CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Os temas propostos neste trabalho - cidadania e gênero - levam-nos a buscar referenciais de análise suficientemente abrangentes para que possamos dar conta da sua articulação. A idéia de cidadania e a construção de identidade de gênero têm sido definidas como um entendimento da sociedade que parte da definição de esferas dicotômicas, o público e o privado, responsáveis por uma desqualificação das mulheres no âmbito do político. O feminismo contemporâneo discute esta visão, criticando-a, e propõe novas abordagens que permitem integrar homens e mulheres nas suas relações, no desenvolvimento dos processos sociais.
- Estudos Feministas, vol. 9, n.1
Este artigo examina os Encontros Latino-Americanos e do Caribe como espaços críticos transnacionais onde se re-imagina a política dos feminismos na região. Enfocando o Oitavo desses Encontros, realizado em Juan Dolio, República Dominicana, em 1999, analisamos os principais debates politicos e filosóficos que surgiram durante 20 anos de Encontros: (1) mudanças nas concepções de ‘autonomia’ do movimento e na relação dos feminismos com o movimento de mulheres mais amplo e com outros atores na sociedade civil e política, o Estado e instituições internacionais; (2) controvérsias geradas pelas recorrentes crises de ‘inclusão’ e de ‘expansão’ do movimento; e (3) debates centrados nas diferenças, desigualdades e desequilíbrios de poder entre mulheres em geral e entre as feministas em particular.
- Estudos Feministas, vol. 11, n.2
Este estudo tem como objetivo compreender através da ótica da mulher usuária de álcool, como se processou o contato com o álcool em sua vida, como percebia a vida antes e após a evolução para uso nocivo/dependência, os possíveis problemas desencadeados e os mecanismos de superação destes, a busca de tratamento e as mudanças processadas em suas vidas. Para realizar este estudo, optou-se por fazer uma pesquisa qualitativa, utilizando como estratégia metodológica a História de Vida. Foram realizadas 13 entrevistas semi estruturadas, gravadas para análise. O estudo aconteceu no Ambulatório de Tratamento e Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo/UNIFESP Escola Paulista de Medicina/EPM, na cidade de São Paulo. Através da revisão da literatura, foi elaborado um histórico sobre o alcoolismo, seus conceitos, prevalência e a relação entre alcoolismo e gênero. Esta pesquisa parte da constatação de que existem poucos estudos qualitativos abordando o tema que relaciona mulher e alcoolismo. Após inúmeras leituras das entrevistas transcritas, surgiram 11 categorias: A Influência da família no primeiro contato com o álcool na infância, Influência de colegas e namorados no primeiro contato com o álcool na adolescência, Influência do companheiro no primeiro contato com o álcool na fase adulta, Conflitos emocionais influenciando o primeiro contato com o álcool, Aumento do consumo do álcool com intuito de superar conflitos emocionais Manutenção de atividades prazerosas como trabalho e lazer antecedendo o uso nocivo e a dependência ao álcool, Perdendo o controle sobre a bebida e o surgimento de comprometimentos clínicos, sociais e familiares, A percepção dos prejuízos motivando a busca de tratamento especializado, A necessidade em voltar a acreditar em si mesma, Acolhimento e respeito na chegada ao tratamento especializado, Reaprendendo a viver: lidando com a dependência. Os resultados desse estudo sugerem que a mulher usuária de álcool, inserida em tratamento especializado, necessita de atenção especial por parte dos (as) profissionais de saúde no que tange aos aspectos emocionais. Sugere também que o atendimento a essa clientela, quando realizado em grupo, se for homogêneo, possa facilitar a expressão de conflitos. O estudo também mostra a importância do resgate de familiares e filhos para participação no tratamento; manutenção de ambiente acolhedor no que diz respeito ao tratamento; atenção aos comprometimentos clínicos; promoção de resgate da auto-estima e da cidadania com objetivo de manutenção do processo de tratamento.
- Universidade Federal de São Paulo
- Mestrado
Trata-se de um estudo desenvolvido com o objetivo de compreender as relações de poder no casal heterossexual a partir da perspectiva do homem, bem como suas vinculações com a prevenção de aids. Para tanto, dez homens de orientação heterossexual que vivem relações afetivo-sexuais duradouras - legalmente formalizadas ou não -, em co-habitação com a companheira e que têm pelo menos o nível fundamental de instrução participaram. As proposições de Foucault sobre relações de poder e constituição da subjetividade formaram as bases teórico-filosóficas que deram sustentação a este estudo qualitativo, que tomou a Pesquisa Convergente-Assistencial - PCA - como referencial metodológico. Os dados foram coletados através de discussões de grupo desenvolvidas no decorrer de seis encontros, nos quais foram abordadas diversas temáticas relacionadas com sexualidade e DST/aids. Os encontros de grupo integraram uma iniciativa de educação em saúde que propiciou a convergência entre a pesquisa e a assistência preconizada pela PCA. Além destes encontros, os dados foram coletados em duas entrevistas individuais realizadas com cada um dos homens, cuja guia incluía temas relativos ao viver em casal e à vida afetivo-sexual do homem e do casal. A análise dos dados foi feita de acordo com o Discurso do Sujeito Coletivo - DSC - o que propiciou a organização de discursos a partir de grandes temáticas emergentes das discussões de grupo e dos relatos individuais, as quais mantinham estreita ligação com a questão norteadora e com os objetivos do estudo. Estas temáticas incluem o que é ser homem, a vida afetivo-sexual do casal e o uso do preservativo e, em cada uma delas, foram organizados DSC em torno de idéias centrais diferentes, os quais complementaram uns aos outros. A discussão dos DSC relativos a estas temáticas possibilitou uma melhor compreensão da problemática em estudo e evidenciou a existência de diferentes dinâmicas de circulação do poder nas relações de casal, as quais têm implicações diretas no trabalho de educação em saúde para prevenção de DST/aids. A compreensão destas dinâmicas subsidiou a proposição de um referencial teórico para utilização na educação em saúde - foco do cuidado de enfermagem - voltada para a prevenção de DST/aids. Neste referencial articulam-se os conceitos de promoção da saúde, educação em saúde, diálogo, casal heterossexual, saúde e cuidado de si, perpassados pelas relações de poder que se disseminam pelo corpo social.
- Universidade Federal de Santa Catarina
- Doutorado
Neste trabalho procura-se examinar as formas de participação das mulheres no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região do Pontal do Paranapanema. Recorre-se a entrevistas realizadas com acampados/as, assentados/as, militantes homens e mulheres inserido(a)s na luta pela terra naquela região; à sistemática in loco como principal meio de burlar as dificuldades que muito(a)s têm com o gravador; e à vasta bibliografia crítica sobre o assunto. Ao longo da pesquisa, foram identificados dois momentos e espaços diferentes de participação feminina na luta pela terra. O primeiro corresponde à fase do acampamento, em que se começa a viver coletivamente sob as regras materializadas no chamado regimento interno, que estabelecem os códigos de conduta de cada membro do acampamento, com novas aprendizagens podendo levar à ruptura das cercas de gênero. O segundo é o do assentamento. Este representa um desfecho positivo para os sem terra contra o monopólio do latifúndio. É o momento de um novo processo que implica criar condições para a permanência na terra conquistada. No entanto, o que se verifica são condições precárias de assentamentos revelando que estes se tornaram uma estratégia para amenizar conflitos sociais. Uma vez no assentamento, aspectos econômicos e tecnológicos adquirem formas em que o tempo e o espaço são regidos pelo modo de produção dominante. Para além da sobrevivência, é necessário produzir para pagar os empréstimos feitos junto ao Estado, ao banco, etc. A luta para permanecer na terra se torna imediatista e o aspecto econômico se impõe e acentua retorno da velha divisão sexual do trabalho, colocando em xeque as aprendizagens de gênero durante os anos de luta nos acampamentos. Frente a estas dificuldades, o MST propõe novos modelos de assentamento que permitam combinar independência, com relação do modo de produção dominante, e novas relações que permitam eliminar as trincheiras machistas do movimento.
- Universidade Estadual de Campinas
- Doutorado


