Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
MULHER SEMPRE, ÀS VEZES GENTE - Ocultamento e revelação na linguagem da mulher rural

A Extensão Rural tem até hoje considerado a mulher camponesa principalmente como doméstica, ensinado-a a cumprir seu papel de mãe, esposa e dona de casa, e reforçando assim o modelo da família e de núcleo de pequena produção, que interessa conservar. As mudanças que estão em curso na re-orientação da Extensão Rural devem portanto ter em conta as mudanças no papel da mulher. Por essa razão procuramos descobrir quais são as frustrações e aspirações da mulher do campo, para fornecer subsídios às novas dimensões do relacionamento do extensionista com o seu público, e sobretudo para que o camponês e sua família sejam vistos mais como pessoa do que como produtores. Como local de investigação foi escolhida uma comunidade norte-riograndense, Laginhas, município de Caicó; e como técnica a análise de linguagem, tomando como material a desenvolver os ditados populares. Tentamos assim definir um perfil, local, da mulher rural através de sua fala, e da construção de um modelo e anti-modelo que represente suas aspirações.

  • Universidade Federal de Santa Maria
  • Mestrado
Tese
Semelhanças na vida de mulheres em situação de abuso ou dependência de álcool

O estudo tem como objetivo identificar as semelhanças na vida de mulheres em situação de abuso e dependência de álcool, sobretudo ao que se refere às suas características sócio-demográficas e às relacionadas ao consumo de álcool. Trata-se de um estudo exploratório descritivo, com enfoques quantitativo e qualitativo, realizado com um total de 214 mulheres que ingressaram no Programa de Atendimento ao Alcoolismo do Hospital Universitário de Brasília - UnB - DF, desde seu início. Os dados foram coletados a partir de informações do questionário de acolhimento e triagem do Programa e de entrevistas semi-estruturadas realizadas com um grupo de dez mulheres que se encontram em tratamento. Encontrou-se que, em geral, a mulher atendida no Programa tem cerca de 40 anos, baixa escolaridade, é "do lar" ou trabalha como empregada doméstica, tem renda pessoal baixa, consome álcool em níveis considerados de alto risco para a saúde, viveu ou ainda vive em ambiente familiar de conflito ou até mesmo violento. Conclui pela necessidade de um atendimento específico às mulheres alcoolistas com a adoção de estratégias diferenciadas e criativas que leve em conta sua história de vida e suas reais necessidades.

  • Universidade de Brasília
  • Mestrado
Tese
Gênero e educação física: o que diz a produção teórica brasileira dos anos 80 e 90?

Ao olhar, atentamente, a produção acadêmica brasileira, relacionada com o campo de estudos de gênero e dos estudos feministas, constatei uma grande performance teórica e variadas tentativas de diálogo entre os diversos campos do saber, inclusive com o campo específico da Educação Física/Esporte(EF/Esporte). Isto tem se dado, sobretudo, nos últimos anos, considerando o caráter plural das concepções de feminino e de masculino vigente na atual sociedade globalizada, na qual o conceito de gênero tem permitido, entre outras instâncias, a compreensão de construções históricas em torno do sexo, enfatizando, os mecanismos e as instituições culturais e sociais que estão envolvidas nesta construção. Com a intenção de contribuir com esse debate, ao longo da trajetória deste estudo, discorro sobre algumas dimensões de gênero desenvolvidas para a EF/Esporte e suas contribuições na compreensão da organização social. Neste sentido, o texto que se segue, apresentado em três capítulos, intitulados: primeiro, o ponto de partida; segundo, nas teias do gênero; terceiro, gênero e educação física: refletindo sobre as pesquisas dos anos 80 e 90; diz sobre o que se convencionou chamar "estudos de gênero na/para a EF/Esporte. Como esta se apropriou desse conceito, e como tem classificado como sendo "estudos de gênero" esse ou aquele trabalho. Enfim, como se encontra o estado atual do conhecimento sobre gênero na EF/Esporte? Como base de análise e interpretação, foi utilizado o material empírico relacionado à produção científica, na forma de dissertação e tese, oriundas dos programas de pós-graduação brasileiros em Educação e Educação Física, em nível de mestrado e doutorado, décadas de 80 e 90. Para tanto, é utilizada a técnica de análise de conteúdo, levando em conta algumas categorias selecionadas, entre as quais, a) Temáticas abordadas; b) Problemática e questões priorizadas; c) Concepções/abordagens; d) Relação sujeito/objeto - sexo do pesquisador; e) lugar onde foram produzidos os estudos; f) Orientação, co-orientação e composição de bancas examinadoras; g) Escolas de pensamento, propostas e sugestões. Observei que a produção acadêmico-científica, num primeiro momento, deteve-se em analisar os estereótipos e a existência do sexismo do ponto de vista bio-psico-fisiológico, mais recentemente, os estudos apresentam uma dimensão temática ampliada, situando-se em torno de três eixos: sexualidade, política e cultura. Ficou evidenciado, ainda, na leitura das dissertações e teses, um certo avanço a respeito das questões tratadas, no entanto, acredito que há de se cuidar sobre os rumos que poderão tomar as pesquisas neste campo teórico, pois freqüentemente tem sido utilizadas perspectivas teórico-metodológicas incompatíveis entre si, e aí são cometidos, então, alguns equívocos, onde certos conceitos são tidos como equivalentes, sem, no entanto, o serem.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
O reino da impura sorte: mulheres e homens, garimpeiros em Minas Gerais

Esta pesquisa tem como ponto focal a análise das relações de gênero na comunidade garimpeira de Datas, localizada no Estado de Minas Gerais. A análise da divisão sexual do trabalho, dos conflitos envolvendo honra e gênero e da cosmologia característica da atividade garimpeira em Datas aponta para uma configuração das relações de gênero na qual a assimetria de poder entre os sexos apresenta uma maior flexibilidade, devido ao fato da mulher também garimpar, participando assim das possibilidades da sorte e de valores e atributos hegemonicamente atribuídos à masculinidade.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Gênero, deficiência, cuidado e capacitismo: uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre violências contra mulheres com deficiência

Estudos sobre violências contra mulheres com deficiência são, geralmente, mais restritos por exigirem conscientização para a abordagem conjunta entre gênero, deficiência e violência. As poucas produções no campo dos Estudos sobre Deficiência que versam sobre o tema afirmam que as explicações atuais sobre violência de gênero e deficiência são insuficientes para avaliar as várias situações que levam as mulheres com deficiência a experienciarem formas de violência. O objetivo geral da pesquisa foi fazer uma análise antropológica de experiências, narrativas e observações sobre violências contra mulheres com deficiência. A pesquisa de campo envolveu a articulação entre vários campos teóricos e de pesquisa, inclusive da análise de narrativas de três mulheres com deficiência física na cidade de Belo Horizonte. O eixo central se baseia na articulação entre as teorias feministas, queer e crip, tendo como eixo o campo das violências contra mulheres com deficiência, considerando, sobretudo, o potencial de uso de categorias de articulação e de intersecionalidades como gênero, deficiência, capacitismo, violência e cuidado. Como categoria múltipla e relacional, as violências contra mulheres com deficiência também devem abranger uma pluralidade de componentes sociais e de contextos socioculturais atravessados por relações de poder imbricadas entre si. A depender do contexto social, as violências contra mulheres com deficiência ora são uma expressão das relações de gênero, ora são motivadas pela condição de deficiência ou, ainda, são o produto da polarização entre as categorias de gênero e deficiência e suas interfaces analíticas.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado

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