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Sobre o CEDOCObras sobre “sexualidade”
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Neste trabalho, minha proposta é tomar como foco de investigação práticas homoeróticas realizadas entre homens na cidade de São Paulo em espaços de sexo casual, grupal e/ou anônimo, envolvendo, em alguns casos, elementos fetichistas e/ou sadomasoquistas. Dados de campo preliminares, coletados sobretudo na Internet, permitem perceber a presença de discursos valorativos da masculinidade em parte destes contextos. A hipótese desta pesquisa é que tal valorização deve ser levada em conta no entendimento dos processos de materialização dos corpos e de construção da subjetividade entre esses homens.
- Cadernos Pagu, Quereres, v.28
- 2007

O presente artigo trata a questão da amamentação e sua relação com a sexualidade dentro de uma abordagem antropológica, a partir de entrevistas realizadas com homens e mulheres no Brasil e na França. Na sociedade ocidental moderna, a dupla função – maternal e erótica – dos seios femininos e as representações que homem e mulher fazem da maternidade aparecem como a base de alterações importantes na sexualidade do casal durante o período de aleitamento materno. O leite materno é investido de um forte aspecto simbólico em diferentes culturas, e a amamentação ultrapassa, assim, o quadro biológico e nutricional. O leite, entre outras substâncias corporais, tem um importante papel nas representações do corpo, dando origem a relações de parentesco e a interdições sexuais em diferentes sociedades. A análise das entrevistas com brasileiros e franceses é reveladora igualmente da presença de alguns tabus quando estas duas práticas – sexualidade e amamentação – são colocadas em relação. A reflexão sobre essa questão é fundamental para a discussão das relações homem–mulher no contexto brasileiro atual de incentivo ao aleitamento materno.
- Estudos Feministas, vol. 11, n.2
- 2003

Parte-se de uma reflexão sobre as mudanças ocorridas no campo das sexualidades como conseqüência do movimento feminista nos últimos 50 anos, principalmente a ruptura das fronteiras entre homem–público e mulher–privado, para, a partir daí, demonstrar como deslocamentos do feminino em meio à crise do masculino constituem um novo topos para pensar a diferença entre os sexos na cultura contemporânea. Em seguida, com base em algumas das principais teorias sobre a questão da diferença na atualidade, procura-se pensar que não estaríamos nem mais em um território totalmente ancorado na ‘dominação masculina’, nem tampouco em um terreno caracterizado pela total ‘indiferença’. Uma nova possibilidade de diferenciação se anuncia e com ela um novo esboço do feminino.
- Estudos Feministas, vol. 11, n.2
- 2003

A teoria queer emergiu como uma corrente teórica que colocou em xeque as formas correntes de compreensão das identidades sociais no mesmo período em que a problemática dos intersex se tornou socialmente visível. Apesar disso, a reflexão queer sobre os intersex é muito recente. Os intersex impõem reflexões sobre experiências invisíveis, paradoxos identitários e os limites do que compreendemos como humano. Neste artigo, exploro as diferentes definições sobre quem são os intersex, como a teoria queer lida com eles e, concluo com uma reflexão sobre a experiência corporal dos sujeitos marcados como intersex.
- Cadernos Pagu, Quereres, v.28
- 2007

A partir da sugestão de Judith Butler de que o gênero é uma norma, ou seja, uma construção social histórica e contingente, o presente trabalho procura fazer uma análise crítica dos conceitos de identificação e sexuação na psicanálise, oriundos de uma concepção estruturalista do sujeito e da diferença sexual. Parte-se do princípio de que, embora gênero e subjetivação sejam reiterações da norma sexual, na própria instabilidade da repetição do mesmo é possível vislumbrar a positividade da subjetivação como resistência, singularidade e produção de diferença.
- Cadernos Pagu, Quereres, v.28
- 2007
