CEDOC
Sobre o CEDOC530 teses e dissertações
Esta tese trata da história de mulheres bancárias num período de grandes transformações no Brasil e, especialmente, no que se refere à profissionalização das mulheres e suas lutas por direitos. Tem como foco mulheres que ingressaram em dois grandes bancos brasileiros - Banco do Brasil e Bradesco - a partir do final da década de 1960, bem como mulheres que, após o ingresso no banco, foram militar no espaço sindical a partir do final da década de 1970, período demarcado como Novo Sindicalismo. O objetivo da tese é discutir a profissionalização das mulheres nos bancos e as lutas que protagonizaram por seus direitos, utilizando o gênero como categoria de análise, a partir das seguintes fontes: a Revista Desed e o BIP - jornais de circulação interna do Banco do Brasil - documentos e relatórios do Bradesco, entrevistas orais com mulheres bancárias, anúncios publicitários, o jornal sindical Folha Bancária, além de outras fontes sindicais e documentos diversos. A tese inicia com a emblemática década de 1960, atingida pelo golpe civil-militar, período em que mudanças na legislação contribuíram para o expressivo ingresso das mulheres das camadas médias no mercado de trabalho. A partir de meados da década 1970, as pressões pela abertura política e o feminismo favorecem a discussão sobre as mulheres, trazendo junto o debate sobre a falta de creches, condições de trabalho e a carreira profissional, debates que estiveram presentes entre as bancárias. No entanto, a partir da segunda metade dessa mesma década, observa-se o projeto das moças no atendimento dos bancos, como a Moça Bradesco, reforçando o padrão conservador feminino. No final da década de 1970, juntamente com o ressurgimento dos trabalhadores na cena política brasileira, as bancárias participaram ativamente das lutas sindicais, denunciando o uso da imagem feminina pelos bancos, a demissão de mulheres grávidas e as condições de trabalho, bem como estiveram à frente da construção de direitos para as mulheres na categoria bancária durante as décadas de 1980 e 1990. Desse modo, a tese apresentada insere-se no campo de estudos da história das mulheres e de gênero, feita a partir da história das bancárias.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Publicado em 1949 na França, O Segundo Sexo passou a ser uma das obras pioneiras dos estudos sobre as mulheres e das relações de gênero, sendo referência para os feminismos principalmente a partir dos anos 60 e 70. Nesta obra, ao analisar minuciosamente a “condição da mulher” na sociedade, Beauvoir compreendeu que a “figura feminina” e as posturas que lhes são atribuídas nada mais são do que construções do social produzidas ao longo da história. Partindo de uma história da leitura de O Segundo Sexo, informada pelas narrativas e pelas obras de divulgação das feministas brasileiras, este trabalho busca refletir sobre as possíveis ressonâncias que o texto de Simone de Beauvoir teria produzido no feminismo nacional.
Esta dissertação tem como objetivo narrar à trajetória de Carmen de Lara Castro (1919-1993), mulher paraguaia que durante a ditadura foi deputada nacional (1968-1978) e criou, com ajuda de outras pessoas engajadas na oposição a Stroessner, a Comisión de Defensa de Los Derechos Humanos del Paraguay (CODEHUP), fundada no ano de1967. Em função de sua luta, Carmen de Lara Castro faz parte da memória paraguaia, sendo recordada em livros, em entrevistas e periódicos. Diante disso, este trabalho pretende refletir e analisar como Carmen de Lara Castro é lembrada e narrada em entrevistas orais, problematizando sua trajetória como militante pelos Direitos Humanos - papel muito mais destacado pelas narrativas orais - e como política opositora do regime junto ao Partido Liberal. Para isso utilizo como fontes, principalmente, memórias orais e documentos do Centro de Documentación y Archivo para la Defensa de los Derechos Humanos (CDyA) - alcunhado de Archivo del Terror. Metodologicamente esta dissertação baseou-se nos estudos de gênero, nos estudos sobre memórias e nas ferramentas da história oral. Já o recorte temporal abarca os anos de 1967 a 1989, respectivamente o início da CODEHUP e da carreira parlamentar de Carmen de Lara Castro e o final da ditadura stronista.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
Esta pesquisa volta-se às análises sobre os discursos de alguns protagonistas na luta pelos direitos políticos no Uruguai e no Brasil, durante o período da segunda metade do século XIX e princípios do século XX. Para tanto, utilizou-se de várias abordagens teórico-metodológicas como os estudos de gênero, história cruzada ou conectada, análise do discurso, história da leitura, historicidade dos conceitos, a fim de visualizarmos e contextualizarmos pessoas, lugares e conceitos por meio de suas falas. Os discursos de algumas pessoas engajadas na luta pelos direitos políticos das mulheres - Bertha Lutz, Paulina Luisi, Baltazar Brum, Juvenal Lamartine - e dos parlamentares brasileiros e uruguaios foram constituídos por outros, sendo um dos principais objetivos analisá-los. Nesse sentido, nos perguntamos: quais teóricos foram citados pelos parlamentares e de que maneira suas ideias e conceitos foram apropriados. Por esse motivo, trabalharemos com dois grupos de autores mencionados: os positivistas e os ilustrados, e perceberemos que, muitas vezes, esses filósofos foram apropriados segundo o campo de luta. Através das referências a esses autores, analisaremos alguns conceitos abordados pelos parlamentares, como a ideia de "moral", de "mulher mãe", de cidadania, defendidos e questionados por eles em suas falas.<br>
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Meu objeto de estudo são os feminismos do que foi classificado como Segunda Onda Feminista, mais especificamente os do Cone Sul. E foi através desses feminismos que a questão do trabalho doméstico como um problema me chamou a atenção. A relação entre mulheres e trabalho doméstico, ainda que afirmada pelos feminismos e pelos estudos de gênero como culturalmente construída, tem seu principal aporte na idéia de aturalização dessas funções. A família e em especial a maternidade se mostram como as principais legitimadoras de tal relação, que traz em si o peso de séculos de reafirmação de que #ser mulher# é ter cuidado, reclusão, dedicação, paciência; é se voltar à esfera privada, é ser esposa e ser mãe. Nesta pesquisa me propus a escrever uma história da discussão em torno do trabalho e do emprego domésticos nos feminismos de Segunda Onda do Cone Sul, utilizando como fonte as produções impressas desses feminismos, sobretudo periódicos. São jornais feministas produzidos # ou que circularam # na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. É importante destacar que o meu recorte temporal é dado pelas fontes utilizadas e que, através delas, busco estabelecer uma discussão a respeito da problematização do trabalho doméstico nos feminismos de Segunda Onda no Cone Sul, partindo de uma perspectiva historiográfica, inserida nos estudos feministas e de gênero, com o apoio de bibliografia tanto contemporânea aos documentos utilizados quanto atual. A dissertação se divide em duas partes, a primeira referente às problematizações a respeito do trabalho doméstico feminino, aquele da dona de casa, e a segunda referente às problematizações do emprego doméstico feminino, referente à empregada doméstica. Na pesquisa pude observar que grande parte das problematizações a respeito da questão, nos periódicos consultados, são comuns nos diferentes países e, de forma geral, envolvem questões complexas como as esferas pública e privada, questões de gênero e intragênero, de raça e/ou etnia e de manutenção de valores tradicionais.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Mestrado
