CEDOC
Sobre o CEDOCObras de Raul José Matos de Arruda Filho
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A história dos relações familiares revela que a hostilidade, a agressão e a insensatez são práticas cotidianas, banalizadas pela freqüência com que ocorrem. Em sentido oposto, o discurso social nega essa retomada à barbárie e sustenta a unidade familiar através da solidariedade e da amizade. A literatura costuma representar essa contradição de uma forma pouco espessa, quase que a querer fugir da discussão. No entanto, poucas vezes consegue omitir o quanto há de desencontro entre os integrantes do universo familiar: o conflito entre o indivíduo e o Outro está aquém da divergência de linguagens ou de objetivos. Na cronologia dos conflitos familiares, as fratrias compõem um especial recorte. Na literatura brasileira e portuguesa o tema é abordado inúmeras vezes, destacando algumas particularidades fraternas: a rivalidade, o egoísmo, a inveja, a disputa pela progenitura, a figura paterna,... A invenção do inimigo – literatura e fraternidade se concentra em três romances escritos em língua portuguesa, Esaú e Jacó (Machado de Assis), Pedro e Paula (Helder Macedo) e Dois irmãos (Milton Hatoum), procurando comprovar uma questão que é constantemente negada: cada um dos irmãos inventa no outro o inimigo.
