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Sobre o CEDOCObras sobre “gênero”
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Ao olhar, atentamente, a produção acadêmica brasileira, relacionada com o campo de estudos de gênero e dos estudos feministas, constatei uma grande performance teórica e variadas tentativas de diálogo entre os diversos campos do saber, inclusive com o campo específico da Educação Física/Esporte(EF/Esporte). Isto tem se dado, sobretudo, nos últimos anos, considerando o caráter plural das concepções de feminino e de masculino vigente na atual sociedade globalizada, na qual o conceito de gênero tem permitido, entre outras instâncias, a compreensão de construções históricas em torno do sexo, enfatizando, os mecanismos e as instituições culturais e sociais que estão envolvidas nesta construção. Com a intenção de contribuir com esse debate, ao longo da trajetória deste estudo, discorro sobre algumas dimensões de gênero desenvolvidas para a EF/Esporte e suas contribuições na compreensão da organização social. Neste sentido, o texto que se segue, apresentado em três capítulos, intitulados: primeiro, o ponto de partida; segundo, nas teias do gênero; terceiro, gênero e educação física: refletindo sobre as pesquisas dos anos 80 e 90; diz sobre o que se convencionou chamar "estudos de gênero na/para a EF/Esporte. Como esta se apropriou desse conceito, e como tem classificado como sendo "estudos de gênero" esse ou aquele trabalho. Enfim, como se encontra o estado atual do conhecimento sobre gênero na EF/Esporte? Como base de análise e interpretação, foi utilizado o material empírico relacionado à produção científica, na forma de dissertação e tese, oriundas dos programas de pós-graduação brasileiros em Educação e Educação Física, em nível de mestrado e doutorado, décadas de 80 e 90. Para tanto, é utilizada a técnica de análise de conteúdo, levando em conta algumas categorias selecionadas, entre as quais, a) Temáticas abordadas; b) Problemática e questões priorizadas; c) Concepções/abordagens; d) Relação sujeito/objeto - sexo do pesquisador; e) lugar onde foram produzidos os estudos; f) Orientação, co-orientação e composição de bancas examinadoras; g) Escolas de pensamento, propostas e sugestões. Observei que a produção acadêmico-científica, num primeiro momento, deteve-se em analisar os estereótipos e a existência do sexismo do ponto de vista bio-psico-fisiológico, mais recentemente, os estudos apresentam uma dimensão temática ampliada, situando-se em torno de três eixos: sexualidade, política e cultura. Ficou evidenciado, ainda, na leitura das dissertações e teses, um certo avanço a respeito das questões tratadas, no entanto, acredito que há de se cuidar sobre os rumos que poderão tomar as pesquisas neste campo teórico, pois freqüentemente tem sido utilizadas perspectivas teórico-metodológicas incompatíveis entre si, e aí são cometidos, então, alguns equívocos, onde certos conceitos são tidos como equivalentes, sem, no entanto, o serem.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Esta pesquisa tem como ponto focal a análise das relações de gênero na comunidade garimpeira de Datas, localizada no Estado de Minas Gerais. A análise da divisão sexual do trabalho, dos conflitos envolvendo honra e gênero e da cosmologia característica da atividade garimpeira em Datas aponta para uma configuração das relações de gênero na qual a assimetria de poder entre os sexos apresenta uma maior flexibilidade, devido ao fato da mulher também garimpar, participando assim das possibilidades da sorte e de valores e atributos hegemonicamente atribuídos à masculinidade.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Estudos sobre violências contra mulheres com deficiência são, geralmente, mais restritos por exigirem conscientização para a abordagem conjunta entre gênero, deficiência e violência. As poucas produções no campo dos Estudos sobre Deficiência que versam sobre o tema afirmam que as explicações atuais sobre violência de gênero e deficiência são insuficientes para avaliar as várias situações que levam as mulheres com deficiência a experienciarem formas de violência. O objetivo geral da pesquisa foi fazer uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre violências contra mulheres com deficiência. A pesquisa de campo envolveu a articulação entre vários campos teóricos e de pesquisa, inclusive da análise de narrativas de três mulheres com deficiência física na cidade de Belo Horizonte. O eixo central se baseia na articulação entre as teorias feministas, queer e crip, tendo como eixo o campo das violências contra mulheres com deficiência, considerando, sobretudo, o potencial de uso de categorias de articulação e de intersecionalidades como gênero, deficiência, capacitismo, violência e cuidado. Como categoria múltipla e relacional, as violências contra mulheres com deficiência também devem abranger uma pluralidade de componentes sociais e de contextos socioculturais atravessados por relações de poder imbricadas entre si. A depender do contexto social, as violências contra mulheres com deficiência ora são uma expressão das relações de gênero, ora são motivadas pela condição de deficiência ou, ainda, são o produto da polarização entre as categorias de gênero e deficiência e suas interfaces analíticas.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A inserção profissional de mulheres no campo científico contemporâneo ainda é delineada por uma realidade paradoxal: por um lado, se no Brasil elas já representam a maioria das matrículas no ensino superior, por outro, ainda são quase ausentes nos nichos tradicionalmente masculinos; também, se elas já permanecem na carreira científica, ainda não conseguiram acumular capital científico a ponto de serem igualmente expressivas nas esferas decisórias da Política de Ciência, Tecnologia e Inovação nacional. Deste modo, percebe-se que a participação feminina mais incisiva na universidade não tem implicado na eliminação de mecanismos discriminatórios no campo científico. Tendo em vista tal problemática, esta pesquisa objetiva analisar como as relações de gênero fazem-se presentes na consolidação do campo científico cearense, trazendo como referência a abordagem biográfica, a interpretação das trajetórias de três mulheres cientistas: Irlys Barreira, pertencente às humanidades, mais especificamente à sociologia; Marlúcia Santiago, física, atuante nas ciências supostamente “exatas”; e Regine Vieira, bióloga e poetiza, com os seus trânsitos entre o ramo de saberes biológicos e o campo literário. Embora as três tenham suas carreiras científicas consolidadas e consagradas, em suas narrativas pôde ser percebida a permanência de mecanismos discriminatórios - que ainda se fazem presentes nas trajetórias de mulheres nos mais distintos ramos profissionais - sintetizados na dificuldade em conciliar vida acadêmica e vida familiar, especialmente quando estas mulheres possuem filhos. Assim, imersas na constante disputa entre o tempo para a família e o tempo para a ciência, e dedicando um esforço diferenciado e desigual em relação ao esforço dedicado por seus pares-concorrentes homens, arquitetaram certas estratégias para consolidar suas carreiras: elas forjaram uma performance de intensa produtividade, superando, inclusive, a média nacional de publicações realizadas por homens e mulheres pesquisadores de suas respectivas áreas; também, em suas trajetórias, observa-se a importância estratégica dos laboratórios por elas coordenados, por meio dos quais desenvolvem suas pesquisas, contribuem para a formação de estudantes de graduação e pós-graduação. Ademais, é também por meio dos laboratórios que se articulam no seio da política científica captando recursos, estabelecendo parcerias, articulando-se com pesquisadores de outras instituições no país ou fora dele. São mulheres que tecem as redes da ciência por meio de suas viagens, de suas obras, de suas linhagens, fazendo-se presentes e reconhecidas. Ao biografá-las, este estudo tenta contribuir para a ruptura do silêncio e invisibilidade que tem envolvido as mulheres nos estudos sociológicos, antropológicos, filosóficos e históricos da ciência.
- Universidade Federal do Ceará
- Doutorado
Esta dissertação aponta efeitos sociais do discurso e da prática da opção pelos pobres na trajetória da vida religiosa feminina, na Igreja Católica do Brasil, nos últimos trinta anos. O discurso e a prática pela opção pelos pobres assumido pelas religiosas, permitiu que acontecessem mudanças significativas e favoráveis a elas, tanto num nível pessoal como ao nível de suas congregações. Por outro lado, considerando o momento atual e sob uma perspectiva de gênero, aparecem limites e contradições na forma como foi assumido esse discurso e sua prática. Assim é que, a resposta generosa, eficiente, das religiosas, aos apelos da Igreja, para se engajarem nos meios populares, não foi acompanhada por uma transformação das estruturas de poder dentro dessa instituição.
- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
- Mestrado
