CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
Toda história contada fala também sobre aquele que a conta. O Corpo, conto de Clarice Lispector e o filme homônimo, adaptado por José Antonio Garcia, são o objeto desta pesquisa. Os temas aparentemente banais dos textos ficcionais de Clarice Lispector revelam toda uma complexidade que problematiza as reações humanas diante dos impasses cotidianos, o que dificulta a tarefa dos cineastas enquanto leitores de sua obra. Essa problemática da releitura é o que procuro demonstrar através de minha abordagem sobre a transposição do conto O Corpo para a linguagem cinematográfica, ou seja, como eu enfoco a forma de contar a história da escritora e a adaptação (ou tradução, recriação, inspiração) do cineasta, as aproximações e distanciamentos entre conto e filme, procurando especialmente destacar a importância de uma obra adaptada como completa em si, um outro texto, uma outra história mesmo quando não deseja apagar a (importante) marca autoral.
Este estudo se dedica a investigar a “escrita de si” de Caio Fernando Abreu, tendo como objeto de pesquisa a coletânea Cartas — seleção de correspondências redigidas pelo escritor publicada pela editora Aeroplano, em 2002. Tais cartas são, então, tomadas como lugar de memória do autor, numa leitura que se propõe, a partir do movimento de lembranças e apontamentos, do narrar do prosador acerca das suas histórias pessoais e dos acontecimentos que se fixaram em sua existência, identificar como a subjetividade do escritor é construída, por que caminhos se guia, com base em que produções discursivas fertiliza seu fazer literário e amparado em que experiências conduz seu viver, administra dramas e conflitos íntimos, gerencia amizades e alimenta influências no tempo vivido. Além disso, prevê contribuir para redimensionar o repertório das reflexões já tecidas por pesquisadores de diferentes campos do conhecimento acerca das “narrativas de si” e da “carta enquanto lugar de memória” — reduto de subjetividades, fonte documental que mapeia, de certo modo, aquele que a redige e seu círculo social, por meio de pistas e indiciamentos ofertados pelo missivista.
A presente dissertação é uma análise da história em quadrinhos Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, dividida em três partes: uma análise do processo de leitura das histórias em quadrinhos em geral, uma leitura da obra Watchmen e uma relação formal de Watchmen em relação à poesia visual moderna. Primeiramente a leitura e o processo de compreensão das histórias em quadrinhos são pensadas em relação a algumas ideias da semiologia, de proposições da estética da recepção, e da fenomenologia da percepção. A partir das proposições teóricas é investigada a importância exercida pelos vazios textuais nas histórias em quadrinhos como espaços de projeção interpretativa do leitor. Após é feita uma leitura da obra Watchmen como parábola da guerra fria e sua relação com a narrativa trágica, onde se aproxima a figura do super-herói de aspectos composicionais do herói trágico de várias épocas. Por fim, é feita uma relação de aproximação entre as estratégias narrativas de Watchmen com procedimentos formais da poesia visual. Esta relação aproxima estratégias narrativas, capítulos e a própria materialidade de Watchmen a aspectos formais da obra de Stephané Mallarmé, dos caligramas de Guillaume Apollinaire, e da autorreferencialidade temática do concretismo brasileiro.
A importância da leitura no desenvolvimento do aluno como cidadão é o ponto de partida desta dissertação que propõe uma reflexão a respeito da questão da leitura, como prática social, e critica aquela metodologia tradicional de ensino da Literatura, focada no estudo da periodização literária, que se desenvolve, na maioria das vezes, na exigência da memorização de uma quantidade enorme de informações “literárias” (características de cada escola literária, dados biográficos de autores etc.), na insistência do confronto do aluno com obras literárias muito alheias à sua realidade e na transformação de uma obra de arte em um mero objeto de estudo. A formação do leitor é essencial para a constituição de um cidadão consciente e participativo na sociedade em que vive e, portanto, esforços devem ser realizados com o intuito de permitir que a escola compactue com essa tarefa de forma ativa. A problemática da questão da leitura e formação do leitor é trabalhada nesta dissertação no âmbito escolar, mais precisamente no ensino médio. Absorvendo as discussões propostas pela Estética da Recepção para dentro do ensino de Literatura e leitura literária na escola, proponho pensar na leitura de textos literários contemporâneos em primeiro plano, com o intuito de atrair este aluno para o mundo da leitura literária, estimulando a formação do leitor. O objetivo é primeiro quebrar aquela barreira, muitas vezes existente, entre o estudante ingressante no ensino médio e a leitura literária à medida que este aluno for percebendo que a Literatura pode trazer também assuntos relacionados ao seu dia a dia, uma linguagem mais próxima à sua realidade e temas que sejam do seu interesse. Para reforçar a validade dessa proposta, exponho alguns projetos de mudança no processo de ensino tradicional de Literatura que já foram realizados e sugestões de trabalhos envolvendo a questão da formação do leitor. Por fim, a partir da minha experiência como professora, desenvolvo duas possibilidades de trabalho, para o 1° ano do ensino médio, com obras literárias contemporâneas, com o intuito de exemplificar essa proposta de introdução da Literatura a partir da leitura de obras contemporâneas, buscando estimular o gosto pela leitura, visando à formação do leitor.
B-R-A-N-C-A D-E N-E-V-E E O-S S-E-T-E A-N-Õ-E-S é o objeto desta pesquisa. Trata-se de uma produção na Língua Brasileira de Sinais do Instituto Nacional de Educação de Surdos. A pesquisa identifica a representação cultural a partir da experiência visual presente em cada personagem. O nome das personagens na Língua Portuguesa se diferencia do nome visual das personagens na Língua de Sinais. No sentido de tornar mais clara a questão, recorre-se às configurações de mãos, ao corpo, ao olhar, às expressões faciais e à escrita de sinais. A construção, a partir dos parâmetros visuais, resultou no nome visual de cada personagem. Identifica-se ainda que, na referida produção, as personagens desse reconto e recriação não são surdos. Apresento a Língua de Sinais como celebração e vitória do povo surdo, subalternizado mediante a tentativa de aniquilar tudo que estivesse fora do projeto de dominação colonial e que não fosse condizente com uso de um código uniforme, constituído por comodidade administrativa para governar um país ou um império. Os sujeitos em foco são surdos, a contadora de histórias é surda e, possivelmente, o/a espectador/a seja surdo/a. E todos transitam na fronteira entre a língua portuguesa e a língua de sinais.
