Instituto de Estudos de Gênero
Palavra-chave

Obras sobre “masculinidade”

52 resultados

Artigo
ETNOGRAFIAS DO BRAU: CORPO, MASCULINIDADE E RAÇA NA REAFRICANIZAÇÃO EM SALVADOR

Neste artigo, o autor pretende explorar desenvolvimentos do processo conhecido como reafricanização da cultura e da política em Salvador corporificados na cristalização transitória de determinada figura social conhecida como o brau. Essa seria uma inflexão de masculinidade informada pelas tensões raciais e de gênero em Salvador, assim como uma reapropriação localizada de temas culturais da diáspora africana. Braus foram (são) jovens negros da periferia que re-inventam uma visualidade/corporalidade negra a partir de releituras da ‘cultura’ soul norte-americana e ao mesmo tempo são estigmatizados pela classe média como violentos, de “mau-gosto” e hiper-sexualizados, ou seja, excessivamente ‘negros’ e excessivamente ‘masculinos’, em uma hiperbolização que em certo sentido contradiz com sua estigmatização.

  • Estudos Feministas, vol. 13, n.1
Artigo
Curió Valente: representações de gênero em competições de pássaros canoros

Este artigo descreve uma prática extremamente popular e tradicionalmente masculina em Florianópolis: os torneios de pássaros canoros. A etnografia das provas de “Fibra de Curió” ou “Curió Valente” pretende demonstrar as representações de gênero presentes numa competição canora de aspecto agonístico, na qual um macho deve intimidar e subjugar o outro através do canto. O “curió valente” é “um lutador” (que não toca fisicamente seu adversário). Aquele que emite o maior número de cantos vence a prova atestando a sua virilidade e sua superioridade de macho lutador sobre os demais participantes. O interessante é que há uma profunda identificação entre o pássaro e o seu dono, e o desempenho do pássaro repercute sobre a identidade, e particularmente sobre a masculinidade, do próprio dono. Essa etnografia evidencia não apenas o aspecto representacional do gênero, mas também o seu aspecto relacional e circulacional. O que potencializa a masculinidade em jogo nas provas é a relação. Gênero aparece aí como sendo construído reciprocamente na relação macho/fêmea tanto quanto nas relações entre masculinos e femininos.

  • Cadernos Pagu, Mudanças, v.30
Artigo
A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia

A partir de definições de homofobia e de heterossexismo, este artigo explora a profundidade heurística das relações sociais de sexo transversais ao conjunto de pessoas e grupos de gênero, no interior de um quadro teórico que rompe com definições naturalistas e/ ou essencialistas dos homens. O texto analisa os esquemas, o habitus, o ideal viril, homofóbico e heterossexual que constroem e fortalecem a identidade e a dominação masculina. Para desenvolver este argumento, o autor faz uma vasta revisão bibliográfica da literatura feminista francesa contemporânea.

  • Estudos Feministas, vol. 9, n.2
Artigo
Amélio Robles, andar de soldado velho: fotografia e masculinidade na Revolução Mexicana

O artigo apresenta a história da masculinização radical e permanente de uma jovem de origem rural a partir de sua incorporação na Revolução Mexicana. A análise, de um lado, aborda o processo de transgeneração de Robles, cuja identidade social e subjetiva, e aspecto físico, se masculinizam mediante o hábil manejo dos recursos culturais disponíveis em uma longínqua região rural mexicana no início do século XX: a performance de gênero – postura, gesto e vestuário –, a fotografia de estúdio e a imprensa sensacionalista. De outro, foram estudadas distintas percepções sobre Amélio Robles, confrontando retóricas de gênero vigentes no México pós-revolucionário, permeadas por discursos homofóbicos e transfóbicos.

  • Cadernos Pagu, O risco do bordado, v.22
Artigo
A dinâmica de gênero nos jogos de futebol apartir de uma etnografia

O futebol é tido no Brasil como um jogo com forte conotação masculinizante e, como tal, desaconselhado às meninas. O objetivo deste artigo é mostrar, a partir de uma configuração social concreta, como a dinâmica que se desenrola no interior do jogo faz com que ele seja percebido como uma atividade talhada para homens, embora nem todos os homens se conformem ao padrão de masculinidade hegemônico no futebol. Evidencio, em perspectiva etnográfica, algumas estratégias para fazer frente à exclusão sugerida às meninas.

  • Revista Gênero, v.7 n.2

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