CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Objetivamos analisar as redes institucionais e de interconhecimento acionadas pelas mulheres rurais para enfrentar a violência, em municípios do Sertão de Pernambuco, Brasil. Usando trabalho de campo, entrevistas e discussões em grupo, numa pesquisa colaborativa com o Movimento de Mulheres Trabalhadores Rurais do Sertão Central, apresentamos a existência de porosidade entre as redes, que repercute nas lógicas operacionais político-legais de enfrentamento. Ambas as redes mantêm posturas contraditórias, de ajuda/suporte e, também, de recusa de apoio/assistência para evitar e sair das situações de violência. Propostas de implementação de políticas para as mulheres do campo e da floresta devem atentar para esses elos de porosidade que vulnerabilizam e ferem possibilidades de garantia dos direitos humanos das mulheres.
- Estudos Feministas, vol. 24, n.3
Esta dissertação trata do movimento do RAP em Florianópolis. Através do método etnográfico abordo sua inserção na cidade, suas práticas e valores, atentando para as temáticas mais recorrentes nas letras de suas músicas. Abordo também sua forma particular de integrar o Movimento Hip-Hop, do qual o RAP é uma das expressões. O RAP constitui-se enquanto estilo musical originário dos EUA no final da década de 70, aterriza no Brasü em meados de 1980 e chega em Florianópolis no final da mesma década - à medida que toma proporções locais é ressignificado e o movimento global é reinventado em cada contexto. Os rappers constróem um discurso expresso através da música, do vestuário, da dança, do discurso verbal, de grafites, retratando sua representação da realidade do povo preto.
O presente trabalho teve como principal objetivo investigar a invenção, a composição e o exercício das diferentes formas de masculinidades fomentadas durante a conquista das capitanias do Norte da América portuguesa, em finais do século XVI e início do XVII. A partir dos registros das experiências de alguns dos conquistadores pudemos desvelar relações de gênero plurais pelas capitanias de Pernambuco, Rio Grande, Piauí e Paraíba, com especial atenção para o Siará, as quais, em uma dinâmica singular, reforçaram e também questionaram o modelo ideal apregoado pelo Monarca e seus ministros. Nesse sentido, trabalhamos com diferentes formas de subjetividades, sensibilidades, apropriações, invenções e outros aspectos criativos dos sujeitos expressos em seus modos de pensar e agir. Para tanto, nos utilizamos de ampla e variada documentação, tais como registros oficiais (cartas e decretos régios, autos, regimentos, devassas, certidões, chancelarias, requerimentos, mandados, despachos, petições), livros de crônicas de viajantes e de combatentes, registros inquisitoriais, corpus de leis, periódicos, dicionários da época, entre outros.
A literatura hebraica moderna não nasceu em Israel e sim na Europa, principalmente oriental, a partir da Haskalá, o movimento iluminista judaico, em meados do século XVIII. No século XX ela foi migrando do solo europeu para a Palestina, que se tornou seu principal centro. Nas décadas de 20 e 30 predominava a produção poética, da qual uma das correntes, profundamente ligada ao pioneirismo, ensejou uma vasta messe cuja temática inspirava-se no labor do pioneiro que viera concretizar a aspiração de reconstruir o país através do trabalho na terra. Além disto, marcou a presença da mulher na poesia, da qual Rachel foi uma de suas principais representantes e modelo que seria seguido por décadas. A escolha da obra de Rachel como objeto de estudo deveu-se ao desejo de realizar uma leitura ampla de sua poesia, desenvolvendo aspectos pouco abordados da mesma, sob as perspectivas literária, judaica e psicanalítica, visando a gerar contribuições aos estudos de literatura hebraica, especialmente à feminina. Procuramos identificar e analisar, correlacionando, os temas mulher, amor e morte em sua obra. Ao traduzir seus poemas, foram percebidas ambigüidades e polissemias que permitiram múltiplas leituras do texto. Pretendemos desconstruir a atribuição à poesia de Rachel de um estereótipo de simplicidade, descentrando a imagem da poeta da dicção pioneira e, além de um outro olhar vinculado à etnia, resgatar e repensar sua fala de gênero, a alteridade da mulher, em termos universais e multiculturais, procurando contribuir para conferir a Rachel, a poeta que cantou o amor à terra e ao país, o lugar merecido no cânone da poesia hebraica.
- Universidade de São Paulo
A presente tese se propõe a acompanhar a trajetória das heroínas de desenho animado infantil no cenário global contemporâneo, rumo à consolidação da superheroína. De um lado, procuramos levar em conta as mudanças nos agenciamentos atribuídos à sua imagem ao longo dos últimos tempos, considerando como marco o surgimento das personagens do desenho animado As Meninas Super Poderosas. Por outro lado, problematizamos o modo como as heroínas, de maneira geral, costumam ser vistas, vividas e interpretadas, frente à importância do desenho animado para a cultura lúdica infantil. Com relação à imagem da superheroína hoje, destacamos a incorporação de uma série de atributos, antes dignos exclusivamente dos heróis masculinos, que, no entanto, se apresentam fortemente arraigados em determinados referenciais de feminilidade. Quanto à relação estabelecida entre os públicos e seus/uas heróis/ínas localizamos diferentes formas de experiências que ajudam a definir, em primeira instância, fronteiras de gênero, de classe e de grupos de idade. A natureza contraditória com que diversos elementos são arranjados, ajudam dar forma e coerência à imagem da que denominamos supercorderosa. Como uma mônada, ela comporta inúmeras formas de articulação, a partir de um amplo leque de elementos, atributos e características, mas que no conjunto levantam a bandeira de uma autoafirmação feminina na modalidade supermulher/ supermenina. Por sua vez, essa imagem hoje deve muito às transformações que hoje atravessam a imaginação global.

