CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
- Estudos Feministas, vol. 25, n.3
- Estudos Feministas, vol. 25, n.2
- Estudos Feministas, vol. 25, n.2
A abertura dos portos brasileiros em 1808, depois de 300 anos de exclusividade lusitana, torna o país um grande atrativo para naturalistas, geógrafos, economistas, artistas, comerciantes e viajantes. É intenso o trânsito de diferentes culturas, nacionalidades e subjetividades que passam a configurar um novo tempo e um novo espaço. A ampla divulgação de imaginários e representações da cultura letrada metropolitana, fundamentados no sólido debate científico setecentista sobre o Novo Mundo, acaba por determinar e interferir no imaginário desse próprio mundo. A situação político-social do Brasil no século XIX, ávido por significados nacionais (uma origem, um povo, um tipo nacional), desperta entre a recente elite letrada nativa a noção das imensas potencialidades da terra e a necessidade de se construir uma nação civilizada. Valendo-se de um contexto de afirmação científica, as correntes imigrantistas parecem atender à emergência de se produzir um povo civilizado pelo branqueamento das raças. Portanto, com o objetivo de refletir sobre um processo de composição de imagens que ajudaram a definir o Brasil, o presente estudo propõe-se a uma leitura cultural de um conjunto de narrativas que partem do espaço da imigração alemã em Santa Catarina em meados do século XIX.
Consideradas obras de pouca complexidade pelo cânone do século XX e ficando à margem dos estudos literários, as autobiografias de mulheres começaram a ser procuradas e lidas, ou re-lidas pela crítica feminista a partir dos anos 1980. Mas entre as narrativas marginalizadas, há as que são ainda mais marginalizadas. Se as mulheres não tinham voz, menos ainda as mulheres lésbicas, ignoradas, escondidas ou tratadas como doentes mentais. A escritora Odete Rios, que escreveu sob o pseudônimo de Cassandra Rios, faz parte do rol de mulheres invisíveis que, com seu trabalho literário, procurou tirar as relações lésbicas do limbo a que estavam destinadas. Pioneira no protagonismo lésbico na literatura brasileira, a escritora foi sucesso de vendas e público dos anos 1950 a 1980. Perseguida pela censura, proibida, empobrecida, deixou a vida literária, retornando com sua autobiografia, Mezzamaro, flores e cassis: o pecado de Cassandra, em 2000, já com câncer em estágio adiantado. Esta dissertação tem como objetivo resgatar a importância dessa voz pioneira e marginal que grita em sua autobiografia.


