CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Fotobiografia da poetisa e jornalista catarinense Maura de Senna Pereira, objetivando mostrar sua vida em forma de texto e, principalmente, por meio de imagens fotográficas e jornalísticas, desde o nascimento até o falecimento. Diante do grande amor que a poetisa demonstrou por Florianópolis e Santa Catarina, tornou-se importante descrever um pouco sua terra natal e mostrá-la em imagens e fotos. Inicialmente, apresento uma reflexão teórica sobre o gênero biográfico e fotográfico. A biografia inicia no primeiro capítulo e vai até o terceiro, destacando períodos de sua vida pessoal e intelectual. Um pouco da Maura feminista é mostrada nesta fotobiografia. Na quarta parte encontram-se notícias de jornal sobre o falecimento de Maura, trabalhos e homenagens feitas a ela, posteriormente.
Este trabalho tem por objetivo inventariar o conjunto documental pertencente ao escritor catarinense Harry Laus. O acervo encontra-se depositado no Núcleo de Literatura e Memória (NULIME), do curso de Pós-Graduação em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina. O levantamento destes itens documentais arrolados nesta pesquisa, consiste num sistema organizacional arranjado em séries, conforme segue: 01) Correspondência pessoal; subséries: correspondência passiva e correspondência ativa; 02) Correspondência de terceiros; 03) Correspondência familiar; 04) Produção intelectual do titular; subséries: Originais, e Cadernos/diários; 05) Produção intelectual de terceiros; subséries: Em revistas e jornais; e Encontro de escritores; 06) Documentos pessoais; 07) Diversos; subséries: Catálogos de exposições, e Outros documentos; 08) Produção na Imprensa; subséries: artigos do Correio da Manhã; artigos do JB; revista Veja; artigos do Diário de São Paulo; artigos do jornal A Notícia; artigos do Diário Catarinense; artigos do jornal O Estado; e De Autoria de terceiros. Trata-se, portanto, da busca do material já catalogado e a anexação de outros. Dessa forma, a existência do catálogo do acervo de Harry Laus constituir-se-á em importante fonte de consulta para pesquisas literárias, elaborações de edições críticas, sobretudo os estudos universitários, sendo que o rol de documentos que compõem este catálogo constitui-se em importante subsídio para trabalhos acadêmicos. E ainda a ampla divulgação da obra do escritor. Utilizamos como reflexão teórica Mal de arquivo, expressão cunhada por Jacques Derrida (2001) em seu livro homônimo, fazendo um recorte diante desta compulsão, desse desejo de memória, na busca incessante do arquivável, selecionando e recalcando as marcas deixadas na superfície ou na espessura de uma inscrição em um suporte.
Esta pesquisa apresenta um biografema da escritora, poeta, dramaturga e pensadora Hilda Hilst (1930-2004), a partir da experiência interior que se delineou em sua escrita. São fragmentos que revelam a coesão de uma obra centrada em temas relativos aos principais questionamentos filosóficos e espirituais da humanidade, numa poesia que se revelou em cada gênero onde Hilda inaugurou diferentes linguagens, na prosa, na dramaturgia e na crônica. Sua experiência interior, aquela propalada por Georges Bataille, foi moldada nas leituras atentas, transcritas em toda forma de poesia, da sagrada à profana, a partir de muitas afinidades eletivas. Neste trabalho, uma das principais pistas para o entendimento de sua teia intertextual, foi fornecida pela própria escritora, que transferiu a leitura para a vida, quando chamou de irmãos aos escritores Franz Kafka (1883 – 1924), Ernest Becker (1924 – 1974), Samuel Beckett (1923 – 1989), Nikos Kazantzákis (1883 – 1957), Carl Gustav Jung (1875 – 1961) e Hermann Broch (1886 – 1951).
O estudo partiu da problematização do controle social requerido pela Reforma Sanitária Brasileira, cujos conselhos de saúde constituem-se em uma de suas mais importantes expressões. Tem como pano de fundo a análise histórica de Foucault e outros autores a respeito da construção de uma subjetividade medicalizada em saúde, o que, em última análise, foi decorrente de um controle social do Estado e demais instâncias sociais sobre o indivíduo. O resultado foi a crescente submissão de indivíduos e coletividades à pautas sobre as quais possuem pouca possibilidade de decisão, o que limita o exercício do controle público da saúde, como preconizado pelo Sistema Único de Saúde. Tomando-se o caso concreto do Conselho Municipal de Saúde de Itajaí/SC, procurou-se analisá-lo localmente, buscando perceber como se expressam as relações discursivas e extra-discursivas que permeiam suas práticas, considerando-o, ao mesmo tempo, como instância de participação democrática e de exercício de poder. A análise dos dados foi realizada sobre 39 atas, somando-se duas gestões (91-96), entrevistas com alguns conselheiros, que fizeram parte do conselho naquele período, e a participação da pesquisadora, que foi conselheira durante duas gestões. A discussão teve como base os escritos de Foucault, com apoio metodológico da Análise do Discurso. Os achados mostram que a presença quantitativa dos representantes usuários não corresponde à qualidade de sua participação. O segmento governamental utiliza-se da maior parte dos espaços de fala, estabelecendo relações monológicas, baseadas na dissimetria determinada pela escolaridade, profissionalização, status social dos conselheiros e nas relações entre saber/poder presentes nas relações clientes/instituições médicas. Constatamos a presença de resistências a este poder/saber, advindas principalmente do segmento dos usuários e dos profissionais de saúde. Todavia são pontuais, frágeis e desarticuladas. Os resultados levamnos a considerar, pois, que a institucionalização da participação não garante sua efetivação e as práticas que temos podem, contrariamente, voltar-se contra a democracia, tomando-se, o conselho, um braço popular que serve apenas à legitimação das políticas governamentais. A partir desta constatação, a busca de relações democráticas baseadas em um compromisso ético, que se inicia na própria relação do indivíduo consigo mesmo e se estende ao outro, pode ser, tanto, a baliza para avaliar as relações de poder que permeiam estas práticas, como a utopia que nos move a potencializar as resistências já existentes, buscando relações de poder mais móveis, flexíveis e dialógicas.
Esta tese consiste na análise dos “weblogs” – popularmente chamados “blogs” – como um fenômeno social que engendra uma forma específica de apresentação do eu. Os blogs se definem como uma modalidade de publicação pessoal “on-line” onde o sujeito encena a si mesmo e ao seu cotidiano, dispondo-se constantemente ao outro e realizando-se na potencialidade de ser visto e de interagir. O que alimenta os blogs não é, portanto, da ordem da “intimidade” ou da “vida privada”. É um cotidiano inventado, teatralizado e constantemente negociado de modo a se tornar compartilhável no interior de contextos sociais mais ou menos delimitados. No campo de aproximação entre a Antropologia Simbólica, o Interacionismo Simbólico e a Etnografia da Fala, procurei compreender, então, como os blogueiros se apresentam, quais as competências mobilizadas em suas performances e quais os contextos que emergem dessa atividade. Apesar do desejo sempre enfatizado de se conquistar audiências cada vez mais amplas, a análise mostrou que a vida social no universo dos blogs ocorre nas densidades das redes, ali onde as relações se constroem e se mantém por vínculos de reciprocidade, pela troca diária de visitas, comentários e links. É no âmbito dessas “blogosferas” locais, onde os sujeitos se constroem na relação com o outro, que os blogs se constituem como uma experiência cotidiana e processual, que se desenvolve num movimento constante entre a harmonia e a desarmonia, entre o conflito e a sociabilidade.
