Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
500 quilos: etnografia visual de uma comunidade de pescadores na Barra da Lagoa

O presente trabalho é um ensaio etnográfico sobre o trabalho da pesca em uma pequena comunidade da Barra da Lagoa, localizada em Florianópolis, na Ilha de Santa Catarina/SC. O eixo desta pesquisa consiste na descrição de alguns aspectos da vida cotidiana – tanto em mar como em terra – dos pescadores desta comunidade, dos modos como os saberes e os conhecimentos derivados do seu trabalho se ancoram e se reproduzem em certas práticas sociais e das formas que assumem suas relações com seu exterior e com o mercado. O ensaio foi construído a partir do uso das ferramentas audiovisuais e do discurso do cinema documentário-etnográfico e buscou produzir um encontro dialógico entre os sujeitos da pesquisa e o investigador. Portanto, tem como proposta, através das premissas da Antropologia Visual, comprender em que condições é possível a construção de um “campo político próprio” em comunidades de trabalhadores da pesca.

Vídeos
VI Concurso de Cartazes NIGS/UFSC 2014

VI Concurso de Cartazes sobre Trans-Lesbo-Homofobias e Heterossexismo nas Escolas recebe inscrições de docentes até maio. A ação, realizada desde 2007, tem por objetivo levar o debate sobre violências contra pessoas homossexuais, transexuais e travestis para instituições de ensino públicas da Grande Florianópolis, atingindo estudantes, professores e demais pessoas que participam a comunidade escolar. Contribui, assim, para romper com a invisibilidade dessas temáticas no currículo escolar e para o combate à cultura trans-lesbo-homofóbica e heterossexista nas escolas. Ao longo de sua execução, entre 2007 e 2014, o Concurso de Cartazes sobre Trans-Lesbo-Homofobias e Heterossexismo nas Escolas já contou com a participação de 74 escolas, 97 docentes e mais de 2000 estudantes de Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos de escolas da rede pública da Grande Florianópolis.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
Artigo
Fantasias de poder e fantasias de identidade: gênero, raça e violência

Tomo como ponto de partida neste ensaio a questão de um laço estabelecido entre diferença de gênero e tipos de agência. Meu interesse está na relação entre identidade de gênero e discursos de gênero, entre o gênero enquanto vivido e o gênero enquanto construído. Ao final do ensaio, discuto essas questões no contexto da violência interpessoal.

  • Cadernos Pagu, Corporificando gênero, v.14
Tese
Nelson Rodrigues e sua cena: teatro da dupla tensão, cinema da síntese

Esta tese busca uma leitura possível das razões do fracasso de grande parte das adaptações da dramaturgia de Nelson Rodrigues para o cinema. Sua primeira investida percorre o teatro rodrigueano, elaborando o conceito de dupla tensão como marca do autor. A primeira tensão, articulada ainda nos domínios temáticos, responderia pelo embate firmado entre o Brasil anterior à gripe-espanhola e os “novos tempos”, dominados por uma modernidade produtora de tripla decadência, como pensa Eric Hobsbawm. A segunda tensão, insinuada nos domínios estéticos, promoveria certo afastamento do conceito de drama puro, segundo teoria de Peter Szondi, ao se deixar contaminar por gêneros diversos, posicionando-se entre o melodramático e o trágico. Neste contexto, Toda nudez será castigada, peça de 1965, seria o ponto mais alto desta trajetória. Tal conformação, perseguida em todo o teatro do autor, não parece ter encontrado eco nas releituras do cinema, quase todas reducionistas do universo tensional. A única experiência de exceção parece acontecer na versão de Arnaldo Jabor justamente para Toda nudez será castigada, filme de 1973 que transforma em ritmo próprio as tensões típicas da dramaturgia rodrigueana, movimento contrário às outras versões, que tentaram corrigi-las com sínteses nas mais variadas proposições.

Artigo
Gênero ilimitado: a construção discursiva da identidade travesti através da manipulação do sistema de gênero gramatical

Este estudo investiga a manipulação do sistema de gênero gramatical entre travestis profissionais do sexo do Sul do Brasil. Verificou-se que há uma preferência êmica do grupo por formas gramaticais femininas. Porém, as tensões ideológicas e corporais que circundam as travestis forçam-nas a utilizar o masculino em contextos específicos. As travestis empregam o masculino gramatical para 1) produzir narrativas sobre o período anterior às suas transformações corporais; 2) reportar discursos produzidos por outros ao falar de travestis; 3) falar de si em suas relações familiares; e 4) distinguir-se de outras travestis com as quais as falantes não se identificam. Assim, o estudo demonstra como essas travestis usam o gênero gramatical do Português como um recurso lingüístico para manipular suas identidades e as identidades da comunidade a que pertencem.

  • Estudos Feministas, vol. 16, n.2

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