CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Esta dissertação é resultado da investigação sobre a nossa intervenção como assistente social no Colégio Marista e Municipal São José no período de 1998 a 2008. O objetivo desta pesquisa é apresentar às demandas do serviço social neste espaço sócio ocupacional, e desvelar as respostas da profissão as mesmas. A metodologia de pesquisa utilizada foi do tipo documental com tratamento analítico sobre os Relatórios Sociais Descritivos que se encontram arquivados na instituição. O estudo bibliográfico destaca autores como: Bressan (2001), Almeida (2003) e Souza (2008) entre outros, que possuem conhecimento sobre a interface da educação e o serviço social, e contribuem na reflexão sobre o problema estudado. A pesquisa ressaltou a importância do papel do serviço social no espaço escolar, compreendendo a dinâmica deste espaço sócio-ocupacional na relação com os educandos, educadores, famílias, comunidade e rede sócio-assistencial. O processo de intervenção buscou entender o contexto escolar e a relação deste com a realidade social num processo que articulou a luta pelos direitos sociais e conquista da cidadania dos sujeitos envolvidos, como um componente estrutural.
O presente estudo tem como objetivo analisar a tríplice desigualdade e os fatores de vulnerabilidade que contribuem para mulheres negras de Florianópolis contraírem o vírus HIV/Aids. Partiu-se da hipótese que a interseccionalidade entre as categorias gênero, classe, e raça/etnia são determinantes no desencadeamento das vulnerabilidades individuais, sociais e políticas frente à epidemia do vírus HIV/Aids que repercutem de forma particular no processo de saúde e doença das mulheres negras. Foram sujeitos da pesquisa, mulheres soropositivas autodeclarantes como pretas ou pardas, que foram acolhidas e atendidas pela Fundação Açoriana para o Controle da Aids (FAÇA), no período de Março à Maio de 2012. Utilizamos a entrevista como método para uma abordagem qualitativa, através de um roteiro norteador ressaltando os seguintes eixos temáticos: a) a percepção de identidade de gênero e raça/etnia; b) a percepção da condição de classe; c) os cuidados em saúde e percepção de exposição ao vírus HIV/Aids; d) a tripla desigualdade. Os principais resultados obtidos através das entrevistas demonstram: baixa escolaridade das mulheres negras; forte sentimento de discriminação racial, principalmente em relação ao trabalho; falta de percepção em relação a contrair o vírus por conta da confiança na estabilidade da relação e pelo imaginário da Aids, enquanto doença “do outro”; importância da realização do exames pré-natal durante a gestação; discriminação enquanto soropositivo e dificuldade de aceitação do vírus. Concluímos, com a pesquisa, que a tríplice desigualdade a que estão expostas as mulheres negras, em particular o “racismo sexista” é favorecedora do adoecimento seja ele psíquico ou físico das pessoas de cor preta ou parda, contribuindo de forma decisiva na contração do vírus HIV/Aids e que a sociedade, como um todo deve ser alertada em relação ao preconceito, à discriminação e ao “comportamento de risco” a que todos estamos expostos, ou seja entender que a Aids faz parte do cotidiano das pessoas e que ela não e somente “a doença do outro”.
O presente estudo teve como objetivo conhecer as diferentes visões sobre a divisão do trabalho doméstico de homens e mulheres casados ou que vivem com companheira (o), que moram no Balneário de Ingleses, e tenham filhos (as) em idade escolar. Tivemos como norte as seguintes questões problematizadoras: 1) Como ocorre a divisão do trabalho doméstico entre casais com filhos em que ambos exercem uma ocupação remunerada? 2) Quais os principais desafios que homens e mulheres encontram para conciliar suas ocupações no espaço público e dividir o trabalho doméstico com suas/seus companheiras (os) na esfera privada? Os sujeitos dessa pesquisa foram 15 homens e 17 mulheres moradores do Balneário de Ingleses, casados ou que vivem com companheira (o), em que ambos exercem uma ocupação remunerada fora do espaço doméstico e possuem filhos em idade escolar. Para a coleta dos dados realizamos entrevistas semiestruturadas, aplicação de questionário e duas entrevistas em profundidade, com o intuito de conhecermos o cotidiano de duas mulheres casadas e que exercem uma profissão remunerada. Podemos auferir que na maioria das famílias entrevistadas a mulher conquistou um espaço na esfera produtiva, porém sua inserção no mercado do trabalho nem sempre vem acompanhada de uma divisão das tarefas domésticas no âmbito familiar. Na maioria das famílias, homens e mulheres possuem jornadas de trabalho semelhantes, mas mesmo assim as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelas tarefas domésticas e pelo cuidado com os filhos (as), enfrentando assim uma dupla jornada de trabalho. Concluímos que as famílias (e dentro delas, as mulheres) vêm assumindo as maiores responsabilidades diante da fragilidade das ações estatais, desempenhando papéis de cuidado em relação aos idosos, doentes, crianças, enfim, substituindo as políticas públicas e amortizando o impacto das políticas econômicas e da reestruturação capitalista.
Estudo do discurso crítico de Machdo de Assis, ativado a partir da segunda metade do século XIX, cuja discussão sobre a produção literária suscita uma reflexão a cerca da natureza da arte e da sua relação com o cultural. Trata-se de uma pesquisa sobre as condições e constrições de possibilidade da prática crítica, passando pela noção de valor (como estratégia significante), pela questão do cânone e pelos processos de hibridação, modusoperandi por excelência do discurso crítico machadiano.
Este trabalho consiste num percurso de leitura sobre textos que evidenciam o crime, em especial o homicídio, como temática e forma de linguagem na literatura contemporânea. Trata-se de uma exploração sobre o tema, a partir de relações estabelecidas entre textos de diferentes autores, para verificar a existência de uma dicção própria do narrador assassino, representada em modos distintos. O homicídio como objeto de discurso e o homicídio como discurso próprio aparecem na literatura em categorias narrativas específicas. A dicção homicida se instaura entre as perspectivas existencialista e hiperrealista, dotada de violência e pulsão narrativa.
