Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Volume
Vol. 25. N. 1
  • Estudos Afro-Asiáticos
Tese
Entre o Giz e o Pincel: um estudo sobre os percursos educacionais de artistas plásticas e professoras de artes

Este estudo foi desenvolvido na Linha de Pesquisa Educação, Cultura e Poder, vinculada ao eixo Educação, Cultura e Sociedade do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Educação da Universidade Regional de Blumenau. A temática desta investigação são os percursos educacionais de artistas plásticas e professoras de Artes que atuam na dupla função, como docentes e como produtoras de Arte. Busca-se investigar e compreender como ocorreram os percursos educacionais dessas mulheres, para poder entender o porquê destas duplas escolhas profissionais. A pesquisa ocorreu em duas instituições: a Associação Blumenauense de Artistas Plásticos - BLUAP e o Departamento de Artes da FURB - Universidade Regional de Blumenau, locus onde se concentra o maior número dessas profissionais. As agentes envolvidas perfazem um total de sete, sendo docentes com formação específica em Artes e atuantes artistas plásticas. Parte-se do pressuposto de que o caminho do qual resulta o cruzamento entre Arte e docência proporciona às mulheres artistas e professoras a saída possível aos mecanismos de dominação simbólica embutidas nas relações educacionais e de gênero. Para a coleta do material empírico, utilizou-se o recurso metodológico de memória e história oral, com o uso de entrevistas. O embasamento teórico central deve-se aos estudos de Pierre Bourdieu, no entendimento das disposições artísticas e dominação masculina. Os dados analisados revelam a importância da influência da família na constituição do habitus primário desenvolvido na primeira infância a partir do nascimento. Destaca-se, também, o papel das mães na mobilização de estratégias e estímulos para a construção das disposições para a Arte e para o magistério transmitidas desde cedo no ambiente familiar. Percebeu-se uma educação que reforçava o modelo preconizado pela sociedade posta sob a dominação masculina, enfatizando gostos e escolhas relacionados ao gênero feminino no que diz respeito à Arte e ao magistério. A formação profissional destas mulheres, por sua vez, esteve também ligada ao que se considerava ideal para a formação de mulheres, e isto as aproximou para escolhas como a Arte e a docência em Arte, representações do que era o adequado e o possível na visão das famílias e da sociedade em geral. Assim, as mães se encarregaram de transmitir e reforçar este modelo de educação, que teve como conseqüência, escolhas profissionais ligadas a estes dois campos: o campo artístico e o educacional. Estes resultados permitem referendar a hipótese inicial deste estudo, pois os dados demonstraram que as escolhas profissionais representaram para estas artistas plásticas e professoras de Arte, a saída possível aos mecanismos de dominação impostos socialmente.

Livro
Orientação profissional em ação - formação e práica de orientadores
  • Português
  • LISBOA, Marilu Diez e SOARES, Dulce Helena Penna
Volume
Vol. 4. N. 1
  • Cadernos de Saúde Pública
Tese
Trabalho, família e amizade. Entre maricultores/as de uma associação do sul da ilha de Florianópolis: a AMPROSUL

Construída a partir de uma pesquisa de campo realizada na Associação de Maricultores e Pescadores Profissionais do Sul da Ilha (AMPROSUL), formada por pequenos/as produtores/as de ostras e/ou mariscos, esta tese debruça-se sobre o espaço de interlocução entre os discursos técnico-científicos (governo, pesquisadores, etc.), de um lado, e os dos/as maricultores/as, de outro. Para as instituições governamentais e parceiras vinculadas à maricultura, diante do objetivo de conciliar desenvolvimento econômico e inclusão social e econômica dos/as produtores/as, a alternativa é transformar o caráter familiar e artesanal das produções: organizá-los/as em associações/cooperativas, profissionalizá-los/as e padronizar suas produções, de modo que possam participar do arranjo produtivo local. Neste sentido, as políticas públicas dirigidas à maricultura estão voltadas para a organização dos/as produtores/as por meio de associações/cooperativas e a estruturação da cadeia produtiva, do arranjo produtivo local (APL). Para os/as maricultores/as, os tempos já foram melhores. Desejam ser incluídos/as no mercado, no arranjo, e reclamam do que consideram exigências e normas excessivas, mau uso dos recursos destinados à maricultura e privilégios em relação aos/às “grandes” produtores/as. Entendem que precisam se organizar para que suas demandas sejam atendidas. Acionam familiares e amigos/as para contornarem problemas relativos ao trabalho e ao exercício da atividade, como a falta de mão de obra. As falas dos/as maricultores/as indicam a existência de conflitos e de tensões neste processo de transformação do setor. Ao mesmo tempo, discursos técnico-científicos procuram explicar o porquê das dificuldades de estes/as produtores/as atenderem às novas exigências que se impõem em relação à organização em torno de associações/cooperativas e do arranjo. Diagnósticos “negativos” sugerem que essas dificuldades estão associadas, por exemplo, ao fato de não possuírem organização, cooperação/solidariedade, etc. O parâmetro de comparação, no caso, é a construção de vínculos de cooperação como estratégia competitiva. Seguindo as falas dos/as mariculores/as e a pista de que está em curso um processo crescente de “mercantilização” da maricultura, apoiado no modelo de desenvolvimento adotado pelo governo, esta tese propõe ao menos duas voltas no parafuso: 1ª) Problematizar os discursos técnico-científicos por seu viés economicista. Tal atitude apóia-se em discussões críticas que se desenrolam nas ciências humanas sobre as implicações da lógica utilitária, sustentadas por determinadas teorias, e abre espaço para tratar os problemas em termos de exclusão social, econômica e simbólica dos/as pequenos/as produtores/as e refletir sobre a existência de relações de poder assimétricas; e 2ª) Criar outra narrativa sobre os/as produtores/as sem a ênfase na “falta”, marcando a importância dos vínculos de amizade e parentesco para eles/as no exercício da atividade. Neste contexto, misturam-se trabalho, família e amizade, o que permite que essas pessoas enfrentem as dificuldades que se lhes apresentam. Essa atitude apoia-se nas mesmas discussões críticas que problematizam a lógica utilitária e exploram a existência de outra modalidade de ação marcada por uma lógica não utilitária.

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