Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Feminismos em rede? Uma história da circulação de discursos e informações entre São Paulo e Buenos Aires (1970-1985)

Este trabalho busca perceber como se constituíram as redes de informações e a circulação de discursos e teorias entre as feministas do Brasil e da Argentina do período que se seguiu à revolução cultural, social e política que teve como marco simbólico o ano de 1968, até o final da Década da Mulher (1975 a 1985), instituída pela Organização das Nações Unidas em resposta às reivindicações do movimento de mulheres naquele período. Torna-se importante compreender como as feministas se articulavam e de onde extraíam as informações e a base teórica para um feminismo que começava a aparecer nos dois países, seguindo uma tendência mundial de manifestações e reivindicações que foi chamada a “segunda onda” feminista. Para isso analiso os testemunhos orais e escritos de algumas das protagonistas dos grupos feministas daqueles anos e também os discursos publicados nos periódicos feministas deste recorte temporal. Como resultado principal é possível notar trocas mesmo que indiretas entre brasileiras e argentinas, mas principalmente a influência de teorias produzidas na Europa e nos Estados Unidos, apesar da especificidade brasileira na constituição dos grupos feministas pela maioria de mulheres ligadas aos partidos políticos de esquerda. Traçando uma história comparativa do feminismo nos dois países, podemos perceber que a imagem das almejadas redes, ainda incipientes nos anos 1970, vai se tornar mais nítida a partir de meados dos anos 1980, não apenas entre Brasil e Argentina, mas num âmbito transnacional mais amplo.

Tese
Corpo, sexualidade e prazer: um olhar historiográfico sobre periódicos feministas no Brasil e Argentina (1974-1985)

A partir de uma análise comparativa, proponho a compreensão da maneira como três periódicos, sendo um da Argentina e dois do Brasil, discutiram as questões relacionadas ao sexo e ao prazer, que faziam parte das reivindicações do movimento feminista pós-1960, expressas pelo slogan “O nosso corpo nos pertence”. Minha intenção neste trabalho é analisar criticamente os discursos das escritoras, jornalistas e militantes que publicavam seus textos nos periódicos feministas, e também nos da grande imprensa, tendo em mente que esses escritos estiveram permeados de intencionalidade e foram produzidos em um locus específico, de mulheres que escreviam para outras mulheres. Ao lado disso, busco entender como essas representantes da imprensa feminista, parte da chamada imprensa alternativa, traziam para o seu público leitor – em sua maioria composto por mulheres – as questões pertinentes à sexualidade, ao prazer e ao corpo, que estavam sendo debatidas naquele momento pela mídia mais ampla nos dois países. O cenário das ditaduras militares completa o quadro, trazendo relações ambíguas vividas pelas feministas, de alianças políticas até o silêncio diante de alguns temas centrais do movimento, forçado pela repressão e pela ameaça do regime militar.

Tese
Mulheres, feminismo e Igreja Católica no Cone Sul: algumas relações (1970-1988)

Esta dissertação enfoca as relações entre feminismos e Igreja Católica em três países do Cone Sul: Argentina, Brasil e Chile. As fontes privilegiadas para observar essas proximidades e afastamentos são periódicos editados por grupos feministas. Eles também delimitam o recorte temporal da pesquisa entre 1970 e 1988. Neste momento, os três países analisados passaram por ditaduras militares, seguidas de períodos de transição à democracia. Estas duas conjunturas sociais e políticas influenciariam as relações aqui observadas, paralelamente ao importante movimento de renovação teológica pelo qual passaram diversos grupos que formavam a Igreja e sua hierarquia. Tais mudanças não foram bem recebidas por todos, mas exerceram influencia direta sobre a dinâmica da Igreja Católica na América Latina, ficando o movimento conhecido como Teologia da Libertação. Tão múltiplos quanto as posturas no interior da Igreja eram os diversos grupos feministas que emergiram nesta região, onde o feminismo de Segunda Onda começava a se estabelecer, em meio aos cenários ditatoriais. Muitas das possibilidades destes grupos foram podadas pela conjuntura, sendo retomadas depois, nas redemocratizações. Além da igualdade de gênero, uma marca histórica na constituição destes grupos brasileiros, argentinos e chilenos foi a luta pela democracia. Assim, setores da Igreja e feminismos iriam se relacionar, tanto coincidindo em atividades como disputando espaços de poder em embates diretos. O uso da comparação nos permite perceber como e porquê estas relações foram de semelhança ou de diferença nos países analisados, bem como a influência da conjuntura política neste processo.

Tese
Falar de si, falar de nós: performances constituindo feminilidades alternativas nos palcos brasileiros e chilenos durante as ditaduras militares

As décadas de ditadura militar no Brasil (1964-1985) e no Chile (1973-1990) foram palco para intensas mudanças políticas cuja abrangência alcançou a vida de um expressivo número de pessoas. Além da pesada especificidade ditatorial, esses países mencionados também lidavam, à época, com uma lógica dual de sociedade internacional, em que EUA (“capitalista”) e URSS (“comunista”) continuavam a lutar pela hegemonia global no contexto pós-II Guerra Mundial. Disputa (inter)planetária que, em contrapartida, se tornou cenário para a emergência de uma série de movimentos sociais - organizados no intuito de reivindicar direitos em prol de determinado grupo, resistir perante atrocidades cometidas pelo aparato estatal, propor novas estéticas artísticas, etc. Em meio a essa multiplicidade de grupos e propostas, os movimentos feministas, a partir da segunda metade do século XX, voltaram a se expandir e a se articular de maneira bem estruturada em muitos países, numa nova onda que ficou conhecida como Segunda Onda dos movimentos feministas. Agrupações formadas, em sua grande maioria, por mulheres que passaram a se utilizar das diversas mídias possibilitadas pela sociedade contemporânea, para propagandear as discussões feministas em voga. Dentre essas mídias, o teatro passou a ser uma poderosa ferramenta para o ativismo desses grupos. Da mesma forma, os debates em torno da questão da mulher passaram a figurar nas peças ligadas ao circuito profissional das artes cênicas, algo que, inclusive, motivou alguns estudos (aqui analisados) sobre as dramaturgas mais famosas vinculadas a tal circuito. Esse experimentalismo feminista no teatro chileno e brasileiro foi, inclusive, um motor criativo de feminilidades alternativas, de agentes ativas que colocaram em questão o “ser mulher” em uma série de peças. Uma feminilidade compartilhada coletivamente nos palcos dos países cá estudados, numa constante transformação que este texto se põe a narrar.

Tese
Tesouro Brasileiro - Democracia: uma construção popular

O presente trabalho trata das classes populares, dos movimentos sociais e da democracia no período compreendido entre 1974-1984, tendo como objetivo principal analisar as maneiras pelas quais as classes populares, através dos movimentos sociais, puderam superar a tradição política autoritária e, mais especificamente, conseguíram imprimir sua marca na “transição democrática” imposta pelo regime militar. Para tal, o trabalho desenvolve-se nos cinco capítulos. Primeiro capítulo é uma parte teórica onde a democracia é entendida como um processo simultâneo de democratização da chamada sociedade política e de ampliação dos espaços públicos na sociedade civil. Segundo capítulo trata-se do tempo longo da história política brasileira no qual observa-se permanente exclusão das classes populares não só da vida social e econômica mas sobretudo do processo político. E os últimos três capítulos são interpretações sobre o acontecimento, ou seja, o surgimento das classes populares na cena política, através dos movimentos sociais. No terceiro capítulo compreende-se que, os movimentos sociais permitíram às classes populares o aprendizado político de se reunir, debater e construir sua visão do mundo, ampliando espaços públicos na sociedade civil. No quarto capítulo as análises dos discursos dos movimentos sociais desmentem seu suposto apoliticimo, demonstrando que eles foram intrinsecamente políticos e democráticos, exatamente porque reivindicaram uma nova maneira de fazer política – democracia de base – e produzíram novas temáticas. O último capítulo tratase das maneiras pelas quais os movimentos sociais contribuíram para a democratização da sociedade política. Os movimentos sociais, nesta análise, empenharam-se em um duplo processo de democratização: por um lado, um processo de conquista e consolidação de práticas, espaços e organizações democráticas na sociedade política e, por outro, um processo de ampliação e multiplicação das esferas públicas autônomas nas quais formam-se as opiniões públicas.

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