Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Afeto, desigualdade e rebeldia: bastidores do serviço doméstico

Trata-se de um estudo etnográfico sobre as relações de poder travadas entre empregadas domésticas e seus empregadores, baseado em trabalho de campo realizado no Espírito Santo entre 1996 e 1998. A partir de um quadro conceitual definido por Shellee Colen e James Scott, analisamos essas relações em termos de um sistema de reprodução estratificada, levando em conta tanto a desigualdade política e a exploração, quanto a funcionalidade dessa relação para ambas as partes. Através da observação participante, tivemos acesso aos códigos encobertos tanto das trabalhadoras quanto de seus empregadores, mostrando que uma mistura particular de afeto, desigualdade e rebeldia mantem estas relações na sociedade brasileira.

  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Doutorado
Tese
Mulheres do Monte Verde: etnografia, subalternidade e politica na relação de um grupo popular de Porto Alegre e o Programa Fome Zero

Este trabalho se constitui como uma análise de um núcleo do Programa Fome Zero, do governo federal, na cidade de Porto Alegre (RS). A pesquisa se desenvolveu no período de dezembro de 2004 até junho de 2007. Os dados apresentados surgiram a partir da realização de uma etnografia junto a um grupo de mulheres, conhecidas como coordenadoras do Núcleo Monte Verde do Programa Fome Zero. Localizado em um loteamento popular da cidade de Porto Alegre, o Núcleo tinha como proposta realizar, naquele espaço, a distribuição das cestas básicas provenientes de doações da sociedade civil, assim como propor iniciativas de geração de trabalho e renda. Duas categorias se apresentaram como fundamentais na análise das atividades realizadas pelo Núcleo: gênero e classe. Neste sentido, o trabalho do Núcleo estava marcado por traços considerados femininos naquele grupo popular, como a importância da maternidade e do parentesco, uma forma de inserção no mercado de trabalho e uma rotina basicamente doméstica e local. O envolvimento das mulheres com a atividade de coordenação do Núcleo tinha relação com aprendizados variados sobre a busca de recursos – monetários ou não – para suas casas. Os programas governamentais e envolvimento com as políticas sociais eram, especialmente, contribuições femininas no espaço familiar. A dissertação ainda realiza apontamentos sobre a relação que as coordenadoras desempenhavam com o ambiente da política institucional e o espaço do Loteamento. Acompanhando a trajetória do Núcleo Monte Verde, pode-se ver como se deu o processo de profissionalização dos trabalhos desempenhados no local, assim como a saída das coordenadoras desta atividade. Esta perspectiva possibilitou perceber de que maneira os períodos políticos dirigidos pelos processos eleitorais e as mudanças partidárias influem sobre os beneficiários e participantes dos programas governamentais. Apesar da presença importante do Estado na vida das coordenadoras, assim como dos coordenadores de outros núcleos da cidade, normalmente sua participação no Programa Fome Zero não era associada à política, mas à possibilidade “da ajuda”. Percebendo os sentidos múltiplos dados ao envolvimento no programa governamental, também se pode observar as assimetrias entre as propostas políticas provenientes dos setores governamentais e sua vivência pelo público ao qual se destinam.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Tese
Gênero em ação: rompendo o teto de vidro? (Novos contextos da tecnociência)

Esta tese analisa as relações de gênero e tecnociência, no segmento específico da produção de softwares da informação e da comunicação, cujas bases assentam-se nas ciências exatas, refletindo tanto sobre os avanços no sentido da superação das desigualdades, quanto sobre a continuidade de padrões tradicionais de comportamento de homens e mulheres. Após revisitar o campo teórico a partir da gênese dos conceitos de gênero e de tecnociência, este estudo avalia até que ponto as mulheres teriam ultrapassado o "teto de vidro" neste segmento do mercado de trabalho e da academia, visto que estão exercendo funções e ocupando cargos considerados como hegemonicamente masculinos. Verifica em que medida as mulheres têm engendrado tecnociência, investigando a complexidade de suas funções, analisando as interseções entre as dimensões pública e privada que são engenhosamente por elas articuladas, e estudando em que medida essas articulações explicam a eliminação ou a reprodução das desigualdades de gênero. A investigação é realizada em empresas nascentes de base tecnológica localizadas em Florianópolis-SC. Diferentes técnicas são utilizadas nessa análise qualitativa, a exemplo de etnografia de uma incubadora que integra trinta e nove empresas (campo 1); e de visitas a empresas similares não-incubadas (campo 2). Neste estudo, de caráter interdisciplinar por excelência, utilizo as categorias de análise: gênero, difração, agency e prática, para sugerir que as mulheres que integram o corpus desta pesquisa estão de fato engendrando a tecnociência nas empresas aqui em foco, em diferenciados níveis de ação, cujos resultados confluem para o seu empoderamento e, portanto, para sua maior visibilidade no mundo da tecnociência. No entanto, o estudo evidencia, também, que a inserção das mulheres nesse mundo pode ser considerada ainda tímida e permeada de entraves, porque algumas preferem, por exemplo, ficar na retaguarda de seus sócios e atuar mais no interior das empresas, mesmo ocupando cargos mais elevados na hierarquia da pirâmide empresarial.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado
Tese
Movimento feminista e Estado: aproximações e afastamentos a partir do debate sobre a ilegalidade do aborto

Após a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada no Brasil em 2004, em que uma das demandas reivindicadas foi a revisão da lei punitiva às mulheres que praticam a interrupção voluntária da gravidez, verificou-se maior mobilização do movimento feminista sobre tema. Havendo abertura do poder executivo para esse debate, observamos o redirecionamento de repertórios do movimento feminista a fim de melhor aproveitar essa oportunidade política, construindo, nos primeiros anos do Governo Lula, um diálogo intenso com a recém criada Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Este trabalho propõe analisar essa aproximação e os afastamentos ocorridos até o período pré-eleitoral de 2010, partindo de teorias contemporâneas sobre movimentos sociais, como a Teoria de Novos Movimentos Sociais, Teoria de Mobilização de Recursos e Teoria de Processos Políticos e a sistematização realizada pela Research Network on Gender Politics (RNGS), cujo foco é a análise da relação dos movimentos de mulheres e feministas com organismos de políticas para mulheres (OPM) em diversos países. Foram realizadas pesquisas bibliográficas, documentais e entrevistas com representantes de movimentos feministas protagonistas nesse conflito e profissionais de órgãos públicos federais que lidaram diretamente com os debates sobre a interrupção voluntária da gravidez. Mesmo observando a heterogeneidade de posicionamentos dentro do Governo Federal, constatou-se a recorrente diminuição de diálogo do poder Executivo com o movimento feminista e menor incidência, com relação a esse tema, no legislativo, nos períodos que antecedem o período eleitoral, demonstrando que alguns temas são relegados da agenda de políticas públicas em nome da governabilidade.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Mestrado
Monografia
Parto domiciliar e institucional: Navegando na busca do divisor de águas

Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou como método entrevistas semi-estruturadas. O objetivo do estudo é o de contribuir para a prática de assistência à saúde materno-infantil, em especial da enfermagem obstétrica, buscando através do levantamento de dados, novas possibilidades de assistir à mulher em seu processo de parturição. Os sujeitos foram três mulheres que realizaram o parto hospitalar, quatro domiciliar, três médicos da instituição e um do domicílio.

  • Universidade Federal de Santa Catarina

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