Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
TIRANDO DO CRIME E DANDO OPORTUNIDADE : ESTRATÉGIAS EDUCACIONAIS DE PREVENÇÃO DAS VIOLÊNCIAS EM DUAS ONGS DE FLORIANÓPOLIS-SC

Esta tese analisa discursos e práticas de educadores de duas ONGS de Florianópolis cujas ações sociopolíticas e pedagógicas têm como objetivo "retirar as crianças das ruas” (leia-se: da “criminalidade” e da “violência”), e “dar oportunidades", um discurso social bastante comum no Brasil. Estas ações podem ser entendidas como manifestações da movimentação da sociedade civil organizada que se dirigem ao enfrentamento de problemas sociais em um contexto de aparente “crise das instituições”. Além disso, são características de uma mudança de foco no enfrentamento das violências em uma direção preventiva, através de intervenções sobre categorias e configurações de sujeitos. A discussão se baseia em uma tentativa de articular os debates acerca das violências com as teorias da civilização e da pacificação social, com as análises sobre a sociedade civil em seu papel de enfrentamento destes “problemas” e também com as teorias do reconhecimento social e da redistribuição material, agência e empoderamento, como estratégias para aportar "soluções". Busca-se neste trabalho perceber nas ações de agentes de ONGs de educação infantil e educação complementar comunitária de Florianópolis as possibilidades e limites de enfrentamento das violências entre os jovens e crianças atendidos por estas instituições. Para tanto, procurou-se articular e fazer dialogar teorias antropológicas e sociológicas com os discursos e práticas dos sujeitos pesquisados acerca dos temas relativos às violências, à educação e aos movimentos sociais. Procurou-se explorar os entendimentos do conceito de “violência” e as formas como este entendimento afeta as modalidades propostas de intervenção e prevenção, buscando perceber o que as soluções propostas podem nos dizer acerca da maneira como estes agentes veem e interpretam moralmente a si, ao mundo contemporâneo e seus problemas.

Tese
Nós e os outros humanos. os animais de estimação

A humanização dos animais, especialmente aqueles de estimação, é tema corrente em nossos dias. Ela é motivo de reportagens, debates envolvendo economistas, psicólogos, juristas, médicos, religiosos, filósofos ou antropólogos, como também o é para a expansão de mercados, para investimentos políticos ou para inspiração artística. Mas como é produzida a humanidade desses animais? Quando ou até onde eles são humanos? O objetivo dessa tese é de fazer aparecer essas negociações e limites, sustentando que o que tratamos por humanização dos animais não se nutre simplesmente da equivalência de elementos culturais - como os nomes humanos, as roupas, os cuidados, o fato de viverem nos mesmos lares ou de motivarem discussões sobre alguns direitos e moralidades. Igualmente, ela se nutre daqueles elementos que imputamos ao domínio da natureza, como alguns instintos que precisam ser modulados ou uma biologia equivalente que permite o diagnóstico de problemas orgânicos e a sua medicalização. Assim, as reflexões que aqui se apresenta, resultam de uma etnografia que inclui desde a literatura antropológica sobre o lugar ou estatuto dos animais e suas relações com os humanos, até um trabalho de campo que consistiu em seguir médicos veterinários no seu exercício profissional, a partir de uma pet shop com clínica veterinária.

Tese
Trabalho, família e amizade. Entre maricultores/as de uma associação do sul da ilha de Florianópolis: a AMPROSUL

Construída a partir de uma pesquisa de campo realizada na Associação de Maricultores e Pescadores Profissionais do Sul da Ilha (AMPROSUL), formada por pequenos/as produtores/as de ostras e/ou mariscos, esta tese debruça-se sobre o espaço de interlocução entre os discursos técnico-científicos (governo, pesquisadores, etc.), de um lado, e os dos/as maricultores/as, de outro. Para as instituições governamentais e parceiras vinculadas à maricultura, diante do objetivo de conciliar desenvolvimento econômico e inclusão social e econômica dos/as produtores/as, a alternativa é transformar o caráter familiar e artesanal das produções: organizá-los/as em associações/cooperativas, profissionalizá-los/as e padronizar suas produções, de modo que possam participar do arranjo produtivo local. Neste sentido, as políticas públicas dirigidas à maricultura estão voltadas para a organização dos/as produtores/as por meio de associações/cooperativas e a estruturação da cadeia produtiva, do arranjo produtivo local (APL). Para os/as maricultores/as, os tempos já foram melhores. Desejam ser incluídos/as no mercado, no arranjo, e reclamam do que consideram exigências e normas excessivas, mau uso dos recursos destinados à maricultura e privilégios em relação aos/às “grandes” produtores/as. Entendem que precisam se organizar para que suas demandas sejam atendidas. Acionam familiares e amigos/as para contornarem problemas relativos ao trabalho e ao exercício da atividade, como a falta de mão de obra. As falas dos/as maricultores/as indicam a existência de conflitos e de tensões neste processo de transformação do setor. Ao mesmo tempo, discursos técnico-científicos procuram explicar o porquê das dificuldades de estes/as produtores/as atenderem às novas exigências que se impõem em relação à organização em torno de associações/cooperativas e do arranjo. Diagnósticos “negativos” sugerem que essas dificuldades estão associadas, por exemplo, ao fato de não possuírem organização, cooperação/solidariedade, etc. O parâmetro de comparação, no caso, é a construção de vínculos de cooperação como estratégia competitiva. Seguindo as falas dos/as mariculores/as e a pista de que está em curso um processo crescente de “mercantilização” da maricultura, apoiado no modelo de desenvolvimento adotado pelo governo, esta tese propõe ao menos duas voltas no parafuso: 1ª) Problematizar os discursos técnico-científicos por seu viés economicista. Tal atitude apóia-se em discussões críticas que se desenrolam nas ciências humanas sobre as implicações da lógica utilitária, sustentadas por determinadas teorias, e abre espaço para tratar os problemas em termos de exclusão social, econômica e simbólica dos/as pequenos/as produtores/as e refletir sobre a existência de relações de poder assimétricas; e 2ª) Criar outra narrativa sobre os/as produtores/as sem a ênfase na “falta”, marcando a importância dos vínculos de amizade e parentesco para eles/as no exercício da atividade. Neste contexto, misturam-se trabalho, família e amizade, o que permite que essas pessoas enfrentem as dificuldades que se lhes apresentam. Essa atitude apoia-se nas mesmas discussões críticas que problematizam a lógica utilitária e exploram a existência de outra modalidade de ação marcada por uma lógica não utilitária.

Tese
Vivendo no Palace: Etnografia de um ambiente de sociabilidade virtual Multimídia

Esta dissertação é a descrição etnográfica de um ambiente de sociabilidade no Ciberespaço — aqui compreendido como um dos muitos loá de sociabilidade que fazem parte das sociedades complexas contemporâneas — que é considerado, do ponto de vista analítico, a partir de suas especificidades e singularidades. O ambiente em questão é constituído em tomo do Palace, uma plataforma gráfica onde a presença dos participantes é representada visualmente através de “avatares” que movem-se em um espaço cuja “arquitetura” e aparência podem ser alteradas. Os avatares, por sua vez, podem mudar de aparência, trocar objetos entre si, emitir sons e uma série de outras possibilidades. A etnografia foi realizada a partir da perspectiva da performance, buscando apreender a forma como os recursos multimídia da plataforma Palace são apropriados e investidos de significado através do estudo das interações em seu interior, e de que forma contribuem para a “constituição da pessoa” on-line.

Tese
Práticas policiais nas delegacias de proteção à mulher de Joinville e Florianópolis (SC)

Esta dissertação discute práticas policiais desenvolvidas nas dele-gacias de proteção à mulher de Florianópolis e Joinville, Santa Catarina, observadas respectivamente durante experiência profissional e através de trabalho de campo. Por tratar-se de tema pouco estudado, enfoca o desen-volvimento teórico sobre as instituições policiais, aprofundando a intervenção na violência contra a mulher e discorrendo sobre a complexidade do que pode ser considerado um caso de polícia, especialmente nesse âmbito. Entende que desde a origem, seguindo modelos europeus norteadores, o caso brasileiro também realiza tarefas repressivas e assistenciais, estas últimas constituindo-se numa característica marcante nas delegacias de atendimento à mulher, que se contrapõem às expectativas de vitimização, criminalização e punição mani-festas pelos movimentos feministas europeus e americanos que contribuíram para a criação de organismos de atendimento especial. No Brasil, a Delegacia de Proteção à Mulher, modo peculiar e local de tratar com questões globais, inclusive ao empregar mulheres para o desempenho das funções policiais, atua como um consultório sentimental, fórum de julgamentos e diversas tarefas assistenciais, sendo constantemente submetida à avaliações contraditórias da clientela e dos policiais. Nos casos estudados, as tarefas realizadas, aliadas às condições materiais consideradas insuficientes, impulsionam para um cotidiano típico em ouvir, registrar e conversar, distante da função primeira do fazer polícia, principalmente a investigação.

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