asimismo, el estudio describe los procesos a que recurren las indígenas con el fin de contrarrestar la violencia real y simbólica de que son objeto.
- Estudos Feministas, vol. 11, n.2



