CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Este trabalho objetiva compreender os usos da nomeação mulher trabalhadora rural como estratégia identitária de empoderamento e de obtenção de direitos pelas mulheres no Sertão Central de Pernambuco. É uma pesquisa de orientação etnográfica na qual se destaca, além das interações com as pessoas do lugar e das entrevistas, a análise de documentos de domínio público produzidos pelo Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Sertão Central de Pernambuco. Este estudo se filia à produção do Núcleo de Estudos e de Pesquisa em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos (PUC/SP) e alinha-se às investigações da Psicologia Social discursiva com ênfase no debate sobre práticas discursivas e posicionamento. Do ponto de vista teórico, foram consideradas ainda as reflexões feministas sobre categorias identitárias e processos de empoderamento. O argumento que norteia este estudo é de que ser mulher trabalhadora rural não é uma essência rígida e imutável ou tampouco algo intrínseco às mulheres que vivem e trabalham na área rural. Ser mulher trabalhadora rural é uma posição assumida a partir do lugar no qual a pessoa se situa. Entretanto, tanto a posição quanto o lugar são produtos sociais. A ênfase recai nos contextos interacionais e discursivos nos quais as mulheres se posicionam como trabalhadoras rurais. De forma ampla, é possível apontar que a nomeação mulher trabalhadora rural contribui para o empoderamento das mulheres e a obtenção de diversas ordens de direitos. Tal nomeação é imbricada com a ação coletiva das mulheres, sendo utilizada de diferentes maneiras e com objetivos diversos. Dependendo do contexto, ora elas se posicionam como mulheres, ora como trabalhadoras rurais, ora como moradoras da área rural do Sertão de Pernambuco. As mulheres transgridem os espaços socialmente delimitados para elas e desenvolvem novas posturas e interesses diante das suas vidas e do mundo a sua volta. Entretanto, apesar da consolidação de um vigoroso movimento de mulheres na região e das redes tecidas em âmbitos estadual, regional, nacional e internacional, em nível local, a família e a comunidade parecem resistir ao empoderamento das mulheres. A liberdade de ir e vir independentemente dos interesses familiares e o exercício da sexualidade fora da união conjugal não são conquistas plenamente consolidadas para todas as mulheres. Além disso, muitas mulheres não dispõem de documentos sobre o uso e a propriedade da terra, o que possivelmente indica pouco acesso e controle restrito das mulheres sobre os recursos materiais.
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
- Doutorado
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- Universidade Federal de Pernambuco
- Mestrado
Muitos estudos apontam índices crescentes de solicitação de reversão após a esterilização feminina o que pode indicar opção mal avaliada, possivelmente por falta de informação e de acesso a outros métodos. A legislação brasileira exige que os serviços de saúde que realizam a esterilização ofereçam atendimento multiprofissional, informação e acesso a todos os métodos contraceptivos. Observações anteriores da prática em um serviço estruturado conforme a legislação, indicavam que muito raramente as mulheres mudavam sua opção inicial. Objetivo. Buscou-se identificar representações sociais dos diversos métodos, existentes em um grupo destas mulheres, com a finalidade de entender os motivos de rejeição a eles. Além disso, foram pesquisadas a satisfação com a opção e as repercussões da esterilização sobre a vida dessas mulheres.
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
Esta pesquisa com dirigentes sindicalistas, realizada no ano de 1998, busca analisar as relações de gênero em setores de esquerda do movimento sindical de Florianópolis vinculados à CUT: a Central Única dos Trabalhadores de Santa Catarina, (CUT/SC); o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica de Florianópolis, (SINERGIA) e a Escola Sul da CUT. Trata-se de entidades que têm discutido, debatido e implementado propostas relativas ao gênero ao que eu denominei nesta pesquisa como sendo as "questões políticas de gênero", ou seja, as discussões como leis sobre o aborto e "união civil", assédio sexual, violência e as políticas de "empoderamento" das mulheres, particularmente, a política de "quotas". Além dessas questões também foram considerados os processos de construção social das diferentes masculinidades. Para tanto foram utilizados recursos da abordagem etnográfica (observação participante e entrevistas), com as quais buscou-se reconstruir as trajetórias (individuais e nos movimentos sociais) desses dirigentes.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
- Ciência e Cultura
