Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
O gosto do nunca e do sempre: um estudo sobre o tempo e o espaço na poesia de Mario Quintana

As manifestações do tempo e do espaço na poesia de Mario Quintana, são o eixo dessa dissertação, tal como o pensamento e o olhar do poeta sobre a realidade do século XX. A noção do tempo na poesia é analisada sob a perspectiva de personagens recorrentes na obra do poeta, como a criança Lili e os fantasmas. A personagem Lili representa, na perspectiva do poeta, a infância imaginada e sonhada, já os fantasmas encenam sua relação com o tema da morte. Outro aspecto dessa dissertação explora a questão do espaço. Esse é configurado nos poemas, e se refere à memória de lugares. Conforme o poeta, os lugares fazem parte da construção interior de todos. As cidadezinhas inventadas (ou que não existem mais) figuram a melancolia. Por outro lado, o poeta se mistura ao espaço da cidade e ao bulício cotidiano. Assim, a poesia de Mario Quintana integra a mudança espacial e temporal a existencial. Cabe destacar a afirmação do poeta, que o cotidiano é o incógnito do mistério. Desta forma essa dissertação analisa como o tempo e o espaço se desdobram na temática do cotidiano.

Tese
E por falar em mulheres: relatos, intimidades e ficções na escrita de Marina Colasanti

Este trabalho analisa textos publicados pela escritora Marina Colasanti durante a década de 80, no Brasil. Este período histórico compreende o final do regime militar e o início de um processo de redemocratização do país, bem como da visibilidade de um discurso feminista mais concreto e da consolidação do movimento feminista brasileiro. Os textos de Colasanti selecionados para esta análise obedecem à seguinte seqüência: artigos compilados nos livros A nova mulher e Mulher daqui pra frente; o livro Intimidade Pública, que consiste nas respostas de Colasanti às cartas de leitoras que escreveram para a revista Nova e, finalmente, uma pequena seleção de contos destinados ao público infantil, juvenil e adulto. Através da articulação dos diálogos que estes textos mantêm entre si, buscou-se compreender como Colasanti procurou discutir certos comportamentos sociais já internalizados, que vinham, há séculos, sugerindo um espaço secundário para a mulher em diversos âmbitos sociais. Assim, a pluralidade textual de Colasanti caracteriza-se, dentro do período analisado, como um espaço privilegiado de representação, interpretação e articulação da experiência social feminina.

Tese
Leituras de Capitu: novas narrativas, outros olhares

Os olhos de ressaca da personagem Capitu além de atrair, arrastar, seduzir e fascinar Bentinho, o narrador-personagem de Dom Casmurro, também atraem, arrastam, seduzem e convidam outros autores a escreverem diferentes textos a seu respeito, tornando-a assim, uma personagem múltipla. Textos como o de Lygia Fagundes Telles e Paulo Emilio Salles Gomes, Capitu, José Endoença Martins, Enquanto Isso em Dom Casmurro, o de Fernando Sabino, Amor de Capitu, o de Domício Proença Filho, Capitu – memórias Póstumas, o de Maria Velho da Costa, Madame, o texto de Dalton Trevisan, “Capitu sou eu” e o de Moacyr Goes Filho, Dom constroem personagens chamadas, ou apelidadas de Capitu, em diferentes épocas, inspiradas no romance de Machado de Assis. Os romances Capitu, Amor de Capitu e Capitu – memórias póstumas são leituras de Capitu que mais se aproximam da personagem de origem. Porém, nas obras Enquanto Isso em Dom Casmurro, Madame, “Capitu sou eu” e Dom, Capitu é inserida em outros contextos e apresenta identidades bem diferentes. É nesses textos que se centra a análise deste trabalho, que investiga as diversas representações ou releituras da personagem Capitu em diferentes gêneros textuais: romance, teatro, conto e cinema. As críticas literárias e as leituras de Capitu enaltecem, ainda que por vezes de forma ambígua e paródica, a personagem de Dom Casmurro. Essas referências à personagem atravessam os séculos, colocando-a sempre em evidência, seja na incessante leitura que dela faz a crítica literária, seja na forma como a ficção a recria em diferentes gêneros. Esse é o grande mistério da famosa Capitu: o de atrair escritores, críticos e pesquisadores, contribuindo decisivamente para a canonização do seu criador, Machado de Assis.

Tese
Pós-colonialismo nas telas do cinema: nas fronteiras com Amélia

O presente trabalho de pesquisa teve como objetivo analisar o filme Amélia, roteirizado e dirigido pela cineasta brasileira Ana Carolina. Foi utilizada uma abordagem com base nos estudos pós-coloniais, o que foi fundamental para uma releitura da história do encontro entre culturas diferentes marcadas por relações assimétricas de poder. Neste filme, as personagens precisam utilizar a negociação no espaço da tradução cultural, locus desse encontro tenso, permeado por contatos entre línguas diferentes. A ligação entre as personagens, intermediada pela personagem Amélia, entrelaça, no deslocamento de francesas e brasileiras, o encontro entre essas culturas, possibilitando que relações de poder e subalternidade se alternem em meio aos tensos embates. Assim, conceitos inerentes aos estudos pós-coloniais, como transculturação, tradução, subalternidade, fronteiras, dentre outros, puderam ser examinados na performance das personagens europeias, como também na das brasileiras.

Tese
De Orpheu ao Hades: itinerário bio/gráfico em Mário de Sá-Carneiro

Pensar a literatura de Mário de Sá-Carneiro é enveredar por um contexto densamente elaborado. Há os arroubos dos modernistas portugueses - tão bem conectados - que ele e Fernando Pessoa exploraram com maestria, seja em seus projetos pessoais, seja na Revista Orpheu, projeto que desenvolveram em comum. Além disso, há o desenvolvimento de um eu-lírico melancólico, à beira de um abismo de sofrimentos. Enquanto Pessoa estava em Lisboa e Sá-Carneiro, em Paris, os dois poetas mantiveram intensa correspondência. Dessas cartas, são conhecidas as enviadas por Sá-Carneiro, as quais extrapolam os limites do pessoal e apresentam fruição poética, uma espécie de arcabouço literário, a que se articula Dispersão - conjunto de poemas publicados em 1915. A melancolia é encontrada também nas linhas consideradas como palavras do próprio Sá-Carneiro em diálogo com o amigo. É aí que a sobreposição literário/extraliterário sem evidencia; é aí que ambas as instâncias dialogam. Se as cartas têm notadamente cunho pessoal e os poemas estão no campo do ficcional, as armadilhas da escrita ali tomam corpo, levando o leitor a aproximar ficcional e biográfico, tomando-os por uma escrita confessional, corroborada pelo suicídio do poeta, dado que acaba sendo considerado o elo necessário para dar respaldo para tal leitura.

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