CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Fala-se muito de novos modos de procriação, frutos do progresso da ciência e da tecnologia, que tornariam necessário inventar modos de filiação; o legislador é intimado a intervir. Uma leitura antropológica permite duvidar da novidade do problema: para algumas, senão para todas as situações de fato atuais, correspondem instituições presentes em diversas sociedades. É sempre afirmada, com relação ao biológico, a primazia da convenção jurídica que funda o social, e a filiação não é jamais um simples derivado da procriação. Em resumo, se é possível sofisticar as formas de família, não se pode inventar novos modos de filiação.
- Estudos Feministas, vol. 8, n.1
Os temas propostos neste trabalho - cidadania e gênero - levam-nos a buscar referenciais de análise suficientemente abrangentes para que possamos dar conta da sua articulação. A idéia de cidadania e a construção de identidade de gênero têm sido definidas como um entendimento da sociedade que parte da definição de esferas dicotômicas, o público e o privado, responsáveis por uma desqualificação das mulheres no âmbito do político. O feminismo contemporâneo discute esta visão, criticando-a, e propõe novas abordagens que permitem integrar homens e mulheres nas suas relações, no desenvolvimento dos processos sociais.
- Estudos Feministas, vol. 9, n.1
- Cadernos Pagu, Simone de Beauvoir e os feminismos do século XX, v.12
A circulação global, entre 1994 e 2001, do neo-zapatismo e do ativismo solidário não-indígena como símbolos de resistência no ciber-espaço sugere a necessidade de novas formas de leitura dos movimentos sociais na era digital. Uma leitura feminista do binarismo local/global do espaço discursivo em torno da rebelião maia em Chiapas tanto afirma quanto contesta teorias predominantes pós-modernas sobre a relação entre corpo humano e tecnologias cibernéticas. Esse espaço híbrido transgride e confirma fronteiras entre ator/atriz e audiência, escritor/a e leitor/a, humano e máquina. A relação entre o teatro da resistência material na Zona de Conflito e o crescimento da resistência virtual no Ciber-Chiapas ilustra a natureza ciborgue material/tecnológica da rebelião de Chiapas.
- Estudos Feministas, vol. 10, n.1
As chamadas “minorias” sexuais são, hoje, muito mais visíveis do que antes, e, conseqüentemente, torna-se mais acirrada a luta entre elas e os grupos conservadores. Esse embate, que merece uma especial atenção de estudiosos/as culturais e educadores/as, tornase ainda mais complexo se pensarmos que o grande desafio não consiste, apenas, em assumir que as posições de gênero e sexuais se multiplicaram e escaparam dos esquemas binários; mas também em admitir que as fronteiras vêm sendo constantemente atravessadas e que o lugar social no qual alguns sujeitos vivem é exatamente a fronteira. Uma nova dinâmica dos movimentos (e das teorias) sexuais e de gênero está em ação. É dentro desse quadro que a teoria queer precisa ser compreendida. Admitindo que uma política de identidade pode se tornar cúmplice do sistema contra o qual ela pretende se insurgir, teóricos/as queer sugerem uma teoria e uma política pós-identitárias. Inspirados no pós-estruturalismo francês, dirigem sua crítica à oposição heterossexual/homossexual, compreendida como a categoria central que organiza as práticas sociais, o conhecimento e as relações entre os sujeitos. O que, afinal, esta teoria tem a dizer para o campo da Educação?
- Estudos Feministas, vol. 9, n.2





