Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Fragmentos de um conflito: memórias de Amira Hass, a única jornalista israelense a viver em territórios palestinos

Esta pesquisa aborda a trajetória profissional da jornalista Amira Hass e o conflito palestino-israelense, mais especificamente a vida cotidiana dos palestinos de Gaza e da Cisjordânia, com um recorte temporal de 1993 a 2005. Minha intenção neste trabalho é, através das lentes de Amira, relatar o dia-a-dia do conflito palestino-israelense nos Territórios Palestinos, e mostrar como a jornalista está inserida nesse contexto. Utilizo como fonte os seus três livros publicados, uma entrevista realizada em Ferrara, o meu diário de campo nos territórios ocupados, entrevistas que Amira concedeu a outros periódicos e o diário que sua mãe, Hanna Lévy-Hass, escreveu no campo de concentração nazista de Bergen-Belsen. Mais do que um mergulho nas questões de Israel ou dos Territórios Palestinos, este é um mergulho no universo de Amira Hass. A pesquisa está inserida no que se convencionou chamar de História do Tempo Presente e utiliza a História Oral, a etnografia e o gênero como ferramentas teórico-metodológica de abordagem. O trabalho se divide em três partes: o primeiro capítulo trabalha a construção da memória familiar de Amira Hass, que é filha de sobreviventes do Holocausto, e a sua formação profissional. O capítulo 2 aborda a ida da jornalista para Gaza e o capítulo 3 é sobre a vida de Amira em Ramallah. Todos os capítulos, além de estarem permeados pela história de Israel e dos Territórios Palestinos, abordam os relatos do cotidiano e de gênero produzidos pela jornalista. Na pesquisa, pude observar que a narrativa de Amira Hass, com a sua memória familiar, a memória de mulheres e homens palestinos e os sentimentos da intimidade, pode nos aproximar da história. Os escritos pessoais também são um “acervo histórico” e essa fonte, a obra de Amira, ajuda-nos a ler a história nas entrelinhas, seja a história dos judeus que sobreviveram ao Holocausto, seja a história do conflito entre palestinos e israelenses, um dos maiores dramas políticos do nosso tempo.

Tese
Veja o feminismo em páginas (re)viradas (1968-1989)

O objetivo dessa dissertação é narrar uma parte da história da emergência dos movimentos feministas no Brasil entre 1968 e 1989, período não só de ditadura política, mas também de grande efervescência no que se refere à mobilização de movimentos sociais. Para isso selecionei como fonte a semanal Veja, fundada em 1968 pela editora Abril, em função da revista ter dedicado um espaço bastante significativo para noticiar reivindicações e debates feministas que aconteciam no país e no mundo. Para efetivação dessa proposta, escolhi para análise: as capas que abordam problemáticas feministas; a seção de entrevistas, denominada Páginas Amarelas, por sempre ter grande repercussão junto ao público e por ter cedido espaço a uma série de feministas e não-feministas; e por último a coluna de humor Millôr, em função do extenso alcance que atinge de entendimento junto a leitoras e leitores, além da frequência com que o jornalista responsável pela coluna, Millôr Fernandes, refletia sobre o tema feminismos. Metodologicamente me aproprio de ferramentas interessantes à história da disciplina análise do discurso, buscando perceber como os discursos veiculados por Veja sobre feminismos funcionaram como um instrumento de divulgação do ideário feminista naquele contexto. As seções selecionadas como documentos permitiram a divisão dos capítulos de forma sistemática: no capítulo 1 exploro as capas com o intuito de articular o debate proposto pela revista com o contexto adjacente, ou seja, relação da publicação com o cenário de ditadura e também com a discussão sobre os feminismos; no capítulo 2 analiso a seção Páginas Amarelas, espaço reservado a entrevistas com uma série de feministas e celebridades que comentaram os feminismos como acontecimento; e no capítulo 3, o último, reflito sobre a coluna de humor Millôr que entendo ter contribuído significativamente para a visibilidade das reivindicações feministas. Com essa proposta busco colaborar para a construção da história dos feminismos no Brasil que, em função do que representou a ditadura civil-militar, teve muitas de suas histórias não-contadas.

Tese
Tradução Cultural: desconstruções de perspectivas logofonocêntricas em zonas de contato entre surdos e ouvintes

om referenciais teóricos do Pós-Estruturalismo e dos Estudos Culturais, esta tese aborda questões acerca de representação, poder e historicidade por meio da análise de traduções culturais em zonas de contato entre surdos e ouvintes. Os ângulos de observação são os sistemas culturais que apontam para uma rede de significantes constituída a partir de escutas das comunidades surdas e de seus intérpretes. Tais escutas conduziram a um processo tradutório complexo e multifacetado que proporcionou experiências singulares de desconstruções logofonocêntricas. Em conseqüência da dinâmica que surge da relação de culturas distintas e entre línguas de naturezas diferentes, as orais e as de sinais, a figura do intérprete desponta como um leitor cultural e agenciador de sentidos traduzidos em zonas fronteiriças de contato, marcadas por tensões subjetivas. Esta pesquisa desenvolve uma leitura do movimento destas textualidades de interpretação e das idiossincrasias de tradução cultural desenvolvidas pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, conhecida como Testemunhas de Jeová, a partir do seu contato com as culturas surdas. Destaca-se, além disso, os desdobramentos teóricos dessa experiência tradutória transferida por intérpretes de língua de sinais a outros locus de enunciação e práticas sociais. Esta tese apresenta, ainda, performances de sujeitos surdos e a leitura de uma autobiografia, como campos de representações estéticas e literárias com ênfase nos processos de subjetivação e seus constructos culturais.

Tese
Sylvia Plath e a construção da fama

O presente trabalho tem por objetivo propor um estudo teórico a respeito da fama póstuma de uma escritora suicida, Sylvia Plath. A notoriedade que a poeta norteamericana atingiu não se restringe apenas ao âmbito da literatura, pois encontra repercussão também nas manifestações da cultura de massa. Assim, em busca dos suportes contextuais que a teriam transformado em mito e ícone do século XX, um diálogo reflexivo com a cultura, a literatura e as formas de consumo é proposto. Ao fazer uso das ferramentas metodológicas da Teoria da Literatura e dos Estudos Culturais, esquadrinham-se os elementos responsáveis pela invenção da fama, dentre os quais merece destaque o campo das representações biográficas, a tarefa da avaliação crítica e o lugar de recepção do leitor comum. A partir dessas três frentes principais desdobram-se outros temas fundamentais para a época em questão e que contribuem sobremaneira para a manifestação do fenônemo da fama: a espetacularização da sociedade, a prática do voyeurismo, a transformação da negatividade em objeto de negociação, a estetização da morte via indústria cultural, a midiatização e mercantilização dos indivíduos, a celebrização das personalidades e a perda de objetos de referência na sociedade moderna. As linhas interpretativas levantadas oferecem a possibilidade de leitura da celebrização da vida trágica de Sylvia Plath como produto cultural pertencente à dinâmica dos objetos na sociedade de consumo.

Tese
Imagens nacionais e relações de poder nas narrativas da imigração alemã em Santa Catarina

A abertura dos portos brasileiros em 1808, depois de 300 anos de exclusividade lusitana, torna o país um grande atrativo para naturalistas, geógrafos, economistas, artistas, comerciantes e viajantes. É intenso o trânsito de diferentes culturas, nacionalidades e subjetividades que passam a configurar um novo tempo e um novo espaço. A ampla divulgação de imaginários e representações da cultura letrada metropolitana, fundamentados no sólido debate científico setecentista sobre o Novo Mundo, acaba por determinar e interferir no imaginário desse próprio mundo. A situação político-social do Brasil no século XIX, ávido por significados nacionais (uma origem, um povo, um tipo nacional), desperta entre a recente elite letrada nativa a noção das imensas potencialidades da terra e a necessidade de se construir uma nação civilizada. Valendo-se de um contexto de afirmação científica, as correntes imigrantistas parecem atender à emergência de se produzir um povo civilizado pelo branqueamento das raças. Portanto, com o objetivo de refletir sobre um processo de composição de imagens que ajudaram a definir o Brasil, o presente estudo propõe-se a uma leitura cultural de um conjunto de narrativas que partem do espaço da imigração alemã em Santa Catarina em meados do século XIX.

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