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Sobre o CEDOCObras sobre “raça”
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Vítima de exclusão acadêmica nos anos 40, principalmente pelo seu enfoque na análise de gênero, Ruth Landes tem sido reivindicada hoje como pioneira feminista da etnografia de raça e gênero. No ano passado, depois de 50 anos, o seu livro A Cidade das Mulheres foi reeditado em inglês. Lido hoje, o argumento do livro parece ser quase uma profecia de certas tendências da Antropologia contemporânea. Mas é interessante ver como esse argumento surgiu não da rejeição dos paradigmas então dominantes, mas sim da tentativa de estendê-los. Neste trabalho, eu avanço uma leitura da formação e produção intelectual de Ruth Landes, comparando seus escritos com os outros trabalhos etnográficos produzidos no boom dos estudos afro-baianos. Essa comparação mostra tanto a novidade da tentativa de Landes de analisar raça e gênero ao mesmo tempo, quanto as origens dessa tentativa nos trabalhos de suas professoras Benedict e Mead. Como foi o caso delas, até os mais interessantes argumentos de Landes estavam baseados no conceito colonialista do ?primitivo?, conceito que fez possível tanto a clareza quanto a cegueira de Landes, quando ela olhou para as mulheres afro-baianas.
- Cadernos Pagu, Raça e gênero, v.6_7

Neste trabalho, buscou-se investigar, através de uma pesquisa de tipo etnográfico, como o contexto escolar vivenciado por mulheres negras contribuiu para a reprodução do preconceito e da discriminação racial e de gênero e a interferência destes na prática pedagógica dessas mulheres. Considerou-se, também, que as relações estabelecidas em outros espaços sociais, como a família, o círculo de amizades e a militância política, exercem influência na constituição do ?ser mulher negra? na sociedade brasileira?.
- Cadernos Pagu, Raça e gênero, v.6_7

Este artigo discute, a partir de dois autores significativos do pensamento social brasileiro ? Cassiano Ricardo e Alfredo Ellis Jr. ?, a relação entre gênero e raça como categorias de ordenamento dos discursos construtores da Nação. Estes ensaístas representam uma vertente de imaginação do Brasil que procura pela gênese da nacionalidade nos momentos fundadores de sua geografia e configuração demográfica. Pretende-se pensar de que maneira a geografia imaginativa neles existente ? dividindo o Brasil em sertão e litoral ? oportuniza os códigos de gênero e raça para indicar lugares físicos e cívicos para mulheres, homens, negros, brancos e mestiços.
- Cadernos Pagu, Raça e gênero, v.6_7

Quem é a baiana? Não há uma resposta simples para essa questão, mas refletir sobre o Circuito Sexual do Turismo em Salvador pode nos ajudar. As baianas são consideradas as morenas-jambo, por sua cor de pele. Este artigo trata das mulheres negras e como o mercado de corpos interfere na construção de suas identidades, criando sonhos e alimentando as fantasias masculinas sobre a mulher brasileira.
- Cadernos Pagu, Raça e gênero, v.6_7

Este artigo discute o conceito de crossover, um componente complexo da ideologia racial como vivida na cultura dos Estados Unidos, enfatizando a relação entre gênero e etnicidade. Crossover refere-se a uma substantiva transformação da música, do comportamento percebido como culturalmente significativo e da vestimenta dos músicos. A significação cultural estaria na presumida diferença de etnicidade entre o grupo do qual a música ou o músico se originam e a população alvo da transformação. Acima de tudo crossíng over está adaptando uma expressão musical especifica ao mercado.
- Cadernos Pagu, Raça e gênero, v.6_7
