Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
"Um lar em terra estranha": A aventura da individualização feminina. A Casa da Estudante Universitária de Curitiba nas décadas de 50 e 60

Este é um estudo sobre uma Casa e suas moradoras, a Casa da Estudante Universitária de Curitiba, "um lar em terra estranha" organizado para abrigar jovens mulheres que estavam entrando na universidade em busca de uma formação profissional. Nosso objetivo ao realizar esta pesquisa sobre a CEUC através de seus significados e do quotidiano de suas moradoras foi, por um lado, entender como uma categoria especifica de mulheres - estudantes universitárias - começou a viver e a lidar com a experiência da individualização e, por outro lado, desvelar a construção da identidade feminina à luz de algumas representações sobre o feminino no Brasil entre a década de 50 e o inicio dos anos 60.

  • Universidade Federal do Paraná
  • Mestrado
Tese
O discurso feminista criminalizante no Brasil: limites e possibilidades

Esta dissertação tem por objetivo discutir a difícil aliança das mulheres com o Direito Penal. Os marcos teóricos que fundamentam esta discussão são a o conceito de gênero, a Criminologia Crítica e a Criminologia Feminista. O feminismo tem denunciado que o direito é androcêntrico e criador de gênero, e que, portanto, as mulheres não são vistas como sujeitos de direitos. A Criminologia Critica, por sua vez, desmistificou o direito penal igualitário, demonstrou a deslegitimidade do sistema penal e a falsidade do discurso jurídico penal como garantidor dos direitos humanos e a necessidade da mínima intervenção penal. A Criminologia Feminista denuncia que embora crítica, a Criminologia Crítica também não incorpora a contribuição da teoria feminista. As criminólogas feministas analisam as possibilidades e impossibilidades do discurso feminista aliar-se com o Direito Penal na defesa dos direitos humanos das mulheres. O eixo fundamental da dissertação propõe discutir, à luz destes marcos teóricos, se o discurso feminista criminalizante no Brasil pode ser uma boa estratégia para a defesa dos direitos das mulheres. Ou seja, se as mulheres devem recorrer ao Direito Penal.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Entre Feministas e Mulheristas: Uma etnografia sobre promotoras legais populares e novas configurações da participação política feminina popular em Porto Alegre

A partir do estudo etnográfico junto a um grupo de Promotoras Legais Populares (PLPs) atuantes no Serviço de Informação à Mulher (SIM), esta dissertação analisa novas formas de participação política de mulheres das camadas populares urbanas. O universo pesquisado é constituído por mulheres dos grupos populares porto-alegrenses, formadas no curso de capacitação legal oferecido pela Organização Não-Governamental (ONG) feminista gaúcha Themis - Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero. Tal curso objetiva instrumentalizá-las para a defesa dos direitos humanos das mulheres. A pesquisa situa-se na cidade de Porto Alegre/RS, no final da década de 90. Tal contexto apresenta uma configuração política particular, a qual oferece inúmeros canais para a participação política popular, em especial para as mulheres dos grupos populares urbanos. Esta análise concentra-se no sentido êmico atribuído à participação política - entendida como uma forma de mudança estratégica e contextual tanto do ideário feminista quanto dos códigos que regem o campo político pelo qual estas mulheres circulam.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Do palco aos bastidores: O SOS-Mulher (SP) e as práticas feministas contemporâneas

O objetivo deste trabalho é estudar o movimento feminista que se constituiu, a partir da segunda metade das década de 70, em São Paulo. Pretendo analisar, por um lado, as peculiaridades de suas práticas, de sua ideologia, do perfil e composição do seu quadro de militantes, de sua dinâmica e de sua trajetória no cenário político brasileiro. Por outro lado, pretendo analisar as representações e formulações feministas sobre a condição feminina - e indiretamente masculina - e suas implicações nas práticas políticas, sociais e culturais acionadas pelo movimento. Para tanto, realizei uma pesquisa no grupo SOS-MULHER (criado em outubro de 1980 e fechado em novembro de 1983), escolhido como campo privilegiado de investigação pelo fato de apresentar uma dimensão sintética das concepções, da ideologia e das formas de organização do movimento feminista.

  • Universidade Estadual de Campinas
  • Mestrado
Tese
Além das secas e das chuvas: o uso da nomeação "mulher trabalhadora rural" no sertão central de Pernambuco

Este trabalho objetiva compreender os usos da nomeação mulher trabalhadora rural como estratégia identitária de empoderamento e de obtenção de direitos pelas mulheres no Sertão Central de Pernambuco. É uma pesquisa de orientação etnográfica na qual se destaca, além das interações com as pessoas do lugar e das entrevistas, a análise de documentos de domínio público produzidos pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central de Pernambuco. Este estudo se filia à produção do Núcleo de Estudos e de Pesquisa em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos (PUC/SP) e alinha-se às investigações da Psicologia Social discursiva com ênfase no debate sobre práticas discursivas e posicionamento. Do ponto de vista teórico, foram consideradas ainda as reflexões feministas sobre categorias identitárias e processos de empoderamento. O argumento que norteia este estudo é de que ser mulher trabalhadora rural não é uma essência rígida e imutável ou tampouco algo intrínseco às mulheres que vivem e trabalham na área rural. Ser mulher trabalhadora rural é uma posição assumida a partir do lugar no qual a pessoa se situa. Entretanto, tanto a posição quanto o lugar são produtos sociais. A ênfase recai nos contextos interacionais e discursivos nos quais as mulheres se posicionam como trabalhadoras rurais. De forma ampla, é possível apontar que a nomeação mulher trabalhadora rural contribui para o empoderamento das mulheres e a obtenção de diversas ordens de direitos. Tal nomeação é imbricada com a ação coletiva das mulheres, sendo utilizada de diferentes maneiras e com objetivos diversos. Dependendo do contexto, ora elas se posicionam como mulheres, ora como trabalhadoras rurais, ora como moradoras da área rural do Sertão de Pernambuco. As mulheres transgridem os espaços socialmente delimitados para elas e desenvolvem novas posturas e interesses diante das suas vidas e do mundo a sua volta. Entretanto, apesar da consolidação de um vigoroso movimento de mulheres na região e das redes tecidas em âmbitos estadual, regional, nacional e internacional, em nível local, a família e a comunidade parecem resistir ao empoderamento das mulheres. A liberdade de ir e vir independentemente dos interesses familiares e o exercício da sexualidade fora da união conjugal não são conquistas plenamente consolidadas para todas as mulheres. Além disso, muitas mulheres não dispõem de documentos sobre o uso e a propriedade da terra, o que possivelmente indica pouco acesso e controle restrito das mulheres sobre os recursos materiais.

  • Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
  • Doutorado

Inscreva-se para receber nosso boletim