Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Em nome de Deus: um estudo sobre o implementação do ensino religioso nas escolas públicas de São Paulo

O presente estudo trata do processo de implementação do ensino religioso nas escolas públicas do Estado de São Paulo, tendo como foco as relações instituídas no interior do campo estudado, bem como a identificação das estratégias individuais dos atores envolvidos na ação. Através da participação de grupos como o Conselho de Ensino Religioso do Estado de São Paulo (CONER/SP), a Associação dos Professores de Ensino Religioso de São Paulo (ASPER/SP) e a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo é possível compreender como se deu este processo de inclusão do ensino religioso na rede pública de ensino.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
"Se eu passar despercebido o baile não prestou": visibilidade e resistência viada no interior de Santa Catarina

O objetivo deste trabalho foi investigar e problematizar como homens nascidos entre os anos 1950 e 1970, que vivem em cidades do interior de Santa Catarina, constituíram-se, identificaram-se e foram reconhecidos socialmente como viados; além das formas como geriram, negociaram e agenciaram a visibilidade em torno de suas homossexualidades, resistindo à heteronormatividade. A pesquisa insere-se no campo de estudos sobre as sexualidades e, a partir de marcos da teoria feminista e queer, adota uma perspectiva interdisciplinar, interseccional e desconstrutiva, interrogando e problematizando o que se nomeia construção da identidade homossexual . O corpus da pesquisa foi composto por nove sujeitos, oito homens brancos e um negro, com idades entre 42 e 66 anos, de diferentes extratos de classes médias (oriundos de famílias da classe trabalhadora) e católicos (muitos deles praticantes). Como metodologia, além da revisão bibliográfica e de levantamento de trabalhos acadêmicos sobre homossexualidades em cidades do interior do Brasil, associei a história oral, através de entrevistas não-diretivas produzidas a partir de histórias de vida, com práticas da pesquisa etnográfica. Explorando suas experiências de vida considerando, entre tantos outros fatores importantes, o gênero, a raça e a classe, bem como a pessoalidade e a fofoca, tão presente em contextos interioranos identifiquei que as estratégias de gestão de visibilidade homossexual se deram mediante permanentes negociações centradas por diferentes formas de discrição e por cautelas, evidenciando, ao mesmo tempo, uma conformação e o desafio à heteronormatividade. Avançando na investigação, procurei compreender melhor o regime de visibilidade homossexual com o qual os sujeitos dialogaram, destacando, com base nas memórias construídas, alguns aspectos do contexto histórico correspondente: a) o cenário social, cultural e moral de suas infâncias e juventudes vinculado ao período da ditadura militar no Brasil (1964-1985), b) o impacto do pânico sexual e moral desencadeados pelo surgimento da AIDS, nas décadas de 1980 e 1990, c) a ascendência moral e a relação ambígua que mantêm com a religiosidade católica e d) a importância da televisão, principalmente em cidades do interior, como principal fonte de informação e lazer. Com base nas fontes que emergiram no trabalho de campo, investiguei e destaquei a importância dos shows de auditório e das telenovelas como produtores e difusores de representações homossexuais estereotipadas (incorporadas por personas bichas e viadas, e também pelas transformistas) e de representações modelares (através de personas e personagens gays discretos), que disputaram por espaço e deram sustentação a um regime de visibilidade homossexual que, de modo geral, prevaleceu nos anos 1970-2000. A partir da constatação de um regime de representação bastante restritivo, especulei sobre possíveis processos de subjetivação, identificação e gestão da visibilidade homossexual, ressaltando a necessidade de pensá-los de forma dialógica, encadeada, complexa e misturada. E destaquei que a sujeição à heteronormatividade e às forças de controle e normalização dela irradiadas, deu-se simultaneamente à adoção de práticas de resistência e agência plurais, dinâmicas e negociadas, com destaque àquelas nas quais as identidades de gênero revelaram-se ambíguas, transitivas e, ao lado de práticas indicativas de uma fluidez de desejos, colocaram em xeque o próprio binômio hétero-homossexualidade no contexto estudado.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Bicha tu tens na barriga, eu sou mulher: etnografia sobre travestis em Porto Alegre

Este trabalho versa sobre aspectos do cenário social brasileiro. Especificamente, o olhar se direciona para questões que envolvem a inscrição social dos sujeitos que se denominam e/ou são denominados travestis. O “objeto” desta investigação antropológica é, portanto, o travestismo, aqui concebido como um fato social, cultural e histórico. Dediquei-me a perseguir a forma e o movimento de algumas práticas e ideias presentes no cotidiano das pessoas que estão diretamente envolvidas com o fenômeno do travestismo. Como delimitação, durante a pesquisa de campo realizada em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, parti da observação de dois tipos de relações: as relações entre as travestis e as relações entre elas e seus companheiros. No que se refere as relações entre as travestis, o esforço se deu no sentido de compreender como a construção da identidade de gênero se vincula a experiência de socialização com as demais participantes do grupo a que pertencem. Perceber também, 'como se dá a interação entre elas, a natureza dessa interação e as diferentes formas de construção da subjetividade e da estética femininas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Para uma crítica da razão androcêntrica: gênero, homoerotismo e exclusão da ciência jurídica

O presente trabalho foi desenvolvido valendo-se da metodologia de pesquisa bibliográfica e documental, contando com dados coletados junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul e a grupos informais, pessoas e organizações não-governamentais que trabalham com o tema do homoerotismo em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Partindo da contribuição teórica trazida pela epistemologia feminista, tomamos como marco teórico principal a formulação de Michel Foucault - sobre os saberes, a busca da verdade em torno da sexualidade humana, e o exercício de poder e controle sociais aí implicados - bem como a metodologia proposta por Alda Facio para análise do fenômeno jurídico. Procuramos desvendar, a partir daí, nos marcos da filosofia do direito, os reflexos produzidos pela postura androcêntrica sobre a ciência jurídica, que historicamente conduziram à segregação não apenas das mulheres como sujeitos de direito, mas excluíram a expressão homoerótica da esfera protetiva que o moderno estado de direito propôs. Destacamos, para tanto, o questionamento que a jurisprudência obtida no Rio Grande do Sul atualmente tem provocado a esta impostura excludente, à luz do princípio de igualdade, bem como a mobilização social que tem sido catalisadora deste processo de renovação, também em nível legislativo.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Paternidade e criminalidade: uma arqueologia entre o direito e a psicologia

Este estudo tem como objetivo analisar arqueologicamente enunciados que articulam paternidade, família e criminalidade, tendo como corpus de pesquisa documentos da jurisprudência de Tribunais de Justiça. Problematizamos movimentos enunciativos que articulam Paternidade e Criminalidade: paternidade na matriz heterossexual – o pai se produz na diferenciação da mãe; paternidade como isonomia; as classificações que posicionam diferentes pais. Ampliando a análise investigamos também os enunciados que acionam o pai como um dos elementos da família, sem diferenciá-lo. Em relação às famílias, os enunciados se movimentam, normatizando formas de ser família – possibilitando a intervenção e destituição, ou preservando-a como bem social. A família figura nos documentos como elemento importante e determinante para a análise do criminoso, com deslocamento das explicações para a criminalidade do determinismo biológico para o determinismo familiar.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado

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