CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Este trabalho tem por escopo perceber a partir de que momento mulheres que se entendiam como sujeitos feministas passaram a se constituir como grupos em Santa Catarina. Através da análise de fontes de circulação local e das entrevistas com mulheres que vivenciaram a experiência do feminismo em Santa Catarina, tornou-se possível historicizar a construção de um movimento feminista organizado na década de 1980, bem como a publicização dos discursos sobre o feminismo e as discussões trazidas e encampadas por este movimento. Observando ainda como as mulheres se construíram como sujeitos históricos, participando de uma trajetória de lutas, buscando autonomia e liberdade.
Publicado em 1949 na França, O Segundo Sexo passou a ser uma das obras pioneiras dos estudos sobre as mulheres e das relações de gênero, sendo referência para os feminismos principalmente a partir dos anos 60 e 70. Nesta obra, ao analisar minuciosamente a “condição da mulher” na sociedade, Beauvoir compreendeu que a “figura feminina” e as posturas que lhes são atribuídas nada mais são do que construções do social produzidas ao longo da história. Partindo de uma história da leitura de O Segundo Sexo, informada pelas narrativas e pelas obras de divulgação das feministas brasileiras, este trabalho busca refletir sobre as possíveis ressonâncias que o texto de Simone de Beauvoir teria produzido no feminismo nacional.
A proposta deste trabalho é efetuar uma análise cultural da cidade e do urbano, em Chapecó, a partir do início dos anos de 1930 até o final do Estado Novo (1945). Essa delimitação temporal decorre do fato de que é nesse momento que emerge, com mais intensidade, toda uma preocupação local para a construção de uma cidade moderna na até então denominada vila Passo dos Índios (atual cidade de Chapecó). O “desejo político” dos responsáveis pela colonização do Oeste era de ver a “ordem e o progresso” regional consolidados. Isso porque, nas representações construídas em torno do Oeste, o mesmo era visto como um “sertão”, pois a “civilização” estaria distante, no litoral. Desta forma, seria necessário “trazer”, “construir a civilização” na região, sendo que a “civilização” somente seria possível se uma cidade moderna fosse construída. É nesse sentido que a “elite de Chapecó” procurou criar “mecanismos” (principalmente com a abertura de um meio de comunicação, jornal A Voz de Chapecó) para a concretização desse empreendimento local. A partir de 1937, com o advento do Estado Novo, esse desejo de cidade e de modernidade poderia se tornar realidade, até porque o discurso “nacionalizador” e “modernizador” de Vargas encontrou forte ressonância em Chapecó. É nesse contexto social e político que o colonizador percebe ser aquele o momento de resolver o problema histórico da região, ou seja, o “problema do abandono político” da mesma. Para a elite local, o Estado deveria “se fazer presente” em Chapecó, para que a cidade e a modernidade se tornassem possíveis. Para a realização desta pesquisa, utilizaram-se fontes de natureza diversa: fontes jornalísticas, fontes iconográficas, entrevistas orais, documentos oficiais, livros de época, etc.
Esta pesquisa tem como objetivo perceber qual a contribuição da obra do diretor espanhol Pedro Almodóvar ao debate sobre as atuais configurações das sexualidades contemporâneas. A partir da performatividade de gênero dos personagens dos filmes Tudo Sobre Minha Mãe (1999), Fale com Ela (2002) e Má Educação (2004), vali-me dos pressupostos da teoria queer para questionar a normatividade assumida pela heterossexualidade compulsória na sociedade ocidental moderna, utilizando o cinema como uma tecnologia do gênero que constitui e (re)significa discursos e saberes sobre as sexualidades. Observo que as obras analisadas representam uma mudança substancial no âmbito das relações humanas, funcionando como pedagogias culturais que provocam, informam e fascinam os sujeitos sobre as possibilidades transgressoras das identificações queers.
A proposta desta pesquisa é dotar de historicidade o momento da emergência de certa configuração discursiva que tornou possível a visibilidade do tráfico de mulheres brasileiras para o comércio de sexo na Espanha. O objeto da investigação são formulações discursivas que constituíram o tráfico de pessoas como um problema na virada dos séculos XX e XXI. As fontes da pesquisa são notícias veiculadas na Folha de São Paulo, jornal brasileiro de mais ampla circulação, e no El País, jornal espanhol de maior difusão. O recorte temporal é o espaço entre 1997 e 2007, período em que as referências ao tráfico ganharam regularidade no discurso midiático. A modalidade de tráfico mais noticiada nos dois periódicos foi o tráfico de mulheres para exploração sexual e este dado não constitui simples evidência da realidade, mas é efeito de certa maneira de entender as mulheres, a prostituição e as migrações contemporâneas.
