CEDOC
Sobre o CEDOCObras sobre “mulheres”
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Pergunta proposta nessa pesquisa lançou uma discussão: quais os sentidos que mulheres, com possibilidades de sentir diversos tipos de atração erótica ou de se relacionar fisicamente de diversas maneiras com outras mulheres, atribuem às relações sociais que estabelecem em um gueto GLS de Florianópolis? Essa questão trouxe à cena importantes categorias de análise: homoerotismo feminino, relações sociais e gueto GLS. Tais categorias foram problematizadas nessa dissertação de mestrado e contemplam os estudos sobre constituição de subjetividades, os estudos de gênero e dos modos de vida que, por sua vez, englobam e analisam teoricamente outros aspectos que se destacaram na pesquisa de campo desenvolvida no decorrer dessa investigação. O presente trabalho vai ao encontro da proposta de repensar a ciência do ponto de vista das mulheres, de dar-lhes espaço de palavra, na tentativa de desconstruir o modelo androcêntrico que tem norteado a maioria dos estudos científicos há tempos, inclusive na área da Psicologia. Assim, o estudo dos inúmeros agenciamentos de subjetivação que atravessam o sujeito cotidianamente constitui uma perspectiva de pesquisa bastante interessante, na medida em que trabalha a idéia de identidade pessoal socialmente construída e inacabada, legitimando gênero como categoria útil para se problematizar e investigar alguns aspectos fundamentais no processo de constituição do sujeito. Ao término desta pesquisa conclui-se que as relações sociais estabelecidas entre as mulheres (com outras mulheres e homens) que transitam pelo gueto, constituem e significam esse território na mesma medida em que são por ele constituídas. O gueto, enquanto espaço de construção de subjetividades, media a própria construção dessas mulheres não apenas como pessoas com possibilidades de se relacionarem afetiva e sexualmente com outras do mesmo sexo que o seu mas, sobretudo, enquanto sujeitos no mundo. O trânsito desses sujeitos no interior do gueto indica o cerceamento das condutas dessas mesmas pessoas fora dos limites desse território. Reconhecido como lugar de proteção e legitimação de comportamentos e posturas, o gueto problematiza os domínios do espaço privado e do espaço público, (re)produzindo modos de vida bastante peculiares.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Participação das mulheres no mercado de trabalho de trabalho ocupa lugar de destaque no campo das ciências humanas e sociais nos últimos anos. A presente pesquisa refere-se à dissertação do Mestrado em Psicologia (UFSC/UNOESC) que teve como objetivo principal identificar os sentidos atribuídos por homens e mulheres ao desempenho em tarefas antes exclusivamente masculinas em uma empresa estatal de grande porte. Para tanto recorreu-se à história profissional obtida por meio de entrevistas semi-estruturadas, realizadas com quatro homens e quatro mulheres, que ocupam o cargo de operador. As entrevistas foram organizadas em eixos temáticos: inserção das mulheres na Petrobras, tarefas executadas por mulheres em ocupações tradicionalmente masculinas, convívio social e familiar e suas implicações e sentidos atribuídos. Após transcrito, o material obtido foi decomposto em categorias e reorganizado por meio de análise de conteúdo longitudinal e transversal. Como resultados centrais tem-se que: 1) As diferenças anátomo-fisiológicas entre os sexos foram mencionadas pelos participantes, mas não interferem substancialmente nas competências e habilidades no desempenho de suas tarefas; 2) Os avanços tecnológicos contribuem como fator facilitador para a igualdade de desempenho entre homens e mulheres, pois minimizam a necessidade da força física; 3) Homens e mulheres ressentem-se em trabalhar no regime de turno e revezamento, que se torna responsável pelo afastamento da família e do convívio social regular; 4) Embora haja a igualdade de acesso e o reconhecimento da competência das mulheres, ainda se mantém, especialmente entre os homens há mais tempo na empresa, a idéia de não se trata de local de trabalho adequado para as mulheres; 5) Mantém-se, também, a relação direta entre a presença de mulheres e as condições do ambiente de trabalho (mais organização, mais limpeza, mais adequação, mais cordialidade). Conclui-se que, a despeito dos avanços ocorridos nos últimos anos, a inserção de mulheres em postos anteriormente ocupados por homens é vista por um lado, com receio e/ou relacionada com atributos "naturalmente" associados ao feminino e por outro a possibilidade de dividirem espaços de trabalho, permitindo o desempenho de atividades na mesma proporção que os homens.
- Universidade Federal de Santa Catarina

- Português
- COSTA, Delaine Martins

- Português
- TABAK, Fanny

- Português
- COSTA, Ana Alice Alcantara
