Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Saber, Servir, Sentir e Saúde. A construção do novo jovem rural nos clubes 4 S, SC (1970-1985)

Este trabalho tem por objetivo analisar o programa de Clubes 4-S, implantado pela ACARESC (Associação de Crédito e Extensão Rural de Santa Catarina), órgão responsável pela implantação e desenvolvimento da Extensão Rural no estado a partir de 1957, e sua preocupação com a constituição de um novo jovem rural em Santa Catarina. Procurando evitar o êxodo rural e romper, através da tecnologia, com as técnicas de produção tradicionais, uma série de discursos foi propagada pela ACARESC objetivando intervir na formação de um novo (e jovem) agricultor. Através dos Clubes 4-S, entre outros programas da Extensão Rural, procurou-se formar sujeitos que estivessem aptos para lidar com estas técnicas e tecnologias “modernas” implantadas pela Extensão Rural. Estes clubes de trabalho foram implantados pela ACARESC a partir de 1957 em Santa Catarina, e no início da década de 1970 ganham ênfase no oeste catarinense. Naquele momento, os olhares da Extensão Rural concentraram-se nesta região, procurando legitimála enquanto lugar da “agricultura moderna” no estado, enquanto o “Celeiro Catarinense”. Assim, delimito o objeto a partir da efetivação de ações governamentais que resultariam na implantação dos Clubes 4-S em Chapecó (1970) e o processo de repensar sobre os trabalhos com juventude rural (1985).

Tese
Escolhas e vivências dos colonos no processo de modernização do campo

O presente trabalho busca analisar a constituição dos colonos no processo de modernização do campo ocorrido durante as décadas de 60 e 70 em Forquilhinha, na região Sul do Estado de Santa Catarina. Nesse período, modernizar significava estar em consonância com o ideal de industrialização do país e o setor agrário assume a responsabilidade de contribuir para a expansão do setor industrial, especialmente da indústria de bens de produção. Assim, a integração campo/indústria é uma das características do processo de modernização do campo brasileiro. É através de questões como a utilização de máquinas e insumos agrícolas, crédito rural, técnicas de cultivo e criação, educação e formação de crianças e adultos, relação com instituições financeiras e órgãos governamentais que se desenrola o processo de modernização do campo. Mas também é através de quereres, vivências... Assim sendo, a questão principal desta pesquisa é analisar de que forma o homem do campo está vivenciando as inúmeras transformações na produção, no meio, na vida, no cotidiano. Os colonos estão negando, aceitando ou questionando estes novos valores e práticas?

Tese
As ondas e o tempo. Uma análise sobre a transformação de um território. Praia Brava, Itajaí, Santa Catarina

A Praia Brava, localizada no Município de Itajaí, é atualmente, uma das poucas praias do litoral centro - norte catarinense que ainda apresenta características da sua formação inicial de Restinga e Mata Atlântica, características que a tornaram conhecida na região como um símbolo de ecologia, atraindo pessoas que ali procuram se divertir, trabalhar ou morar. Porém, esta é uma “valorização” que diz respeito aos dias de hoje, já que num passado próximo, ela era mal vista, um local que, por vários motivos, passava a ser “evitado”. A praia por suas fortes ondas, não atraia o interesse de veranistas, que procuravam outros balneários da região para passar os dias ou meses de verão, como por exemplo, Cabeçudas e Balneário Camboriú. Este referencial também estava correlacionado à prostituição e por ter abrigado durante algum tempo (1960 – 1980) uma área de casas noturnas e bares que, de alguma maneira, sustentavam a idéia de perigo e malandragem. Porém, a partir de meados da década de 1980, outro referencial passa a ser vinculado nesse local. O uso da praia como palco de campanhas ambientalistas e eventos esportivos, desencadeando um processo que promoveu, principalmente, durante os anos 1990, a sua ocupação por moradias e empreendimentos comerciais, dando a ela uma outra configuração, a de um local voltado para fins urbanos e de lazer. É na mudança deste discurso que identifico e discuto motivos que fizeram com que o local esquecido e marginalizado de outrora, viesse a se transformar na “Praia do momento”. É ainda nos embates entre ambientalistas, moradores, empreendedores e Poder Público Municipal que procuro visualizar os jogos de interesses e relações de poder, inseridas nesse espaço praiano.

Tese
Iluminar a inteligência e educar a afetividade: Uma história do gênero masculino no Oeste Catarinense (1950-1970)

Este trabalho trata da história de problematizações do gênero masculino no Oeste Catarinense nas décadas de 1950 e 1960. Em meados do século XX esta região estava associada a uma imagem de lugar “não civilizado”, violento, carente da presença do poder público, “fora da lei” e de forte presença de “coronéis” e “caudilhos”. Neste momento, um conjunto de enunciados, temas e conceitos procuraram constituí-la sob uma outra imagem: uma região progressista, civilizada e com uma população trabalhadora e igualmente progressista e civilizada. Neste quadro, o masculino mostra-se bastante representativo, pois, a partir dos discursos estudados, parecia ser necessário definir um modelo de masculinidade adequado ao ideal de civilização que se pretendia implantar e, ao mesmo tempo, que contribuísse para tal implantação. Portanto este trabalho analisa, a partir de pesquisas em jornais impressos, textos históricos, literários e memorialísticos e através de pesquisa oral e iconográfica as imagens, os temas, os enunciados e os conceitos que construíram o gênero masculino na região e o tornam representativo e constitutivo desta nova realidade do Oeste Catarinense.

Tese
Fazendo cidade: a construção do urbano e da memória em São Miguel do Oeste - SC

Esta dissertação trata do processo de construção do urbano e da memória em São Miguel do Oeste, Santa Catarina. Através dela, procuro mostrar uma cidade que começou a ser feita antes dos anos 40 e que cresceu influenciada pelos discursos de progresso e de prosperidade. Nesta cidade, as fronteiras entre urbano e rural, passado, presente e futuro, real e ideal, foram sempre muito tênues ou inexistentes, sendo deslocadas constantemente pelos inúmeros sujeitos que por ela passaram. Foram estes sujeitos que fizeram São Miguel do Oeste em diferentes momentos, deixando suas marcas nesta cidade e a ela atribuindo significados diversos, conforme suas experiências e seu poder de interferência e transformação da realidade vivida. Assim, enquanto para alguns São Miguel se fez através da proximidade com os espaços oficiais de poder, da busca por grandes obras e projetos e, mais tarde, também da reconstrução do passado local, o que deu visibilidade aos chamados pioneiros e desbravadores do município, para outros a cidade se fez em momentos de conflito, de miséria, de exclusão social e de luta. Foi dessa forma que uma “rede de famílias antigas” pôde manter-se visível e influente até hoje no cotidiano local, com seus membros sendo lembrados anualmente durante a comemoração do aniversário municipal, enquanto um grande número de moradores de São Miguel do Oeste e do Extremo Oeste Catarinense permaneceu segregado, boa parte nas “favelas” da (s) cidade (s), distante dos espaços públicos de poder e da memória oficial.

Inscreva-se para receber nosso boletim