Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Fanáticos, rebeldes e caboclos: discursos e invenções sobre diferentes sujeitos na historiografia do Contestado

Este trabalho não pretende ser apenas mais um estudo sobre a Guerra Sertaneja do Contestado; não é intenção, de modo algum, acrescentar mais uma interpretação ao acontecido ou oferecer uma análise de algum aspecto que passou despercebido a estudos anteriores. A intenção é utilizar os trabalhos, pesquisas e publicações sobre este acontecimento histórico como fontes para investigar as representações forjadas sobre os sertanejos que participaram da Guerra. Esta investigação procura perceber em que medida essas representações receberam novos significados e foram utilizadas, ao longo do século, pelos discursos presentes nesses textos para construir e fortalecer todo um imaginário social sobre a Guerra e sobre aqueles que dela participaram combatendo as Forças Legais.

Tese
Jornalismo e História: a influência da versão da imprensa na construção da história de Joinville (1960 - 1980)

Essa dissertação discute, a partir da análise crítica das principais obras historiográficas de Joinville/SC, as formas como os jornais impressos na cidade contribuem para a consolidação das versões da História regional. Os textos historiográficos foram classificados de duas formas: abordagem tradicional local e trabalhos temáticos. Verificou-se, ao fazer a leitura dos livros, que o jornal é fonte primordial para a grande maioria dos textos, mesmo nas obras historiográficas que se contrapõem. Conclui que os jornais contribuem de duas formas para a escrita da História local. A primeira, quando tratado como fonte, pois o que é hoje tido como histórico na cidade passou pelas páginas dos periódicos: seja como notícia, artigo, anúncio ou propaganda institucional. A segunda, no momento de pautar matérias sobre a História local, privilegiando apenas alguns historiadores e linhas de pensamento e mantendo no anonimato da mídia, outras versões. Daí a importância de o jornalista ter ciência de sua responsabilidade histórica no momento de elaborar pautas que se referem à historiografia. E também de os historiadores, que selecionam as notícias de acordo com o seu objeto de estudo, divulgarem a sua produção para que as novas versões da História local ultrapassem os limites acadêmicos e conquistem as páginas dos jornais, chegando ao grande público.

Tese
A positivação de índios e mestiços na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1990-1930)

No início do século XX, ainda um período de transição do regime monárquico para o regime republicano, parte da sociedade letrada brasileira passou a valorizar a variedade regional, étnica, cultural do Brasil, tendo como objetivo apresentar um modelo mais integrador da nação de acordo com as ideias de progresso e civilização. Contudo, pensar em questões nacionais, implicava também discutir o país como nação. Um dos problemas apontados é que, em 1822, o Brasil se constituiu como Estado, antes mesmo de se construir como nação. Além da busca incessante por estudos históricos para a construção de uma nacionalidade, outro fator que estava em jogo era a “questão racial”. Quais seriam os critérios adotados pela intelectualidade para caracterizar o povo brasileiro em uma coletividade? Como índios, negros e mestiços seriam integrados a este projeto nacional? Esta pesquisa procurou analisar os discursos proferidos nas revistas do IHGB, nas três primeiras décadas do século XX, evidenciando como as noções de raça, de sexualidade e de gênero se imbricam nesses discursos para a construção da nacionalidade brasileira do começo do século XX. Na confluência desses debates, ao se definir o caráter físico e moral da nacionalidade brasileira, raça e sexualidade apareceriam nos discursos reproduzidos e elaborados pela revista do Instituto como estratégias políticas simbólicas para subjugar as mulheres indígenas e mestiças. Construir um país moderno implicava controlar os corpos femininos, uma vez que possuíam a função de serem reprodutoras, seriam as responsáveis por “sujar” a nova prole brasileira.

Tese
Classificados e o sexo: anúncios de prostituição masculina em SC (1986 - 2005)

Este trabalho almejou, primordialmente, reconhecer como a subjetividade coletiva percebeu as representações e identificações dos anúncios de prostituição masculina em Santa Catarina, veiculados no jornal Diário Catarinense, de 1986 até 2005; e como o masculino foi ressignificado a partir dos anúncios de prostituição. Através dos anúncios, tentou-se observar quais os fatores (históricos, sociais, culturais) influenciaram as representações, buscando entender como os diferentes elementos se somaram e foram refletidos pelos Classificados. Almejou-se analisar a mudança das formas discursivas, a mudança das representações, dentro desse espaço-tempo, tentando entender quais os fatores foram importantes para as diferentes masculinidades implicadas. Buscando unificar o maior número de elementos distintos possíveis para o reconhecimento dos ‘homens do anúncio’, viu-se nas entrevistas orais, nas entrevistas escritas, na observação participativa, na inserção em territórios de prostituição, na análise de outras pesquisas, nos diálogos paralelos, as maneiras de melhor entender tais sujeitos.

Tese
Feminismos de Segunda Onda no Cone Sul problematizando o trabalho doméstico (1970-1989)

Meu objeto de estudo são os feminismos do que foi classificado como Segunda Onda Feminista, mais especificamente os do Cone Sul. E foi através desses feminismos que a questão do trabalho doméstico como um problema me chamou a atenção. A relação entre mulheres e trabalho doméstico, ainda que afirmada pelos feminismos e pelos estudos de gênero como culturalmente construída, tem seu principal aporte na idéia de naturalização dessas funções. A família e em especial a maternidade se mostram como as principais legitimadoras de tal relação, que traz em si o peso de séculos de reafirmação de que “ser mulher” é ter cuidado, reclusão, dedicação, paciência; é se voltar à esfera privada, é ser esposa e ser mãe. Nesta pesquisa me propus a escrever uma história da discussão em torno do trabalho e do emprego domésticos nos feminismos de Segunda Onda do Cone Sul, utilizando como fonte as produções impressas desses feminismos, sobretudo periódicos. São jornais feministas produzidos – ou que circularam – na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. É importante destacar que o meu recorte temporal é dado pelas fontes utilizadas e que, através delas, busco estabelecer uma discussão a respeito da problematização do trabalho doméstico nos feminismos de Segunda Onda no Cone Sul, partindo de uma perspectiva historiográfica, inserida nos estudos feministas e de gênero, com o apoio de bibliografia tanto contemporânea aos documentos utilizados quanto atual. A dissertação se divide em duas partes, a primeira referente às problematizações a respeito do trabalho doméstico feminino, aquele da dona de casa, e a segunda referente às problematizações do emprego doméstico feminino, referente à empregada doméstica. Na pesquisa pude observar que grande parte das problematizações a respeito da questão, nos periódicos consultados, são comuns nos diferentes países e, de forma geral, envolvem questões complexas como as esferas pública e privada, questões de gênero e intragênero, de raça e/ou etnia e de manutenção de valores tradicionais.

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