CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
A tese investigou como os estudos feministas e de gênero latino-americanos que viajaram para a Argentina e o Brasil entre os anos de 1960 e 1999. Este trabalho procurou identificar e analisar o que foi produzido e circulou usando esses dois países como recorte. Os objetivos desta pesquisa foram visualizar as fronteiras marcadas pelos contextos geo-históricos da produção, os lugares onde os agentes do conhecimento publicaram seus textos e os mecanismos que promoveram a distribuição desses conhecimentos. Como metodologia foi utilizada a investigação no depósito legal e em quatro periódicos acadêmicos. Na Argentina duas instituições que preservam a herança nacional publicada e torna acessível às gerações presentes e futuras foram investigadas: a Biblioteca Nacional de la República Argentina e La Biblioteca del Congreso de la Nacion Argentina, ambas localizadas em Buenos Aires; e no Brasil a Biblioteca Nacional. Para esta pesquisa foram também investigados quatro periódicos acadêmicos: Feminaria e Mora na Argentina, e Cadernos Pagu e Revista Estudos Feministas no Brasil. Esses foram criados no fim da década de 1980, início de 1990, contexto em que os estudos de gênero se estabeleceram dentro das Universidades como conhecimento acadêmico na Argentina e no Brasil. Por fim, esta tese identificou os conhecimentos latino-americanos que viajaram para esses dois países, quais suas características, contextos históricos e as trajetórias dos estudos feministas e de gênero; estabelecendo um exercício epistemológico em torno desse campo de saber que identificou um maior diálogo com o conhecimento produzido em lugares como a Europa e os Estados Unidos do que países latino-americanos, com experiências históricas similares.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Esta investigação teve como objetivo analisar os discursos acerca de questões ligadas aos feminismos - o trabalho das mulheres e o aborto - e os discursos de gênero veiculados pela imprensa alternativa brasileira entre 1975 e 1981, período não só marcado pela ditadura civil militar, mas também pela efervescência dos movimentos sociais. Para isso, selecionei como fonte o periódico semanal Movimento, fundado em 1975 por um grupo de jornalistas liderados por Raimundo Pereira, em razão de o jornal ser considerado um dos mais importantes alternativos da época. Para realização dessa proposta, foram avaliados ao todo 150 exemplares do jornal e selecionadas como objeto de análise: as capas que abordavam problemáticas feministas, as reportagens que tratavam de temáticas ligadas às mulheres e as cartas de leitores e de leitoras relacionadas diretamente às reportagens escolhidas. Metodologicamente me apropriei de ferramentas da disciplina da Análise do Discurso (AD), na acepção de Eni Orlandi (1994, 2011), buscando perceber como os discursos veiculados por Movimento sobre temáticas dos feminismos funcionaram tanto para atacar, como para divulgar o ideário feminista naquele contexto. Ainda em relação ao ponto de vista teórico, a categoria gênero, de acordo com Joan Scott (1990), foi de grande importância para a elaboração da pesquisa e também para as análises realizadas, assim como os apontamentos feitos por Tânia Regina de Luca (2005), acerca dos cuidados que se deve ter em transformar a imprensa em fonte histórica. Os resultados da pesquisa indicam que o Movimento, no que se refere ao trabalho das mulheres, deixou de lado problemáticas importantes, como a dupla jornada de trabalho. Para tanto, o jornal utilizava dos mesmos discursos das esquerdas da época que não reconheciam a exploração entre os sexos, somente entre as classes. No que diz respeito ao aborto e aos direitos reprodutivos, o jornal atuou de duas maneiras: reforçando a ideia de que o corpo das mulheres era um campo de experimentação, no caso, o uso da pílula anticoncepcional, não reconhecendo a autonomia das mulheres. Já em relação ao aborto, o jornal se aproximou do ideário feminista, defendendo a legalização do aborto e reconhecendo nisso um direito das mulheres. Além disso, foi possível verificar que os feminismos obtiveram espaço dentro do jornal, principalmente com cartas publicadas, e que o semanário foi um divulgador de algumas bandeiras dos feminismos, mesmo não tendo intenção explícita. Com essa proposta, busco contribuir para a construção da história dos feminismos no Brasil, que, diante do que representou a ditadura civil-militar, teve muitas de suas histórias não expostas.<br>
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- Mestrado
A década de 1960 é considerada emblemática. Além das mudanças culturais, o Brasil atravessava um momento político bastante delicado, ocasionado pela implementação da ditadura civil-militar, em 1964. Para a Igreja Católica, a década de 1960 também representa mudanças. A realização do Concílio Vaticano II (1962-1965) trouxe consigo transformações estruturais. Uma nova forma de delimitar o papel social de sacerdotes, religiosos e religiosas e as possibilidades de uma atuação mais próxima aos fiéis impunham reflexões e reelaborações a respeito dos sentidos atribuídos à vida religiosa. Neste conturbado contexto, propomos discutir os espaços políticos e sociais de atuação das religiosas, com o objetivo de perceber a participação destas em movimentos organizados ou ações isoladas de resistência ao regime autoritário. Para tanto, atentamos, primeiramente, à compreensão dos elementos que caracterizavam a vida religiosa feminina e como estes foram reinterpretados durante o período proposto, em função das mudanças institucionais na Igreja Católica. A seguir, dedicamo-nos à observação e análise da presença e participação de religiosas em movimentos de cunho político-social, que de alguma maneira poderiam ser classificados como resistentes ou de oposição ao regime ditatorial. Foram observadas as possibilidades de atuação e, especialmente de resistência das freiras em relação à ditadura militar, a partir da compreensão das especificidades da vida religiosa feminina. Partimos de uma perspectiva pautada pelos estudos de gênero e pelo conceito de resistência, tal qual esboçado pela historiografia francesa e por Jacques Semelin. Como fontes, nos amparamos especialmente no estudo de periódicos diversos, documentos oficiais da Igreja Católica, leis, decretos e inquéritos policiais.<br>
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- Doutorado
Utilizo o Acervo do Laboratório de Estudos de Gênero e História - LEGH como objeto de uma experiência para pensar o conceito de arquivo, as discussões contemporâneas entre Arquivologia, História e nas Ciências Humanas em geral e as sobreposições que podemos fazer quando voltamos ao objeto. Arquivo universitário, arquivo científico, acervo acadêmico de pesquisa, arquivo feminista. Tenho como objetivo realizar um experimento de historicização arquivística, colocando um arquivo científico como objeto de análise, incorporando elementos da prática arquivística à organização das informações para pesquisa histórica. O acervo do LEGH nos permite consignações diferentes que nos ajudam tanto a compreendê-lo quanto a puxar dele reflexões necessárias sobre história e memória no contexto de lutas e conflitos sociais, principalmente entre as esquerdas, os movimentos sociais e os feminismos. Vamos também fazer incursões aos arquivos de ativismos do Cone Sul, aos arquivos da repressão e da resistência que são tão caros à construção de histórias que não puderam ser contadas antes, e que agora podem encontrar ativação pelas memórias registradas nos documentos de arquivo, guardadas em centros de documentação e memória, transpostas em espaços voltados à memorialização. O LEGH percorreu muitos caminhos e lugares em suas investigações, procurei apenas seguir o rastro de algumas incursões e apresentar uma reflexão abrangente em torno do seu acervo de pesquisa.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
A presente tese estuda as condições de possibilidade, estratégias eenquadramentos da ideia de sair do armário na história do Brasil.Entendo por sair do armário uma invenção histórica, social e culturalque se caracteriza pela afirmação e/ou descoberta do desejohomossexual de um sujeito. Investigo a questão a partir de 1979, quandoa experiência do assumir-se se dava em âmbito privado, de aceitação desi e necessária para uma pedagogia da homossexualidade; ressalto asmudanças ocorridas nesse discurso com a epidemia da aids e,finalmente, trato da tradução da expressão americana coming-out para oportuguês sair do armário, destacando a sua difusão em diversos meiosde comunicação. Percebo que do início do período examinado até o ano2000 vivenciamos no Brasil três temporalidades distintas dessa ideia,com rupturas e continuidades que chamei de tempo de assumir, tempode visibilidade e tempo de sair do armário. A proposta é justamenteestudar essa experiência tida, ainda hoje, como fundamental na vida doshomossexuais, percebendo as relações de saber-poder que a fabricam.Para isso, acionou-se um conjunto diverso de fontes formado porimagens, relato oral, literatura e revistas, algumas da grande mídia e, nasua maioria, da considerada imprensa gay. O arquivo é questionado pormeio de uma análise discursiva inspirada grandemente nos escritos deMichel Foucault.
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- Doutorado
