
O outubro é rosa mas a prevenção é o ano inteiro
Confira o editorial publicado no boletim deste mês!
Outubro Rosa é um movimento internacional de conscientização sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 2,3 milhões de mulheres no mundo foram diagnosticadas só no ano passado. Em 2019, o Brasil registrou 18.068 mortes por câncer de mama, sendo o principal tipo da doença que leva mulheres a óbito, muitas devido ao diagnóstico tardio.
Durante todo o mês de outubro são dadas ênfases a campanhas por todo mundo, buscando a conscientização da importância deste cuidado à saúde das mulheres. O artigo “Acesso à detecção precoce do câncer de mama no Sistema Único de Saúde: uma análise a partir dos dados do Sistema de Informação de Saúde” (2014) relata que a lógica de combate a doença está associado ao grau de desenvolvimento econômico, e no Brasil se manifesta nas regiões Sul e Sudeste onde apresentam as maiores taxas de câncer de mama, mas são também as regiões que mais garantem acesso a exames e a tratamentos de alta complexibilidade.
Aqui no Brasil sabemos que o acesso a serviços de saúde não é igualitário, pesquisas do Ministério da Saúde apontaram mulheres de renda baixa, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, são as que menos realizam o exame e quem menos tem acesso à prevenção. Neste sentido, a Campanha Outubro Rosa nos convoca também a pensarmos na luta por direitos, pelo acesso a serviços de saúde, como atendimento médico e apoio emocional de forma universal, equitativa e indiscriminada. O paradoxo é que o Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde promovem uma vasta campanha, com grande visibilidade, mas não viabilizam recursos suficientes para atender a demanda que existe.
Há uma grande concentração de serviços credenciados pelo SUS de quimioterapia e radioterapia nas regiões Sul e Sudeste e uma escassez quase total na região Norte, o que com total certeza afeta o prognóstico e tratamento de mulheres com a doença e que estão fora dos grandes centros urbanos do país. Segundo as autoras do artigo citado “A escassez de biópsias corresponde à necessidade diagnosticada a partir do número de mamografias realizadas no país, indica que o sistema de saúde ainda não está preparado para atender as demandas de mulheres que deveriam ser alvos das ações específicas de rastreamento e diagnóstico precoce para câncer de mama”.
A campanha Outubro Rosa não é suficiente, mas também não deve ser extinguida, mas sim melhorada, buscando com ela também a consciência sobre a necessidade de investimento de recursos em políticas públicas descentralizadas e com melhor distribuição e investimento de serviço ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, promovendo o princípio de equidade na oferta promoção e cuidado para todas as mulheres que necessitam de atendimento.









