CEDOC
Sobre o CEDOC530 teses e dissertações
Através da análise de artigos que circularam na Revista de Ginecologia e d' Obstetrícia entre os anos de 1907-1978, foi possível observar como um grupo de médicos representou experiências exclusivamente femininas, como a menopausa, além de apreender a construção de dois campos de conhecimento sobre a mulher na medicina no Brasil. Os artigos apresentados na revista evidenciam o modo como o discurso da medicina correlacionou as funções tradicionalmente atribuídas ao gênero, à anatomia e à fisiologia da mulher. Nesse sentido, a conduta feminina foi determinada pelo funcionamento de seus órgãos de reprodução. Da puberdade até a menopausa a mulher estaria condicionada, prisioneira do seu ciclo. A partir da menopausa, com a gradativa e contínua queda da produção de hormônio pelos ovários, a mulher teria como opção os hormônios de reposição que lhe permitiria restabelecer o equilíbrio. Hoje, os estudos de gênero dão a oportunidade de desmistificar essa leitura da medicina, transcendendo as definições estáticas que serviram e ainda servem para naturalizar papéis sexuais que foram definidos por uma pretensa "natureza feminina". É preciso ultrapassar as barreiras construídas pelas ciências biológicas que constroem sujeitos e estabelecem preceitos. Logo, não é por acaso que os estudos na área das ciências humanas tem mostrado que a diferença sexual é construída historicamente.
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- Doutorado
Estudo historiográfico com base em processos de crimes sexuais registrados em Florianópolis durante os anos de 1930 e 1940. A década de 1930 foi marcada por um forte investimento estatal, representado neste trabalho pelo Poder Judiciário. O governo ditatorial, através das políticas intervencionistas procurou impor vários estereótipos de gênero, visando o controle e a normatização das práticas sexuais dos populares em Florianópolis. Nessa intervenção o Estado foi um propagandista de valores sociais, como a questão da honra, da virgindade e do casamento. Esses valores não possuíam um conceito generalista para os mais variados segmentos da população. Essa pesquisa procurou posicionar-se enquanto interlocutora dessas esferas, vislumbrando o Poder Judiciário enquanto um dispositivo propagador dos comportamentos adequados, e dos envolvidos, que ora foram cúmplices, ora não foram compreendidos pela justiça.
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- Mestrado
O foco central da tese é a atualização da censura frente ao processo de redemocratização brasileira. As fontes sugerem que a proibição dos instrumentos de censura não a excluiu do cenário nacional como vontade de poder. Frente à mudança da redemocratização, uma onda de censura propunha-se a atualizar traços de um passado idealizado da heterossexualidade normativa, do comportamento "recatado" das mulheres com relação ao sexo, de um "erotismo à brasileira" e do reforço das fronteiras de gênero expressas pelo corpo. Tal atualização corroborou para a defesa de uma "redemocratização cautelosa" na revista Veja. O primeiro capítulo discute a imprensa e sua relação com intervenções estatais sobre a prática jornalística. O segundo trata da discussão sobre a redemocratização na cultura, tendo como foco a crítica em torno do erotismo, numa década mais liberal. O terceiro discute a produção televisiva (novelas, seriados, musicais, mini-séries), obras que foram notícia na revista Veja como produtoras de um "erotismo à brasileira". No quarto capítulo mapeiam-se as vozes dissonantes que fizeram parte do debate, reportagens sobre novelas, filmes e programas que tornaram o erotismo e a censura o centro de discussão. Mesmo diante das movimentações por direitos civis, o erotismo é tomado como uma forma nefasta, argumento negativo desses ideais de liberdade e liberalidade que se faziam urgentes no momento de pós-ditadura.
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- Doutorado
Estudo sobre a prostituição, durante o período de 1960 a 1980, em Florianópolis e São José, com ênfase na análise das construções de diferenças e legitimações de desigualdades, que podem ser percebidas através do estudo de uma vila de prostituição chamada: Vila Palmira. Palco de inúmeros encontros sexuais e construções ligadas a afirmações de masculinidade, a Vila Palmira foi criada com o intuito de esconder a prostituição que se fazia presente em Florianópolis, pois os reformadores sociais pretendiam “limpar” a cidade, promover seu desenvolvimento social e prepará-la para o turismo.
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- Mestrado
No início do século XX, ainda um período de transição do regime monárquico para o regime republicano, parte da sociedade letrada brasileira passou a valorizar a variedade regional, étnica, cultural do Brasil, tendo como objetivo apresentar um modelo mais integrador da nação de acordo com as ideias de progresso e civilização. Contudo, pensar em questões nacionais, implicava também discutir o país como nação. Um dos problemas apontados é que, em 1822, o Brasil se constituiu como Estado, antes mesmo de se construir como nação. Além da busca incessante por estudos históricos para a construção de uma nacionalidade, outro fator que estava em jogo era a "questão racial". Quais seriam os critérios adotados pela intelectualidade para caracterizar o povo brasileiro em uma coletividade? Como índios, negros e mestiços seriam integrados a este projeto nacional? Esta pesquisa procurou analisar os discursos proferidos nas revistas do IHGB, nas três primeiras décadas do século XX, evidenciando como as noções de raça, de sexualidade e de gênero se imbricam nesses discursos para a construção da nacionalidade brasileira do começo do século XX. Na confluência desses debates, ao se definir o caráter físico e moral da nacionalidade brasileira, raça e sexualidade apareceriam nos discursos reproduzidos e elaborados pela revista do Instituto como estratégias políticas simbólicas para subjugar as mulheres indígenas e mestiças. Construir um país moderno implicava controlar os corpos femininos, uma vez que possuíam a função de serem reprodutoras, seriam as responsáveis por "sujar" a nova prole brasileira.
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- Mestrado
