CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Esta tese analisa, com um olhar interdisciplinar, as políticas públicas de combate à homofobia implementadas pelo Ministério da Educação (MEC) durante as duas gestões do governo Lula (2003-2006 e 2007-2010). Pela observação participante e pela análise documental, foi produzido um corpus de material empírico que foi analisado por meio do diálogo teórico com a Antropologia e a História, principais disciplinas que guiaram o estudo. Metodologicamente, a tese foi produzida mediante sistematização de um Banco de Dados de notícias e documentos oficiais, dados sobre eventos acadêmicos e entrevistas com gestores e ativistas registrados em diários de campo, além de registro de conversas informais e outras situações em que estiveram presentes os sujeitos do campo. O texto final se estruturou com base em seis eixos principais: “História”, “Estrutura”, “Políticas Públicas”, “Atores”, “Estratégias” e “Tensões” que possibilitaram, em conjunto, refletir sobre diferentes perspectivas o campo de produção de políticas antihomofobia na educação. É possível perceber que a dinâmica de implementação de políticas públicas de combate à homofobia envolve uma série de relações global-local em que os movimentos internacionais e nacionais fazem circular categorias e pautas políticas que vão sendo reinterpretadas localmente. No caso brasileiro em pauta, constata-se que os embates internos se baseiam na construção de diferença entre atores políticos da “academia” e dos “movimentos sociais”. Também é significativo que o governo Lula tenha assumido o papel de “indutor” de políticas públicas de combate ao sexismo, ao racismo e à homofobia como uma “função de Estado”. Desta forma, a política anti-homofobia brasileira durante a década de 2000, incentivada pelas agências estatais do núcleo social do governo federal, constituiu-se em um campo que envolveu diálogo, tradução e disputas entre acadêmicos, ativistas e gestores.
Este trabalho constitui-se em um estudo de caso envolvendo um grupo de trabalhadores rurais assentados residentes no extremo-oeste de Santa Catarina que participaram do processo de "conquista da terra". A análise deste grupo no interior do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra privilegiou a interlocução com a Teologia da Libertação na construção de valores político-ideológicos que engendraram a luta. O grupo estudado tem como princípio a "coletivização", a vivência igualitária do cotidiano, sem divisão da terra em lotes individuais, o que o torna singular frente a outros assentamentos. No interior do "viver coletivo" efetivado cotidianamente é possível observar tensões, que são aqui analisadas apontando as transformações e rupturas na história de vida dos atores sociais em luta pela terra, que tem como objetivo último a "transformação da sociedade". Observando as práticas e representações no interior do grupo coletivizado, é possível apontar para o projeto de "construção da igualdade" enquanto sustentado pela "luta permanente". Esta luta, por sua vez, constrói-se no contexto do diálogo com valores político-religiosos, bem como a vivência dos mesmos.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
O trabalho de campo, processo pelo qual o antropólogo observa de perto a comunidade pesquisada para interpretá-la, desempenha um papel fundamental na definição da antropologia como ciência da alteridade ou da crítica cultural. Neste livro analiso alguns aspectos do trabalho de campo, enfocando principalmente a relação observador-observado tal como esta se apresenta nos depoimentos dos antropólogos e das pessoas por estes entrevistadas. Procuro, ainda, analisar a produção dos textos etnográficos e suas consequências para os grupos pesquisados. O campo empírico de referência para a discussão proposta é o das comunidades religiosas afro-brasileiras cujos estudos, além de marcar uma vertente inaugural da antropologia brasileira, têm colocado certas questões relevantes como os limites entre observação e participação e os múltiplos significados que as etnografias dessa área vêm estabelecendo na legitimação ou transformação das tradições religiosas em conseqüência do contato e alianças existentes entre o universo da academia e dos terreiros.
- Universidade de São Paulo
- Doutorado
Pergunta proposta nessa pesquisa lançou uma discussão: quais os sentidos que mulheres, com possibilidades de sentir diversos tipos de atração erótica ou de se relacionar fisicamente de diversas maneiras com outras mulheres, atribuem às relações sociais que estabelecem em um gueto GLS de Florianópolis? Essa questão trouxe à cena importantes categorias de análise: homoerotismo feminino, relações sociais e gueto GLS. Tais categorias foram problematizadas nessa dissertação de mestrado e contemplam os estudos sobre constituição de subjetividades, os estudos de gênero e dos modos de vida que, por sua vez, englobam e analisam teoricamente outros aspectos que se destacaram na pesquisa de campo desenvolvida no decorrer dessa investigação. O presente trabalho vai ao encontro da proposta de repensar a ciência do ponto de vista das mulheres, de dar-lhes espaço de palavra, na tentativa de desconstruir o modelo androcêntrico que tem norteado a maioria dos estudos científicos há tempos, inclusive na área da Psicologia. Assim, o estudo dos inúmeros agenciamentos de subjetivação que atravessam o sujeito cotidianamente constitui uma perspectiva de pesquisa bastante interessante, na medida em que trabalha a idéia de identidade pessoal socialmente construída e inacabada, legitimando gênero como categoria útil para se problematizar e investigar alguns aspectos fundamentais no processo de constituição do sujeito. Ao término desta pesquisa conclui-se que as relações sociais estabelecidas entre as mulheres (com outras mulheres e homens) que transitam pelo gueto, constituem e significam esse território na mesma medida em que são por ele constituídas. O gueto, enquanto espaço de construção de subjetividades, media a própria construção dessas mulheres não apenas como pessoas com possibilidades de se relacionarem afetiva e sexualmente com outras do mesmo sexo que o seu mas, sobretudo, enquanto sujeitos no mundo. O trânsito desses sujeitos no interior do gueto indica o cerceamento das condutas dessas mesmas pessoas fora dos limites desse território. Reconhecido como lugar de proteção e legitimação de comportamentos e posturas, o gueto problematiza os domínios do espaço privado e do espaço público, (re)produzindo modos de vida bastante peculiares.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
O presente trabalho, teve como objetivo descrever as vivências pessoais e familiares de homossexuais femininas. Foram entrevistadas seis mulheres, residentes em Caxias do Sul e região, de 22 a 33 anos, cujos familiares conheciam sua orientação sexual. Todas eram solteiras e de nível socioeconômico médio, e exerciam alguma atividade profissional. Uma análise de conteúdo qualitativa das entrevistas gerou diversas categorias e subcategorias temáticas. Em geral, a homossexualidade foi considerada normal/natural, uma situação que trouxe felicidade para as participantes, apesar dos preconceitos enfrentados. Na percepção delas, a reação dos familiares quando da descoberta da sua orientação sexual foi negativa, tendo melhorado ao longo do tempo em alguns casos. Tais achados revelaram uma mudança social na forma de pensar e agir diante da homossexualidade feminina, porém ainda lenta e gradual. Ficou evidenciada a necessidade de atuação da psicologia através de programas de atendimento às famílias e às homossexuais.
- Universidade de Caxias do Sul

