Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Velhices problematizadas. Redes discursivas sobre envelhecimento em Santa Catarina, no Brasil e no contexto das décadas de 1970 a 1990

Este trabalho busca analisar uma rede discursiva que se construiu durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, em torno de questões do envelhecimento. Nestas três décadas a velhice foi colocada como um problema devido ao crescimento populacional, que ampliara a expectativa de vida em contraste com os índices de natalidade. A preocupação deste crescimento, que estaria a transformar países capitalistas em países de velhos, mobilizou vários segmentos sociais no sentido de garantir qualidade de vida. O Brasil, Santa Catarina em especial, é contemporâneo deste movimento que tira o velho da invisibilidade, passando pelo processo da cidadania, e o constitui como sujeito idoso autônomo. Esta mudança do/a velho/a, da terceira idade até chegar no/a idoso/a, envolveu um investimento de alterações discursivas que deslocou e enredou poderes numa teia constituída por profissionais que falavam em nome da ciência do envelhecimento (geriatras e gerontólogos), das ciências para a velhice sadia (direito, área biológicas e do corpo) e dos próprios envelhecentes que tomavam e transformavam os discursos conforme suas conveniências e contextos. Os discursos, por vezes, se confundiam, pois, ao primar pela vida ativa (com apelo aos referenciais da juventude: beleza e virilidade, por exemplo), negavam a própria velhice, excluindo, sobretudo as camadas mais pobres. O mercado construiu panacéias, os discursos empoderaram aqueles/as que alcançavam o envelhecimento e o gênero construiu importante divisor de comportamentos de uma geração que vivia sua velhice. Constituíram a base empírica desta pesquisa: jornais de circulação em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980, especialmente O Estado e depois o Diário Catarinense; a Revista Manchete da década de 1980; produções monográficas do Curso de Especialização em Gerontologia da Universidade Federal de Santa Catarina; bem como algumas entrevistas, documentos legais, relatórios e fontes institucionais não governamentais.

  • Universidade Federal de Santa Catarina
Tese
Investigação de fatores de risco genético associados ao tromboembolismo venoso em mulheres que fazem terapia de reposição hormonal

Atualmente, são conhecidos diversos fatores herdados que predispõem à ocorrência de tromboembolismo venoso (TEV), os chamados fatores trombofílicos.A associação entre a terapia de reposição hormonal (TRH) e risco de trombose tem sido alvo de muitas controvérsias, vários estudos têm mostrado que mulheres que fazem uso de TRH possuem maior risco de TEV.O presente estudo investigou um grupo de 205 mulheres realizando terapia de reposição hormonal com objetivo de investigar a prevalência de mutações que conferem risco de tromboembolismo venoso em mulheres na população de Belém (PA), através das técnicas de PCR e RFLP. A mutação FII 20210G foi encontrada em 4 mulheres com a freqüência (1%), a mutação do Fator V de Leiden foi encontrada em 11 mulheres correspondendo a freqüência de (29%),no locus MTHFR 667, a transição CT, foi identificada em 109 mulheres, conferindo uma freqüência de (30%).A comparação entre as freqüências genotípicas observadas e esperadas nos três loci por meio de Qui-quadrado, encontram-se em equilíbrio de Hardy-Weinberg. A mutação do Fator V de Leiden encontra-se estatisticamente significativa quando comparada a população do Brasil, residentes em Ribeirão Preto;a mutação FII 20210G com baixa freqüência, não diferiu estatisticamente de dados já publicados e a mutação MTHFR apresentou resultados significativos em relação aos países da Grécia e Itália e quando feito associações com as mutações protrombóticas em questão, não foi conferido risco hereditário pela presença das mutações, nem quando associados aos fatores adquiridos com presença de câncer, risco cirúrgico e doença arterial.

  • Universidade Federal do Pará
Tese
Mudança Discursiva e Publicidade: dissimulando o sexismo

Neste trabalho, examinam-se o discurso e as marcas de gênero em anúncios publicitários que divulgam utilidades domésticas. O estudo baseia-se em anúncios publicados entre janeiro e dezembro de 2002 na revista CLAUDIA, dos quais três foram selecionados por indicarem distintas práticas discursivas. Como principal suporte teórico, utilizou-se o modelo da Análise Crítica do Discurso ACD , abordagem social do discurso lingüisticamente orientada que tem, entre seus principais objetivos, investigar formas de poder e de ideologia que se manifestam através de fenômenos sociais, sobretudo aqueles relacionados às minorias. A ACD tem lançado mão, entre outros, do conceito de gênero como categoria analítica ao formular questões sobre representações sociais expressas verbal ou visualmente, empregando o termo semiótica social para abordar o cruzamento de códigos diversos. Assim, nos últimos anos, a ACD vem subsidiando estudos que analisam questões de gênero na publicidade, prática discursiva que acompanha as transformações globais desde os anos 50 do século XX. Consoante a natureza inter e transdisciplinar da ACD e o tema desta pesquisa, o material bibliográfico teórico incluiu também textos acerca de Pós-Modernidade, feminismo, gênero, publicidade, ideologia e economia na sociedade contemporânea. Os antecedentes da investigação podem ser encontrados em outros estudos que já versaram sobre a questão das marcas de gênero em revistas populares. A hipótese que norteia o trabalho é a de que os anúncios escolhidos refletem uma mudança discursiva em andamento, análoga a transformações que estão ocorrendo em práticas sociais em nosso país, especificamente entre mulheres das classes A e B, tema que não foi abordado na literatura consultada. Para se testar a hipótese, analisam-se os elementos lexicogramaticais e visuais das páginas impressas, relacionando-os a questões de gênero, ao contexto da sociedade pós-industrial e à proposta da revista. O estudo conclui que, em maior ou menor grau, esses anúncios apenas dissimulam um discurso sexista, reforçando, para a venda de produtos, a tradicional relação entre mulher e trabalho doméstico.

  • Universidade Católica de Pelotas
Tese
De Rachel a Rachel: mulher, amor e morte

A literatura hebraica moderna não nasceu em Israel e sim na Europa, principalmente oriental, a partir da Haskalá, o movimento iluminista judaico, em meados do século XVIII. No século XX ela foi migrando do solo europeu para a Palestina, que se tornou seu principal centro. Nas décadas de 20 e 30 predominava a produção poética, da qual uma das correntes, profundamente ligada ao pioneirismo, ensejou uma vasta messe cuja temática inspirava-se no labor do pioneiro que viera concretizar a aspiração de reconstruir o país através do trabalho na terra. Além disto, marcou a presença da mulher na poesia, da qual Rachel foi uma de suas principais representantes e modelo que seria seguido por décadas. A escolha da obra de Rachel como objeto de estudo deveu-se ao desejo de realizar uma leitura ampla de sua poesia, desenvolvendo aspectos pouco abordados da mesma, sob as perspectivas literária, judaica e psicanalítica, visando a gerar contribuições aos estudos de literatura hebraica, especialmente à feminina. Procuramos identificar e analisar, correlacionando, os temas mulher, amor e morte em sua obra. Ao traduzir seus poemas, foram percebidas ambigüidades e polissemias que permitiram múltiplas leituras do texto. Pretendemos desconstruir a atribuição à poesia de Rachel de um estereótipo de simplicidade, descentrando a imagem da poeta da dicção pioneira e, além de um outro olhar vinculado à etnia, resgatar e repensar sua fala de gênero, a alteridade da mulher, em termos universais e multiculturais, procurando contribuir para conferir a Rachel, a poeta que cantou o amor à terra e ao país, o lugar merecido no cânone da poesia hebraica.

  • Universidade de São Paulo
Tese
FALAS MASCULINAS OU SER HOMEM EM FORTALEZA: MÚLTIPLOS RECORTES DA CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE MASCULINA NA CONTEMPORANEIDADE

Esta tese trata de vivências masculinas na contemporaneidade. Inicialmente, analiso os estudos sobre o homem a partir da categoria de gênero, discutindo as noções de sexo, de identidade, de condição, de subjetividade e de papéis masculinos. Descrevo os rituais da construção da condição masculina, apontando suas angústias e seus conflitos e discutindo a dor, a violência, a paixão e o regozijo como constituintes do dilema do homem contemporâneo. A subjetividade e os papéis masculinos são pontos de referência para o questionamento de uma possível crise da masculinidade ou das transformações do homem nos dias atuais. Partindo do pressuposto de que a maioria dos homens resiste a manifestar sua intimidade a outras pessoas, minha pesquisa buscou obter depoimentos ou falas significativas sobre o que é ser homem hoje, através de múltiplos recortes da construção da subjetividade viril na atualidade. Adotei uma escuta fenomenológica da subjetividade masculina, visando a discutir depoimentos de 20 (vinte) homens da cidade de Fortaleza, interpretando-os à luz de considerações apoiadas em vários aliados teóricos ligados à sociologia das relações de gênero. Discuto as falas significativas de meus informantes sobre o que é ser homem na atualidade, bem como suas impressões sobre a subjetividade masculina em constante (re)construção. Suas relações com as mulheres, a partir do primitivo relacionamento com suas mães, são outro ponto importante de minha análise, destacando os jogos de sedução e a necessidade de diferenciação desses homens no que diz respeito ao universo feminino. Analiso, também, seu relacionamento com o pai, além de suas experiências com os filhos, discutindo as situações em que podem imperar os modelos de identificação - ou a ausência - a confusão e o conflito masculinos no que se refere à paternidade. As relações dos homens com seus congêneres são tratadas aqui como um campo polarizado de competição e de violência, por um lado, e de amizade e de intimidade, por outro. O universo e o significado do trabalho foram eleitos como um elemento significativo na construção da subjetividade masculina, constituindo o último e importante ponto de discussão desta tese.

  • Universidade Federal do Ceará

Inscreva-se para receber nosso boletim