Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Masculinidades compósitas nas capitanias do Norte da América portuguesa ( séculos XVI e XVII)

O presente trabalho teve como principal objetivo investigar a invenção, a composição e o exercício das diferentes formas de masculinidades fomentadas durante a conquista das capitanias do Norte da América portuguesa, em finais do século XVI e início do XVII. A partir dos registros das experiências de alguns dos conquistadores pudemos desvelar relações de gênero plurais pelas capitanias de Pernambuco, Rio Grande, Piauí e Paraíba, com especial atenção para o Siará, as quais, em uma dinâmica singular, reforçaram e também questionaram o modelo ideal apregoado pelo Monarca e seus ministros. Nesse sentido, trabalhamos com diferentes formas de subjetividades, sensibilidades, apropriações, invenções e outros aspectos criativos dos sujeitos expressos em seus modos de pensar e agir. Para tanto, nos utilizamos de ampla e variada documentação, tais como registros oficiais (cartas e decretos régios, autos, regimentos, devassas, certidões, chancelarias, requerimentos, mandados, despachos, petições), livros de crônicas de viajantes e de combatentes, registros inquisitoriais, corpus de leis, periódicos, dicionários da época, entre outros.

Tese
Trajetórias e leituras feministas no Brasil e na Argentina (1960-1980)

Estudo das leituras e dos livros feministas com ênfase em uma determinada geração de leitoras identificadas com os feminismos em discussão durante as ditaduras militares e os períodos de redemocratizações entre as décadas de 1960 e 1980 no Brasil e na Argentina. A partir da análise de uma série de depoimentos (memórias) e produções textuais sobre os feminismos – livros, artigos, reportagens e resenhas publicadas em jornais e revistas – o presente trabalho procura compreender as ressonâncias das leituras nas constituições dos feminismos e nas identificações pessoais das leitoras com os movimentos feministas em ambos os países, assim como (re)constituir um repertório de leituras consideradas feministas que brasileiras e argentinas elaboram e reiteram como “clássicas” do movimento. Ou seja, esta tese tem por objetivo refletir sobre a produção de um cânone de leituras feministas historicamente elaborado por uma “comunidade de leitoras feministas” onde ganham destaque O segundo sexo, de Simone de Beauvoir, e Mística Feminina, de Betty Friedan, entre os textos mais citados tanto nas falas quanto nas produções escritas. Uma que vez que a maioria das feministas entrevistadas e autoras dos textos produzidos entre os anos 1960 e 1980 estavam ligadas às instituições de ensino e/ou organizadas em movimentos feministas, considerou-se a ação institucionalizadora das leituras na esfera acadêmica, legitimando produções textuais e ajudando a formar grupos de pesquisa. Concluiu-se que a menção a um texto e/ou autora não é aleatória, mas está inscrita em um processo complexo que remonta aos paradigmas compartilhados por uma comunidade específica de leitoras.

Tese
Cortina de ferro: quando o estereótipo é a lei e a transgressão feminina (processos crime de mulheres em Itajaí, 1960-1999)

Mulheres que cometeram infrações em Itajaí, entre 1960 a 1999, ao ultrapassar o limite jurídico proposto no Código Penal Brasileiro, foram processadas; muitas absolvidas, poucas condenadas. Essas mulheres são as personagens principais desta história não porque foram infratoras, mas porque suas ações, ao praticarem a infração, ou ao serem processadas, ou ao serem julgadas absolvidas, ou mesmo ao cumprirem a pena de reclusão, abrem possibilidades para análises sobre a transgressão. Esta história faz uma reflexão sobre o discurso penal e dialoga com as fontes principalmente encontradas nos Autos de Processos Crime desse período, sinalizando os estereótipos nos discursos que constroem sujeitos femininos, fixando uma identidade para as mulheres fora da criminalidade, e, paradoxalmente, possibilitam um entre lugar para o feminino no espaço criminal. E exatamente neste entre lugar, neste espaço não dito, que as transgressões se concretizam. Esta é uma história que não apresenta um tempo de mudanças, um tempo transformado por grandes resistências, é uma história de instantes de transgressões, instantes de movimentos, instantes de múltiplas flexibilixações.

Tese
"… denunciando os males do comunismo": o anticomunismo na revista Seleções do Reader's Digest (1950-1960)

Este trabalho tem por objetivo analisar o anticomunismo na revista Seleções do Reader´s Digest, nas décadas de 1950 e 1960, quando emergiu uma nova onda de temor comunista, em decorrência da socialização da Revolução Cubana. A partir desse acontecimento, esta revista passou a empreender uma campanha de denúncia, advertindo sobre o “perigo vermelho” que ameaçava a América Latina, agindo em consonância com um discurso anticomunista dominante e liderado pelos Estados Unidos. Nos embates que envolveram a disputa pela hegemonia mundial, no período da Guerra Fria, a revista foi utilizada como valiosa aliada na divulgação da ideologia do american way of life.

Tese
Vila Palmira: prostituição e memória na grande Florianópolis (1960-1980)

Estudo sobre a prostituição, durante o período de 1960 a 1980, em Florianópolis e São José, com ênfase na análise das construções de diferenças e legitimações de desigualdades, que podem ser percebidas através do estudo de uma vila de prostituição chamada: Vila Palmira. Palco de inúmeros encontros sexuais e construções ligadas a afirmações de masculinidade, a Vila Palmira foi criada com o intuito de esconder a prostituição que se fazia presente em Florianópolis, pois os reformadores sociais pretendiam “limpar” a cidade, promover seu desenvolvimento social e prepará-la para o turismo.

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