CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
A proposta deste trabalho é efetuar uma análise cultural da cidade e do urbano, em Chapecó, a partir do início dos anos de 1930 até o final do Estado Novo (1945). Essa delimitação temporal decorre do fato de que é nesse momento que emerge, com mais intensidade, toda uma preocupação local para a construção de uma cidade moderna na até então denominada vila Passo dos Índios (atual cidade de Chapecó). O “desejo político” dos responsáveis pela colonização do Oeste era de ver a “ordem e o progresso” regional consolidados. Isso porque, nas representações construídas em torno do Oeste, o mesmo era visto como um “sertão”, pois a “civilização” estaria distante, no litoral. Desta forma, seria necessário “trazer”, “construir a civilização” na região, sendo que a “civilização” somente seria possível se uma cidade moderna fosse construída. É nesse sentido que a “elite de Chapecó” procurou criar “mecanismos” (principalmente com a abertura de um meio de comunicação, jornal A Voz de Chapecó) para a concretização desse empreendimento local. A partir de 1937, com o advento do Estado Novo, esse desejo de cidade e de modernidade poderia se tornar realidade, até porque o discurso “nacionalizador” e “modernizador” de Vargas encontrou forte ressonância em Chapecó. É nesse contexto social e político que o colonizador percebe ser aquele o momento de resolver o problema histórico da região, ou seja, o “problema do abandono político” da mesma. Para a elite local, o Estado deveria “se fazer presente” em Chapecó, para que a cidade e a modernidade se tornassem possíveis. Para a realização desta pesquisa, utilizaram-se fontes de natureza diversa: fontes jornalísticas, fontes iconográficas, entrevistas orais, documentos oficiais, livros de época, etc.
Alunos de ensino médio conhecem o protagonismo juvenil? Que concepção(ões) de adolescência apresentam? Parte-se do pressuposto de que as significações atribuídas aos adolescentes interferem diretamente nas relações sociais estabelecidas, particularmente entre eles e os adultos. O protagonismo juvenil concebe o jovem como ator principal em ações relativas ao bem comum. Os sujeitos desta pesquisa foram seis adolescentes de camadas médias e populares, de uma escola de ensino médio da rede pública. Os dados foram coletados por meio de entrevista semi-estruturada. Nos resultados, é relevante pontuar que o fenômeno pesquisado pode ser definido como protagonismo juvenil, participação social dos jovens, ou mesmo como a concepção de “jovem cidadão” (Krauskopf, 2000). Entretanto, é possível notar que, muitas vezes, os próprios jovens revelam possuir uma visão ‘negativa’ sobre adolescência. Enquanto conceito, o protagonismo sugere a adoção de uma visão positiva sobre os jovens; o abandono de conceitos estigmatizantes / homogeneizantes / naturalizantes / reificados de adolescência / juventude; a abertura de espaços participativos que favoreçam o exercício da cidadania juvenil; e o diálogo intergeracional. Conclui-se que o protagonismo juvenil obteve uma avaliação favorável. No entanto, alguns jovens parecem não desejar muita responsabilidade. Nesse sentido, talvez o próprio termo protagonismo mereça uma avaliação minuciosa. Etimologicamente, a palavra protagonismo vem de protagonista, que significa ‘o ator principal’. Após questionar a hierarquia intergeracional parece, por melhor que seja a intenção, contraditório colocar o jovem como ‘o ator principal’.
Este trabalho discute a corporalidade e performance de drag queens em territórios gays da Ilha de Santa Catarina, enfocando a presença desses sujeitos em espaços públicos, notadamente os de sociabilidade GLS. Como a performance drag começa no camarim, no momento da montaria, discuto também a relação da construção da personagem drag com a construção de sua corporalidade e a influência da escolha do nome-drag nesse processo. Os aspectos centrais abordados no trabalho são as performances verbais e corporais das drags, em espaços como casas noturnas dirigidas ao público homossexual, eventos como o Mercado Mundo Mix e também na rua, durante o carnaval, partindo do pressuposto que a corporalidade drag se constrói e encena em relação a outros corpos. Os métodos elencados para a pesquisa etnográfica e a análise dos dados de campo estiveram pautados na antropologia da experiência. Os dados aqui analisados foram obtidos via observação participante, conversas informais com as drags e com o público GLS, entrevistas semi-estruturadas com as drags e levantamento de formas de divulgação das festas GLS nesta cidade.
Estudar os sentidos das práticas associadas ao tomar chimarrão é o objetivo deste trabalho. Por meio da etnografia, busca-se refletir sobre o cotidiano do uso partilhado do mate no ambiente doméstico e nas rodas de chimarrão em Canoinhas. O município faz parte de uma das regiões de Santa Catarina onde ainda há grande produção e beneficiamento da erva-mate, uma das matérias-primas para o preparo do chimarrão. As reflexões apontam para um olhar que ultrapasse a perspectiva do senso comum e de estudos sistemáticos que abordam as rodas e outros eventos que envolvem o tomar chimarrão como sendo espaços onde a centralidade é a “busca de amizade”. Estes eventos, e particularmente as rodas, são lugares onde é possível perceber hierarquias, tensões e diferenciação. Além disso, podem ser espaçosmomentos para “atualizar-se” e trocar informações, onde muito mais é comunicado. A pesquisa nesta cidade aponta ainda para como cada um impõe um pouco de si ao tomar e ao fazer o chimarrão.
Ao examinar a história das contribuições das mulheres para a atenção à saúde nos Estados Unidos, ao longo dos séculos XIX e XX, este artigo sugere que as reformadoras enfatizavam as necessidades especiais e as aptidões particulares das mulheres para as práticas de atenção à saúde. A maioria delas aceitava as diferenças femininas e afirmava que elas podiam desempenhar um papel especial na medicina, particularmente a defesa dos cuidados para com as mulheres e crianças. Considerando as críticas feministas do século XX, como é possível compreender os modos através dos quais as noções de diferença feminina tanto ajudaram quanto limitaram as mulheres no passado? Como poderemos difundir uma noção mais completa de igualdade feminina na atenção à saúde que leve em consideração as necessidades especiais das mulheres?
- Revista Gênero, v.6 n.1

