Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Compartilhando regras de fala: interação e sociabilidade na lista eletrônica de discussão Cibercultura

Esta dissertação consiste na descrição e análise da dinâmica de interação em um espaço de sociabilidade construído no “ciberespaço”. Esse espaço se define pelas interações continuadas entre os participantes da lista de discussão Cibercultura-L, criada com o objetivo de constituir um canal de comunicação entre os diversos atores da “cibercultura” para a discussão dos fenômenos sociais e culturais engendrados no “ciberespaço”. Sob a perspectiva da Etnografia da Fala, as discussões desenroladas na Cibercultura-L foram analisadas como eventos comunicativos governados por regras de uso e interpretação de um sistema de linguagem próprio - construído, em parte, para contornar as limitações da modalidade - cujo aprendizado define a competência comunicativa que unifica os participantes da lista em uma comunidade de fala. A negociação em tomo dessas regras acontece no cotidiano de interação na lista e se toma mais intensa quando o sentido de comunidade compartilhado no grupo é ameaçado pela desconsideração de algum dos aspectos que lhe caracterizam dentre os outros grupos sociais formados no “ciberespaço”. A Cibercultura-L se configura como um espaço simbólico de sociabilidade, construído na comunicação mediada por computador, que coexiste com outros espaços, igualmente simbólicos, que, juntos, fazem do “ciberespaço” mais uma dimensão da vida social contemporânea caracterizada pela interação entre grupos e segmentos sociais diferenciados.

Tese
Análise do tempo dos processos penais de homicídio no Fórum de Justiça de Florianópolis julgados em 2004

Esta dissertação foi movida pela vontade de conhecermos como se “faz Justiça” para o crime de homicídio doloso. Realizamos uma pesquisa na 1ª Vara Criminal do Fórum de Justiça de Florianópolis, Santa Catarina, cujos principais objetivos foram identificar e caracterizar os Processos Penais de homicídio doloso, julgados em primeiro grau no ano de 2004, suas fases processuais, o tempo total e os tempos parciais. Ao destacarmos os operadores de Justiça envolvidos e suas categorias, pudemos observar suas ações durante o fluxo processual, e de que maneira ocorreram a sentença e o acesso à Justiça. Os principais resultados indicaram que no ano de 2004, proporcionalmente à população de Florianópolis, que é predominantemente branca, os negros foram mais processados e mais condenados do que os brancos. Os réus foram processados num tempo médio de 784 dias. Os homicídios dolosos aconteceram mais na parte insular do que na parte continental de Florianópolis. Considerando os perfis, réus e vítimas eram predominantemente brancos, pobres, de instrução educacional de primeiro grau incompleto, informaram profissões ligadas à construção civil e tinham idade entre 16 e 24 anos. Os réus “conheciam” suas vítimas, as quais tinham situação financeira igual às suas, e os crimes aconteceram no bairro em que moravam ou adjacentes. O consumo de drogas e o tráfico de drogas foram identificados na maioria dos Processos Penais. Recursos ao Tribunal de Justiça foram as ações que mais prolongaram o tempo dos Processos Penais. Testemunhas não quiseram depor, alegando medo e temendo pela própria vida.

Tese
Contando as violências: Estudo de narrativas e discursos sobre eventos violentos em Florianópolis (SC)

Esta dissertação é uma análise de narrativas de experiência pessoal de eventos considerados violentos. Trata-se de uma interpretação da forma pela qual habitantes de Florianópolis (SC) que se consideram como vítimas de alguma das modalidades das violências expressam suas experiências. Busca-se analisar o significado de eventos violentos e como as pessoas vivenciam, pensam, interpretam, concedem sentido e o expressam em suas narrativas, em que se pode encontrar a expressão da identidade do sujeito narrador, assim como a formulação de contra-identidades dos sujeitos que se considera serem responsáveis pelas violências sofridas. Procura-se também entender como tais eventos e o medo associado a eles alteram o cotidiano e a sociabilidade dos indivíduos, e como os habitantes da cidade concedem significado às suas experiências das violências.

Tese
Tempo de ligar: Lontras e a construção de laços no Orkut

Esta etnografia resultou de uma pesquisa em um ambiente constituído no entrelaçamento de espaços no orkut, chamados de comunidade, o msn e a cidade de Lontras, no interior do Estado de Santa Catarina, compreendido com um ponto local, dentro de uma rede mais ampla, ou global, com suas muitas possibilidades de ligação e interação das mais diversas formas e qualidades. Neste sentido, no contexto de uma Antropologia do Ciberespaço em construção, este trabalho teve como objetivo mostrar aparente a potencialidade de se poder experimentar nas redes sócio-técnicas, um movimento de ligação e religação de amizades e antigas relações e, especialmente, um movimento de ligação e religação ao local, à terra, especialmente possibilitados pela emergente construção do ciberespaço no cotidiano das pessoas. Essas redes, seriam construídas no intrincado jogo da proxemia - do alguém que conhece alguém, que conhece alguém, onde cada sujeito é compreendido como um espaço de interação que se liga ao outro, formando redes. Ao longo do trabalho ainda são feitas reflexões sobre o potencial interativo das redes sócio-ténicas, noções de sujeito, subjetividade, identidade e corporalidade no ciberespaço, bem como uma reflexão sobre a aparente fragilidade dos laços construídos no ciberespaço.

Tese
A vila tem valor: hierarquia e igualdade entre jovens de grupos populares participantes de políticas públicas na cidade de Londrina (PR)

Neste trabalho analiso a maneira como jovens de grupos populares urbanos inseridos em políticas públicas na cidade de Londrina (Paraná), se constituem enquanto sujeitos a partir de reapropriações de valores hierárquicos e igualitários. Nesse contexto etnográfico, estão presentes valores ligados ao ideal do individualismo moderno (autocontrole, disciplina, racionalização da corporalidade para o trabalho, vivência intensa do presente, entre outros) e valores mais relacionais (a importância atribuída a laços de solidariedade ligados à rede de amizades e de vizinhança, por exemplo). Tais questões são problematizadas a partir, principalmente, da relação que os sujeitos estabelecem com o Estado (associado aqui às políticas públicas e à polícia), e entre si, nas quais destaco as categorias classe e gênero. Concluo que os sujeitos se reapropriam de valores do individualismo moderno de acordo com matrizes simbólicas próprias aos grupos populares urbanos e com situações e contextos específicos de suas vivências práticas.

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