
ENTREVISTA - Conhecendo a equipe do IEG
Dando continuidade a série de entrevistas com a equipe que integra o IEG, a entrevista é Alexandra Alencar, Professora Adjunta A do Departamento de Antropologia da UFSC e coordenadora do ECGD. Confira!
As entrevistas desta edição encerram a série de entrevistas com a equipe que integra o IEG e fazem acontecer nos bastidores, além de contribuir com ideias e serem pessoas fundamentais para a realização dos projetos. Nosso objetivo é trazer o pensamento da equipe, mostrando suas ideias, sonhos e reflexões sobre os estudos de gênero e feministas. Nesse boletim trazemos a contribuição de Alexandra Alencar, Professora Adjunta A do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do Espaço Cultural Gênero e Diversidade (ECGD).
Conte-nos como você se aproximou do IEG e como suas atividades dentro do Instituto se relacionam com seus estudos na UFSC.
Alexandra Alencar (AA): Minha aproximação com IEG se deu a partir de 2018 quando ingressei no pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC (PPGICH/UFSC) sob supervisão da professora Miriam Pillar Grossi. A partir daí contribui com atividades acadêmicas e também com atividades de artivismo, já que também sou rainha do Maracatu Arrasta Ilha e batuqueira do Baque Mulher Floripa. Na atuação na UFSC como docente do Departamento de Antropologia e enquanto pesquisadora do Núcleo de Estudos de Identidades e Relações Interétnicas da UFSC (NUER/UFSC) e do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades da UFSC (NIGS/UFSC) meus estudos/ações sempre foram pautados por pesquisas dentro do campo das relações raciais, assim poder contribuir no IEG com ações/ reflexões no campo dos feminismos negros, cultura negra e pedagogias feministas de autocuidado tem sido um grande aprendizado para mim, e acredito também, que isso reverbera numa ação de maior amplitude do instituto.
Quais têm sido suas atividades e prioridades como bolsista do IEG, considerando o atual momento que vive a UFSC, o país e o mundo, diante da pandemia da Covid-19?
(AA): Minhas prioridades de atuação, diante de um mundo que padece não só pela doença, mas também por um projeto genocida e epistemicida de governo, tem sido promover reinvenções culturais e pedagógicas que me permitam continuar a atuar no ensino, pesquisa e artivismo na e fora da academia, sem perder a dimensão da afetividade e do cultivo do bem-estar. Para tanto, como atual coordenadora do Espaço Cultural de Gênero e Diversidades da UFSC (ECGD/UFSC) tenho realizado vivências mensais gratuitas e online de autocuidado por meio de uma perspectiva afrobrasileira, além de outras ações junto aos movimentos sociais. Tais vivências ministradas juntamente com Charles Raimundo da Silva fazem parte do projeto-ação Vivências Xirê: sentidos criados no fazer, da Aláfia Casa de Cultura feito desde 2020 em parceria com o Maracatu Arrasta Ilha e ECGD/UFSC. Além disso, no que tange às reinvenções culturais, uma amiga me disse uma vez que quando não sabemos para onde ir devemos voltar para casa, para as nossas raízes, assim por meio do projeto de extensão Coletivo Afro-Floripa: práticas percussivas e corporais da cultura africana e afrobrasileira da Grande Florianópolis, na qual também sou coordenadora, temos realizado uma série de lives denominadas Alapalá em Rede, que busca nos nutrir com os saberes e fazeres de mestres e mestras da cultura africana e afrobrasileira, proporcionando guianças para os nossos fazeres culturais, sem perder o encantamento.
Estar no IEG e de certa forma em contato com os estudos de gêneros e feministas têm causado efeitos na sua trajetória pessoal e acadêmica e profissional? Como?
(AA): O acumulado de ações/reflexões promovido pelo IEG ao longo de sua trajetória na UFSC me possibilitou o contato com várias perspectivas teóricas e uma ampla rede de mulheres/pesquisadoras/ativistas/artivistas potentes até então desconhecidas. Além disso, tal contato que se amplia a cada ano, me possibilitou perceber o quanto para além dos sistemas de opressão movidos por raça e gênero, há uma série de saberes e estratégias de re-existências que nos proporcionam conhecimentos e que precisam ser reconhecidos, visibilizados e valorizados no contexto acadêmico, sobretudo nos currículos, como conhecimentos científicos.









