CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Esta pesquisa procura refletir sobre a prática do surf por cinco mulheres campeãs em distintas modalidades esportivas, com idades variando entre os 16 e 56 anos. Pertencentes a camadas médias urbanas na Ilha de Santa Catarina, elas praticam o surf principalmente na Praia Mole e Barra da Lagoa com diferentes investimentos. Metodologicamente a pesquisa foi construída a partir de entrevistas gravadas e a observação do cenário do surf na região da Lagoa da Conceição. Enfoca as experiências esportivas dessas mulheres no surf e a forma relacional da construção de suas corporalidades num meio ainda ocupado predominantemente por homens, observando os discursos sobre as diferenças sexuais.
Esta dissertação apresenta um estudo antropológico sobre travestis na velhice. O foco central da pesquisa foi o de descortinar, tendo como referência suas histórias de vida, os significados e implicações do processo de envelhecimento para esses sujeitos. A hipótese que permeou meu projeto de pesquisa foi de que esses sujeitos são vítimas de um duplo processo de marginalização, por serem travestis e velhos. A pesquisa etnográfica foi realizada na cidade do Rio de Janeiro, sendo seu universo principal composto por cinco travestis entre 59 e 79 anos de idade. Concluímos que, ao mesmo tempo que procuram construir uma representação até certo ponto positiva da velhice, quando buscam salientar que vivem uma fase mais tranqüila, com melhor qualidade de vida, ou que estão na melhor fase de suas vidas, chamam atenção para as dificuldades em atingir uma idade avançada. Envelhecer significa atingir um status superior perante o grupo mais amplo de travestis e, num sentido mais abrangente, perante a sociedade como um todo, revelado pelo fato de serem permanentemente confundidas com senhoras em suas relações cotidianas. Elas querem envelhecer, mas com muito glamour meu bem!
O presente estudo consiste numa etnografia cujo objetivo foi o de investigar as representações sobre esportes dos alunos da Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Apoiado na Antropologia Interpretativa proposta por Clifford Geertz (1989) argumento que o esporte é um fenômeno cultural cujos significados devem ser interpretados, aproximando, deste modo, as duas disciplinas centrais do trabalho, Educação Física e Antropologia, partindo do corpo e do movimento como categorias centrais. Para tanto, na perspectiva de estranhar o familiar e fazer uma “descrição densa”, realizo um trabalho de campo centrado na observação participante apoiada num diário de campo e em entrevistas semi-estruturadas. Descrevo a escola como um “Espaço Geográfico” e “Social” (BOURDIEU,1996; 1998) esquadrinhado (FOUCAULT, 1997 ) no qual diversos sujeito se apropriam para realizarem seus projetos (VELHO, 1994). Assim, descrevo o locus onde as representações sociais são produzidas e reproduzidas, baseando-me em um questionário sócio-econômico-cultural aplicado por esta instituição quando da realização do seu teste de seleção para ingresso de novos alunos. Observando os alunos praticarem esportes nas Aulas de Educação Física e nos momentos de tempo livre, lendo o jornal interno e os murais, e conversando com professores de Educação Física e a comunidade em geral, verifico que a ETFSC possui um amplo aparato material e representações que tendem a reproduzir o esporte hegemônico (KUNZ, 1994; BRACHT, 1997b). Entretanto, em certos momentos, normalmente vinculados à ruptura do espaço-tempo escolar cotidiano, os quais chamo de “inversão” (DAMATTA, 1997a), os alunos jogam com outras regras e outro espírito que não o dominante. Concluo, nestes termos, que apesar das diversas imposições sobre o corpo e o movimento, os alunos são capazes, mesmo inconscientemente, de recriar o esporte com outras normas, outros valores. Este estudo, por fim, insere-se na perspectiva de, ao tomar acesso ao mundo vivido de nossos alunos e de suas representações, poder conversar com eles no sentido do esclarecimento, e, ainda, atento às inversões, tomá-las como possibilidade pedagógica para a Educação Física e como ponte para a transformação.
O presente trabalho é um ensaio etnográfico sobre o trabalho da pesca em uma pequena comunidade da Barra da Lagoa, localizada em Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina/SC. O eixo desta pesquisa consiste na descrição de alguns aspectos da vida cotidiana – tanto em mar como em terra – dos pescadores desta comunidade, dos modos como os saberes e os conhecimentos derivados do seu trabalho se ancoram e se reproduzem em certas práticas sociais e das formas que assumem suas relações com seu exterior e com o mercado. O ensaio foi construído a partir do uso das ferramentas audiovisuais e do discurso do cinema documentário-etnográfico e buscou produzir um encontro dialógico entre os sujeitos da pesquisa e o investigador. Portanto, tem como proposta, através das premissas da Antropologia Visual, comprender em que condições é possível a construção de um “campo político próprio” em comunidades de trabalhadores da pesca.
A despeito e a partir da morte das imagens na antropologia, as imagens da morte possibilitam reflexão e problematização antropológicas. A morte permeia a vida simbólica, social e historicamente. E aponta para o fim como princípio. Ser não ser, eis a questão que esta Dissertação, ancorada nos filmes Flores e E a tristeza nem pode pensar em chegar..., (des)vela. O presente de Prometeu trata-se, destarte, de uma contribuição a uma antropologia da morte (e da vida).
