CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Este trabalho discute as travestilidades a partir do discurso das pessoas que desejam tornar-se travesti conhecidas como novatas, iniciantes, ninfetas e novinhas. Trata-se de uma escrita de inspiração etnográfica em que são tecidas entrevistas, experiências e diálogos com travestis com idades entre 15 e 21 anos durante experimentação de pesquisa pelas ruas, pensões, moradias e ong’s da cidade de Florianópolis e em espaços virtuais como blogs e o facebook. A análise teórica segue as pistas de Michel Foucault e Judith Butler discutindo sob que condições novatas travestis são reconhecidas como sujeitos legítimos do discurso das travestilidades. Nesta direção são questionados os saberes, as práticas e o acesso aos conhecimentos trazendo à cena as regras e os passos que ensinam alguns modos de se experienciar as travestilidades, bem como as possibilidades de resistência a estas normas. Entendidas como jogos de verdade estas regras que envolvem o que é legítimo ou ilegítimo são apresentadas e problematizadas por diferentes discursos: pelas travestis mais experientes, pelas redes de proteções das “mães”, pelas redes virtuais e entre as próprias novatas travestis. A partir dos efeitos produzidos por estes discursos são delineados os contornos das novas formas de se pensar a experiência das travestilidades entre as jovens que estão começando. As novas experimentações transitam por entre atualizadas maneiras de aprender e investir na transformação corporal, pelos ressignificados atribuídos ao espaço da pista, à permanência na escola e aos vínculos familiares. Também circulam pela importância das redes de sociabilidades como as mamys e as “irmãs”. Neste sentido, são discutidas neste trabalho não apenas as condições de possibilidades da (re)invenção das novas travestilidades, mas também são sinalizadas a expansão dos espaços de (re)existência e (re)criação de si mesma para aquelas que desejam tornar-se travesti sob novos e também hegemônicos critérios éticos, estéticos e políticos.
Com o objetivo de compreender a influência da socialização familiar nas diferenças entre o desempenho escolar de meninas e meninos, foi realizado estudo qualitativo junto a oito famílias de setores populares na cidade de São Paulo. Este artigo enfoca a presença dos responsáveis no cotidiano escolar e os projetos de futuro traçados por adultos e crianças. A mobilização das famílias na escolha da escola não apresentava diferenças conforme o sexo do filho/a, mas pais e mães acompanhavam mais estritamente a escolarização dos meninos. Havia a expectativa de que os meninos entrassem para o mercado de trabalho em torno dos 16 anos e, paralelamente, as meninas eram responsabilizadas desde antes dos 10 anos por tarefas domésticas. E havia diferenças sutis nas expectativas parentais de profissão e escolarização, mais altas para os filhos, apesar de suas irmãs apresentarem melhor desempenho na escola e traçarem planos profissionais mais ambiciosos.
- Estudos Feministas, vol. 24, n.1
O objetivo deste estudo é apresentar uma análise de como a imagem de Catherine é moldada pelo olhar masculino, como ela enfrenta os três tipos de olhar - o olhar dos personagens, o olhar do leitor, e o olhar do autor – e finalmente, se o olhar masculino é interrompido. O parâmetro teórico desta análise, o conceito do olhar masculino, é teorizado por Laura Mulvey no artigo “Prazer Visual e Cinema Narrativo” (1975) o qual critica a relação entre o olhar masculino e a imagem feminina do prazer visual moldado pela sociedade patriarcal. Através da crítica de Mulvey do prazer visual generizado em filmes, que pertence ao contexto do cinema clássico de Hollywood, articulo sua teoria em relação ao romance Wuthering Heights de Emily Brontë para examinar a dinâmica do olhar masculino em relação à personagem feminina Catherine. Este estudo teve também por objetivo analisar o quanto o paradigma teórico de Mulvey produzido para cinema poderia ser aplicado especificamente em um texto literário escrito no século XIX.
As mulheres vêm aumentando sua participação em diferentes áreas da sociedade, mas ainda enfrentam obstáculos, inclusive para sua inserção no mundo da ciência. Buscando uma melhor compreensão sobre esse fenômeno, realizou-se uma pesquisa que mapeou a participação feminina no desenvolvimento de pesquisas no Brasil, a partir da análise dos currículos Lattes de 4.970 mulheres que defenderam suas teses de doutorado entre os anos de 2000 e 2013. Em relação aos procedimentos técnicos, foi utilizada uma pesquisa documental, cuja coleta de dados se deu no período de dezembro de 2013 a julho de 2014. Os resultados mostram que as mulheres conseguiram muitos avanços nessa área, mas que a desigualdade de papéis entre mulheres e homens ainda persiste dentro da ciência
- Estudos Feministas, vol. 24, n.1
A presente dissertação se enquadra dentro de uma série de esforços de pesquisa realizados nos últimos anos sobre violência sexual pelo Núcleo de Pesquisas Margens – Modos de Vida, Família e Relações de Gênero. A literatura sobre homens que cometem estupro no Brasil ainda é parca e pouco desenvolvida em comparação com outros países. A falta de pesquisas e de teorias que dêem conta destes homens remete também à falta de qualquer intervenção para com estes homens. A pesquisa teve como objetivo uma compreensão balizada epistemologicamente pela psicanálise Freudo-Lacaniana e pelos feminismos pós-estruturalistas, utilizando principalmente os conceitos de enunciação e performatividade para abarcar o discurso que os sujeitos apresentam ao relatarem situações de violência sexual. Para atingir este objetivo foram realizadas oito entrevistas semi-estruturadas com homens apenados pelos crimes de estupro, atentado violento ao pudor, pedofilia e corrupção de menor dentro da Penitenciária Estadual de Florianópolis. Entrevistas que então foram transcritas e analisadas. Destas oito entrevistas cinco foram analisadas nesta dissertação e três foram descartadas por não apresentarem elementos que fizessem parte do foco da mesma. As cinco entrevistas foram tratadas como estudos de caso isolados, priorizando uma escuta sem o objetivo de estabelecer uma teoria subjacente e aplicável à todos os casos. A utilizaçao de teorias feministas e da psicanálise se provou uma ferramenta útil de análise pois promove uma visão mais complexificada, elaborada e detalhada dos casos apresentados. É necessário que se estabeleça uma tradição de estudos com homens que cometem estupros no Brasil para que assim se possa dar conta da realidade social vivida no país assim como compreender quais masculinidades são performativamente produzidas pelos mesmo, e como essa promove violências sexuais.

