CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Partindo de reflexões teóricas e da descrição densa de autos criminais de homicídios tentados ou consumados envolvendo parceiros afetivos e/ou sexuais ocorridos na jurisdição da Comarca de Toledo-PR, em 1969 e 1974, busca-se compreender a lógica de julgamento e atribuição de sentença em crimes dessa natureza. Analisando-se os mecanismos presentes no processo de produção da "verdade jurídica", seus sentidos e objetivos, descortina-se uma trama histórica que converteu diferenças de gênero em desigualdades na esfera do Sistema de Justiça Criminal brasileiro.
- Revista Gênero, v.8 n.1
As tensões entre os direitos individuais prometidos aos cidadãos dos Estados Unidos e a discriminação contra grupos afro-americanos e grupos étnicos/raciais semelhantes constituem um permanente paradoxo da sociedade norte-americana. Este ensaio examina esta contradição, explorando de que modo uma retórica familiar gendrada contribui para a percepção de raça e de identidade nacional dos Estados Unidos. Baseando-se nas experiências das mulheres afro-americanas para a análise, o artigo sugere que o tratamento de cidadania de segunda classe dispensado às mulheres afro-americanas espelha uma crença de que são "como da família", ou seja, legalmente essas mulheres são parte do Estado-nação estadunidense, mas, ao mesmo tempo, estão internamente subordinadas. Para investidas tais relações, o artigo examina: 1) como a intersecção das hierarquias sociais de raça e etnia fomenta uma compreensão racializada da identidade nacional estadunidense; 2) como a retórica gendrada do idea familiar americano naturaliza e normaliza as hierarquias sociais; e 3) como a retórica da família gendrada incentiva contruções racializadas de uma identidade nacional estadunidense como uma grande família nacional.
- Revista Gênero, v.8 n.1
Este trabalho apresenta alguns resultados da pesquisa Dez anos de cotas no Brasil – avaliando a eficácia do caminho curto para o acesso das mulheres ao legislativo. Um dos itens da pesquisa consistiu na análise da relação entre as trajetórias individuais de deputadas e deputados, isto é, a forma e as razões de ingresso na política, o papel dos partidos políticos como mediadores dessas trajetórias, como esses aspectos se transformam em capitais políticos eleitorais, e como essas trajetórias se relacionam com as chances oferecidas pela inclusão das cotas. A Argentina é tomada como um contraponto positivo ao caso brasileiro, dado o fato de sua experiência ser considerada paradigmática. Entre os resultados apresentados, destacam-se as diferenças entre os tipos de trajetórias e de capital político que são estratégicos, em se tratando das mulheres de cada um dos países. E as novas formas de capital eleitoral que surgem conferem outros sentidos de ingresso na política. Isso parece decorrer, entre outros aspectos, de um segundo momento de institucionalização democrática nesses países.
- Estudos Feministas, vol. 18, n.2
A ciência brasileira desconhece o papel desempenhado pelas cientistas no país. Breves biografias de quatro mulheres que atuaram no Instituto Biológico de São Paulo e o relato da história de vida da imigrante judia Khäte Schwarz rompem o silêncio em torno da atuação das mulheres no mundo científico e mostram o papel delas no avanço da ciência, especialmente a aplicada à produção agrícola. Barreiras foram superadas por elas, mesmo em situações impostas por sistemas políticos. A criatividade e o espírito de investigação não foram limitados pela idade ou condição de gênero.
- Estudos Feministas, vol. 18, n.2
Este artigo discute resultados parciais de estudo exploratório realizado com oficiais engenheiras navais da Marinha, o qual possibilitou uma aproximação ao entendimento da posição das engenheiras no Corpo de Oficiais Engenheiros Navais da Marinha. Pôde-se vislumbrar uma realidade complexa, em que relações de gênero e de trabalho na engenharia militar apresentam especificidades próprias, ao lado de padrões de inserção e integração similares aos encontrados na engenharia não militar. Inicialmente, apresentam-se algumas características do processo de integração das mulheres na Marinha. A seguir, discute-se a posição e a imagem das mulheres no Corpo de Oficiais Engenheiros Navais, o trabalho desenvolvido, as relações de gênero no ambiente militar, a partir das percepções das engenheiras entrevistadas. Finalizando, levantam-se questões e hipóteses para futuras investigações.
- Estudos Feministas, vol. 18, n.2


