CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Quem é, onde e como está a mulher negra na literatura e sociedade brasileira? A partir desses questionamentos surgiu esta pesquisa que para obter respostas a essas perguntas fez antes uma leitura do trajeto trilhado pelas conquistas femininas no século XX, principalmente dentro da academia, até esse momento atual, ressaltando, entre outros aspectos, a necessidade da junção de gênero a discussões sobre raça, classe . Pesquisa cuja maior proposta é identificar a representação de gênero e raça nas obras Úrsula e do conto “A escrava” (2004), de Maria Firmina dos Reis (século XIX)); Quarto de despejo: memórias de uma favelada (1960), de Carolina Maria de Jesus; Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da memória (2006), de Conceiçao Evaristo; e As mulheres de Tijucopapo (1982), O lago encantado de Grongonzo (1992) e Obsceno Abandono: amor e perda (2002), de Marilene Felinto. Busco com isso uma melhor compreensão da condição social e literária da mulher negra na sociedade brasileira do século XIX até o XXI. Além do objetivo maior desta pesquisa, ela também tem o intuito de refletir sobre a condição social e literária da mulher negra na literatura e sociedade, a partir da presença das mesmas como sujeito e objeto de suas escrituras.
O objeto de estudo desta pesquisa são os filmes As filhas do vento (2005) de Joel Zito Araújo e O Céu de Suely (2006) de Karim Aïnouz. O ponto forte desta investigação está em ver/ler nas entrelinhas do texto visual, como se dá a representação do sujeito feminino em condição de exclusão social e como ocorrem as estratégias de (micro)poder relacionadas a esses sujeitos. Tendo o gênero como categoria de análise, teorias feministas estão no embasamento teórico da pesquisa. A partir das concepções sobre o sujeito feminino, isto é, o sujeito do feminismo e a conceituação de Tecnologia de Gênero de Teresa de Lauretis, analisam-se a representação de mulheres, assim como de lugares, de estratégias e formas de poder nas suas relações, na ideologia do gênero, nesses filmes brasileiros. Concentra-se a análise nas ações e nos discursos das protagonistas, mas também, no discurso sobre elas e as suas relações intersubjetivas. Para se delimitar o tema, a fim de estudálo de maneira mais profunda, optou-se por identificar a exclusão social, através do conceito de interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw – também conhecida como “discriminação composta” e verificar como acontecem as discriminações cruzadas de gênero, de raça, profissional e cultural na diegese fílmica e no discurso de algumas personagens. A análise sobre exclusão social que, neste texto, está diretamente ligada às questões de discriminação e de poder, parte de conceitos de subalternidade, de Gayatari Spivak, e diáspora, de Stuart Hall, para terminar as considerações sobre as formas que as protagonistas enfrentam a subalternidade. Finalmente, o estudo apresenta entrevistas, feitas aos diretores dos filmes e às atrizes, cujos papéis eram centrais nas narrativas. As entrevistas ilustram ao mesmo tempo em que complementam as análises fílmicas.
Este trabalho desenvolve uma abordagem das narrativas Terra sonâmbula (Mia Couto, 1992) e Ventos do apocalipse (Paulina Chiziane, 1999), à luz da teoria ecofeminista. A partir dos dois textos citados, que têm em comum a guerra civil em Moçambique (1976-1992), analisamos os romances à luz da teoria acima citada, ressaltando interações interpessoais e dessas com o meio ambiente, levando em conta os níveis de destruição a que o país se viu mergulhado, desde a luta por sua independência política. Neste sentido, observando que relações de gênero e meio ambiente se entrecruzam, temos, representado nas duas ficções, o colonialismo português, gerando ambientes destruídos e destruidores para o ser humano, uma vez que o imperialismo das metrópoles se apropriou de bens necessários (tais como os recursos naturais da então colônia) para o seu próprio abastecimento. Além disso, também gerou, após o fim do sistema opressor, lutas armadas e propagação de violência entre grupos étnicoraciais. Em vista do exposto, o ecofeminismo tem se afirmado pela discussão que amplia os estudos feministas, ao realizar, nas obras supracitadas, questionamentos sobre impactos ambientais. Para tanto, emprega estudos interdisciplinares, que vão desde a compreensão da natureza do espaço, bem como análise da geografia cultural de cada lugar em foco. Ao incorporar uma gama de saberes amplos e diversificados, presentes nos romances citados, o ecofeminismo também aponta para o fim da existência de verdades absolutas como a dicotomia hierárquica entre humanos e não humanos e, ainda, integra o humano à natureza, como um de seus elementos constitutivos.
Esta tese apresenta um estudo sobre a temática do erotismo e suas relações com o místico, o sagrado e o religioso na poesia de Florbela Espanca, poetisa portuguesa que viveu durante as primeiras décadas do século XX. O tema do erotismo apresenta-se com insistente recorrência na obra dessa poetisa e como tal, tem sido objetivo de críticos estudiosos. Embora reconheça que a presença constante do erotismo nos poemas de Florbela tem sido detectada pela crítica, uma questão ainda permanece sem resposta: como a poetisa relaciona o erótico e a sacralidade em sua poesia. O ponto de partida para esta investigação foi determinar os posicionamentos teóricos que ora refletem uma dicotomia numa irremediável divisão do mundo entre sagrado e profano, ora assumem posturas que buscam formas de equalizar os dois termos para garantir uma aproximação entre esses dois mundos. O profano é resultado da dessacralização humana, dirá Mircea Eliade. Se aprendermos a usar Eros, sexo e sensualidade como um caminho para o sagrado, descobriremos que eles trazem muitas dádivas para a vida, preconiza David Elkins. Com o apoio desses teóricos e de outros, cujos posicionamentos teóricos ora aproximam, ora abismam o erotismo e a sacralidade, esta pesquisa verificou que a poesia de Florbela Espanca por vezes apresenta uma tendência dicotômica e em outras busca formas de equalização entre esses dois mundos.
Neste trabalho analisamos alguns romances publicados pela escritora portuguesa Maria Velho da Costa entre os anos de 1960 e 2000. Esse longo período histórico compreende, em Portugal, grandes mudanças políticas: a morte do ditador Salazar e a assunção do poder por parte de Marcello Caetano, o final da ditadura, com a Revolução de 25 de abril de 1974, e o início de um processo de democratização do país, bem como da visibilidade de um discurso feminista mais concreto e da consolidação do movimento feminista português. Os textos de Maria Velho da Costa selecionados para esta análise obedecem à seguinte seqüência: Novas Cartas Portuguesas (escrito em co-autoria com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta); Maina Mendes; Novas Cartas Portuguesas, e, finalmente, Irene ou o Contrato Social.. Através da articulação dos diálogos que esses romances mantêm com a história portuguesa, buscou-se compreender como Maria Velho da Costa procurou discutir certos comportamentos sociais já internalizados, que vinham, há séculos, sugerindo um espaço secundário para a mulher em diversos âmbitos sociais. Assim, o universo textual de Maria Velho da Costa caracteriza-se, dentro do período e dos romances analisados, como um espaço privilegiado de representação, interpretação e articulação da experiência social feminina.
