CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
A Literatura Gótica é responsável por dar vida à criaturas que têm assombrado o sonho das pessoas e alimentado a imaginação de muitos por mais de um século. Entretanto, nenhuma dessas criaturas tivera a chance de estar no centro das atenções como o vampiro contemporâneo. Na primeira década do século XXI, Edward Cullen, o vampiro adolescente criado pela americana Stephenie Meyer em Crepúsculo (2005), capturou o coração de uma legião de jovens leitores ao redor do planeta. O personagem de Crepúsculo é responsável por fazer com que vampiros e, consequentemente a ficção gótica, receber atenção renovada por parte do público leitor, permitindo a proliferação de livros com temáticas vampirescas, especialmente aqueles que são direcionados aos jovens adultos. Edward também exemplifica uma nova personificação de vampiro que guarda pouca semelhança com Drácula, do romance homônimo de Bram Stoker, publicado em 1897. A análise das mudanças físicas e de personalidade que colocam Drácula e Edward em lados opostos da mesma moeda constitui o foco principal da presente investigação, que também se compromete a explorar as mudanças já sinalizadas em Louis e Lestat, do best-seller Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice, em 1976. Além disso, esta pesquisa defende que Edward é um herói apesar de sua natureza vil. Nesta mudança de paradigma está, possivelmente, a explicação para a popularidade de Edward Cullen e o personagem vampiresco contemporâneo. Parece que os vampiros vieram para ficar. E não apenas sob a luz do luar.
Este estudo objetiva analisar a construção das personagens femininas em três adaptações fílmicas do conto The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1886) escrito por Robert Louis Stevenson. O primeiro filme analisado é o de John Stuart Robertson de 1920 seguido pela versão de 1931 de Rouben Mamoulian e finalmente a refilmagem de 1941 de Victor Fleming. A análise é baseada nos Estudos de Gênero e Estudos de Cinema. Sugere-se que os elementos fílmicos Mise-en-scene, Cinematografia e Edição são ferramentas essenciais para a construção de personagens, neste caso, as personagens femininas. Os Estudos de Gênero focam no relacionamento entre os personagens masculinos e femininos, especialmente na questão do silenciamento e invisibilidade das mulheres. No caso do presente estudo, o retrato da era Vitoriana é igualmente importante para a construção das personagens femininas. Assim, sugere-se que os elementos fílmicos ajudam a construir essas personagens como contraste em relação ao protagonista e antagonista. Nos três filmes as mulheres são claramente classificadas como sendo boas ou más seguindo a ideia Maniqueísta. Entretanto, nota-se que os protagonistas e antagonistas homens têm a capacidade de se dividir em dois (duas personalidades) e portanto podem ser considerados personagens mais complexos do que as mulheres que são vistas como unilaterais.
Embora Girl, Interrupted (1993), de Susanna Kaysen, tenha sido publicado trinta anos depois de The Bell Jar (1963), de Sylvia Plath, ambos os romances retratam a sociedade dos Estados Unidos pós-guerra, uma época de grandes mudanças no que diz respeito aos papéis profissional e intelectual desempenhados pelas mulheres. Deparando-se com o dilema entre a vida doméstica e uma carreira, as protagonistas desses dois romances sofreram profundas crises, as quais resultaram em um desequilíbrio emocional e uma busca por autoconhecimento e autorrealização. Baseando-se na crítica feminista (Phyllis Chesler, Betty Friedan, Barbara Hill Rigney, Sandra Gilbert, Susan Gubar, Gayle Greene, Linda Huf entre outros) e em princípios gerais da teoria psicoanalítica (especialmente R.D. Laing e Jung), esta pesquisa examina as forças conflitantes que levaram as protagonistas a ser consideradas psicologicamente instáveis, argumentando que a chamada loucura é um resultado de uma divisão entre anseios pessoais e pressões externas em uma época que as relações de gênero estavam sendo questionadas e transformadas.
Personagens mitológicas são referências recorrentes na escrita de Margaret Atwood e aparecem, frequentemente, de maneira revisitada, questionando o cânone, a própria mitologia clássica e atuando como metáforas complexas da sociedade atual. Este estudo analisa a recorrência de três dessas figuras mitológicas sob o prisma da crítica literária feminista numa seleção de poemas de Margaret Atwood intitulado Morning in the Burned House (1995). A análise busca verificar se e como elas podem ser entendidas como uma paródia autoreflexiva sobre a condição paradoxical da mulher na sociedade ocidental contemporânea.
A literatura contemporânea escrita por mulheres demonstra como o contexto histórico e sociocultural em que as personagens femininas são construídas afeta a percepção das personagens quanto a seu corpo e seu self. Romances como os de Margaret Atwood exploram a corporalidade, ou, em outras palavras, a experiência material, social, cultural do corpo feminino, que inclui o corpo físico, emocional e o das funções mentais em suas interligações com o mundo. A tese investiga conceitos relacionados à questão do gênero: o desconforto do corpo feminino enraizado nas relações sociais e a experiência material do corpo nos romances escritos por Margaret Atwood, O Olho do Gato (1989) e Dano Corporal (1981). A pesquisa centra-se na articulação literária e nos temas principais acerca dos problemas de ser mulher, na análise da relação entre o corpo biológico e o conceito cultural do corpo, na crítica das representações sociais de mulheres e na possibilidade de transformação individual e social. A análise é tecida por meio da literatura, juntamente com um diálogo entre os textos pesquisados e trechos da escrita criativa escritos pela pesquisadora, refletindo a visão pós-estruturalista que inclui o observador dentro dos fenômenos observados, funcionando como uma ponte entre o analítico e o criativo, o acadêmico e o orgânico, bem como entre outras dicotomias históricas.
