Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Sentidos do trabalho para idosos em exercício profissional remunerado

O presente trabalho apresenta resultados de pesquisa realizada com seis pessoas (três homens e três mulheres), com idades entre 63 e 82 anos, em atividade profissional remunerada após sua aposentadoria. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, com roteiro organizado em blocos temáticos: identificação dos sujeitos, trabalho atual e pregresso, outras ocupações e hobbies trabalho na família de origem. Finalizavam o roteiro perguntas sobre se houvesse possibilidade de recomeço se o fariam na mesma atividade e sobre o desejo de que seus filhos seguissem sua profissão. As entrevistas foram gravadas e transcritas na íntegra e o material foi categorizado e submetido à análise tendo como base teórica a Psicologia histórico-cultural de Vigotski. As profissões e hobbies dos participantes são: reparador de fogões/antiguidades, professora/pintura, industriário/fotografia, médica/jogo de cartas, cozinheira e bordadeira/dança folclórica, e, médico/imagem e som. Todos os participantes relatam situações de gratificação e de frustração em sua história de trabalho, embora o prazer associado ao trabalho esteja sempre presente em seus relatos com maior evidência. A permanência no trabalho parece ser uma gratificação comum a todos, pois é relatada ao longo de seus discursos com conotação de entusiasmo e orgulho. Associam deixar o trabalho com o afastamento de uma atividade motivadora e impregnada de significados, tanto em âmbito pessoal, como social de pertencimento ao grupo. Significam o trabalho como sua própria vida, o que faria com que o afastamento do trabalho significasse a perda do sentido de viver.

Volume
Vol. 18. N. 7-12
  • Culture, Health & Sexuality
Tese
As armas de Marte no espelho de Vênus: a marca de gênero em ciências biológicas

Este estudo teve como objetivo analisar implicações de gênero na formação e no exercício profissional de mulheres biólogas que atuam como pesquisadoras. A abordagem teórica do tema proposto envolveu a análise histórico-filosófica da Ciência Moderna à luz da teoria feminista sobre o modelo dominante da construção do conhecimento, segundo a qual as escolas filosóficas que norteiam o pensamento científico não são neutras do ponto de vista de gênero, uma vez que teorias essencialistas sobre ser homem e ser mulher, apontam para uma pretensa dificuldade das mulheres frente aos desafios da produção de conhecimento, em função de sua suposta menoridade intelectual, sua subjetividade, a prevalência da emoção sobre a razão e a ausência da agressividade inerente à idéia de dominação exigida de um cientista diante de seu objeto de estudo. Neste sentido, a construção da identidade feminina e sua articulação como o mundo da ciência também foram objeto de análise. Considerando a importância do curso de graduação para a formação da cientista, no caso específico a bióloga pesquisadora, analisou-se também o curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia quanto à opção epistemológica e modelo de currículo. O relato das cientistas sobre sua experiência no campo profissional e de suas impressões sobre o curso que realizaram constitui a principal fonte de informação deste estudo, em consonância com a inspiração feminista que o caracteriza. Foram realizadas entrevistas com pesquisadoras biólogas formadas pelo Instituto de Biologia no período de 1973 a 2000, das quais emergiram as categorias de análise que nortearam a pesquisa: identidade feminina, identidade de cientista, concepção de Ciência, opção epistemológica e modelo de currículo do Curso de Ciências Biológicas e relações de poder no ambiente de trabalho associadas a estereótipos de gênero. Os resultados da pesquisa de campo confrontados com o referencial teórico sugerem como substancial a marca do gênero na academia, particularmente no universo onde se inserem as biólogas formadas pelo Curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia. A análise dos dados permite a afirmação de que é de inspiração positivista a concepção do curso de Ciências Biológicas, assim como se caracteriza como tecnicista e conteudista o modelo de currículo adotado no curso desde sua criação e também por ocasião de suas reformas curriculares. As normas, os códigos, os valores e as condutas esperadas e estimuladas nos estudantes que se direcionam para a pesquisa científica são aqueles preconizados pelo pensamento hegemônico no mundo científico, embasados no racionalismo de Descartes e no positivismo de Comte, em que a Razão se afirma como faculdade primordial e suficiente para a apreensão dos fenômenos, como também na única possibilidade de elaboração de um método universalmente válido para desvendar a Natureza. As cientistas, em sua maioria, percebem a sua identidade feminina como uma possível ameaça à consecução de seus objetivos, uma vez que esta identidade se associa a aspectos da experiência humana que são precisamente aqueles considerados indesejáveis à prática de construção do conhecimento, como a emoção, a subjetividade, a ausência de agressividade ou competitividade e, sobretudo, a maternidade. As entrevistadas em sua maioria associam a identidade feminina à maternidade e ao cuidado, exatamente como vêm fazendo as mulheres de outras gerações. Os depoimentos refletem o conflito entre as exigências do trabalho científico e os encargos domésticos, configurando-se nas mentes dessas mulheres duas identidades separadas, antagônicas: a mulher e a cientista, sob a mesma ótica cartesiana impregnada em seu modo de ver o mundo. Quanto às relações de poder no mundo do trabalho, a pesquisa revelou que, embora sejam mais numerosas que os homens no campo das ciências biológicas, poucas são as mulheres que ocupam ou ocuparam posição de destaque enquanto cientistas nas suas respectivas instituições. As entrevistadas, em sua maioria, afirmaram não terem sido afetadas por preconceito ou discriminação explícita, atribuindo tal fato à adoção de uma postura desafiadora e confiante diante de seus pares. Esta "adequação" ao modelo masculino envolve atitudes mentais, aprendizados de técnicas e procedimentos, incremento da competitividade e principalmente, a negação daqueles elementos associados à identidade feminina que poderiam se constituir objeto de crítica ou censura de seus pares. Afirma-se, portanto, que as cientistas refletem ou assimilam certas características associadas ao masculino para se estabelecerem no ambiente científico marcado pelo viés androcêntrico já denunciado muitas vezes ao longo deste estudo. Afirma-se ainda que o grande desafio para as cientistas é a própria estrutura do campo da pesquisa científica, concebido e construído para os homens, dentro do modelo da sociedade patriarcal, que preconiza a liberdade irrestrita dos homens no mundo do trabalho, enquanto todos os encargos da vida familiar são de responsabilidade da mulher. Conclui-se, portanto, que a superação das dificuldades das mulheres no mundo da ciência e a correção das assimetrias históricas de gênero no seu campo de trabalho estão na dependência de uma mudança estrutural profunda na sociedade que altere a divisão de responsabilidades no exercício dos papéis de gênero.

  • Universidade Federal da Bahia
  • Doutorado
Artigo
UNA REFLEXION FEMINISTA DE LA CIUDADANÍA

La ciudadanía ha devenido en la última década pasada es uno de los ejes de acción y reflexión del movimiento feminista y es al mismo tiempo una de las preocupaciones democráticas del fin de siglo, a niveles nacionales y, como nunca antes, en el ámbito global. Constituye un polo importante para articular la larga lucha de las mujeres por la igualdad, aportando nuevos contenidos democráticos. Es también un eje significativo para generar alianzas entre mujeres y con otras categorías y grupos sociales, tendientes a ampliar los límites de otras ciudadanías restringidas en razón de las múltiples discriminaciones en nuestras sociedades. Es un terreno de disputa no solo entre sociedad civil y estado, sino también en la misma sociedad civil. Las teóricas feministas de la ciudadanía están complejizando y aportando a una teoría de la ciudadanía que responda a las incongruencias, carencias y debilidades de la concepción y de la práctica ciudadana, reconociendo la diferencia no sólo genérica sino entre las mismas mujeres, como posibilidades y obstáculos ciudadanos a los que hay que potenciar o neutralizar.

  • Estudos Feministas, vol. 8, n.2
Tese
Novas Tecnologias Reprodutivas Conceptivas à luz da bioética e das teorias de gênero: casais e médic@s no Sul do Brasil

Esta tese foi desenvolvida a partir de uma perspectiva interdisciplinar, na área das ciências humanas. Ela toma em conta várias contribuições que vêm do campo biomédico, da biologia e das tecnologias genéticas e moleculares, porém, seu ângulo de análise é o sócio-antropológico. Focamos, à luz dos estudos de gênero, e da bioética feminista, as representações dos médicos que trabalham com tecnologias reprodutivas conceptivas, e dos casais heterossexuais, que fizeram tratamento para engravidar, através do uso da inseminação artificial (IA), da fertilização in vitro (FIV), ou da injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI). O trabalho desenvolve prioritariamente, os seguintes aspectos: a) as representações de casais e médicos sobre maternidade, paternidade, filiação, e os sentidos envolvidos na busca pelo filho como uma demanda à biomedicina. A abordagem de gênero nos permite problematizar a construção da categoria casal infértil, a ética querer do casal, e a contraposição entre útero e espermatozóide. Discutimos como as representações sobre paternidade estão associadas a um conjunto de valores em mudança, e como a maternidade biológica é reforçada no contexto tecnológico, pela busca do filho do próprio sangue; b) as representações dos casais e médicos sobre natureza e cultura e a forma como esta dicotomia opera as/ e nas diferenças de sexo e gênero (masculino e feminino), no contexto do "tratamento" através de NTRc. Em grandes linhas, observa-se se a reprodução assistida acrescenta alguma mudança à apriorística de que a natureza é dominada pela cultura tecnológica, o gênero pelo sexo, o feminino pelo masculino e o natural pelo artificial, no processo de construção da "natureza fértil"; c) os aspectos éticos/bioéticos, levantados a partir do envolvimento dos vários atores, os riscos apresentados pela bibliografia consultada, e os que surgiram durante o processo de "tratamento", tanto para os casais, como para os médicos e as crianças. Problematizamos o fato de que o "querer do casal", seja apresentado como legitimador de todas as formas de intervenção, e o modo como o médico é constituído em autoridade moral a decidir sobre a continuidade, ou a interrupção do "tratamento"; d) o conceito de gênero nos permite desconstruir a universalidade do corpo fértil, e a fixidez da natureza, além de recolocar os conteúdos das relações sociais de gênero, a partir da maternidade, paternidade e filiação, no contexto das NTRc. Além disso, agrega-se capacidade analítica ao próprio conceito, na medida que localiza-se a esfera tecnológica em relação com a cultura da maternidade e da família com filhos e, na medida que vemos intercalarem-se as esferas da natureza e da cultura.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
  • Doutorado

Inscreva-se para receber nosso boletim