Instituto de Estudos de Gênero

CEDOC

O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.

Tese
Photoéthnographie des indiens Guarani de SC/ Brésil

Esta tese insere-se nas discussões de Antropologia Visual, buscando promover uma interação entre uma narrativa imagética e uma reflexão etnográfica. A partir de um trabalho desenvolvido entre os Guarani da aldeia Yynn Morotĩ Wherá , localizada no município de Biguaçu, no litoral sul de Santa Catarina, procurou-se refletir sobre as diferentes formas de ver os índios no Brasil e sobre a apropriação e o uso de imagens em contextos indígenas. A tese apresenta uma mudança de postura nas construções visuais. Primeiro, por parte dos indígenas, que estão descontruindo imagens esterotipadas e fabricando múltiplas auto-images, as quais recebem funções específicas de acordo com o contexto na qual estão inseridas: por um lado, se apresentam como elemento de afirmação identitária ou de salvaguarda da memória coletiva, por outro, buscam travar um diálogo com o “Outro” que não consegue ver os índios para além de imagens préconcebidas. Segundo, por parte da antropóloga-fotógrafa, utilizando uma metodologia diferenciada de inserção em campo e de interação com os sujeitos pesquisados, bem como produzindo uma narrativa etnográfica na qual texto e imagem são inseridos de forma a constituir um diálogo. Neste trabalho a fotografia é colocada no mesmo plano que a etnografia, ou seja, como expressão-discurso.

Artigo
Mulheres brancas no fim do período colonial

No Brasil do período colonial o papel desempenhado pelas mulheres brancas na sociedade colonial era muito mais complexo do que nos primeiros séculos da colonização portuguesa na América. Neste artigo, o mito da branca ociosa é confrontado com documentação que mostra as suas múltiplas atividades. É também analisado o conceito de honra para as donzelas e as mulheres brancas casadas, sendo fornecidos exemplos de desonra por rapto e estupro. Os conflitos no interior do matrimônio revelam um comportamento mais ativo do que aquele que geralmente lhes era atribuído. A população feminina branca vivia por vezes à margem das leis eclesiásticas e civis: prostituição, concubinato e adultério eram crimes cometidos por mulheres brancas. Quando a velhice chegava, estas mulheres encontravam abrigo e proteção em casa de seus filhos ou parentes.

  • Cadernos Pagu, Fazendo história das mulheres, v.4
Artigo
Tempo de esquecer, tempo de lembrar memória e gênero das história de Joinville

O presente artigo expõe dois momentos específicos da história da cidade de Joinville (SC), a partir, especialmente, das memórias de diferentes mulheres que vivenciaram experiências permeadas pelas dificuldades enfrentadas durante a Campanha de Nacionalização (1938-1945) e, posteriormente, pelas comemorações do primeiro Centenário da cidade (1951). Salienta-se que ouvir as diferentes narrativas foi extremamente interessante, pois os discursos oficiais sobre esses dois momentos da história da cidade ganharam, a partir das memórias de Maria, Walta, Jutta, Helena, entre outras, enredos que vão além de uma história de traumas ou comemoração.

  • Revista Gênero, v.5 n.1
Tese
Agosto: Os (D) Efeitos do Real

O romance Agosto, de Rubem Fonseca, publicado em 1990, marca um espaço privilegiado da suspensão dos limites entre o vivido e o inventado, o que nos coloca ante a questão da representação do real. Este trabalho procura mostrar como uma maneira de armar produz uma forma de 1er o corpo, a cidade e a Historia, enquanto fragmentação, labirinto e circularidade. A reflexão da conjugação ou transgressão das fronteiras entre o real e o inventado passa pela análise das situações e instâncias narrativas, através das quais se modela a realidade, e pela abertura do texto à própria historicidade. Nesse trânsito do texto aos intertextos e nessa relação sobredeterminada do romance Agosto com seu próprio tempo encontramos elementos para se pensar a interpenetração dos discursos literário e histórico.

Volume
Vol. 2. N. 2
  • Identidades - Revista Interdisciplinaria de Estudios de Género

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