CEDOC
O Centro de Documentação reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades. Destacamos o Acervo Tito Sena, livros editados pelo IEG, a coleção Revista Estudos Feministas, entre outras.
O romance Agosto, de Rubem Fonseca, publicado em 1990, marca um espaço privilegiado da suspensão dos limites entre o vivido e o inventado, o que nos coloca ante a questão da representação do real. Este trabalho procura mostrar como uma maneira de armar produz uma forma de 1er o corpo, a cidade e a Historia, enquanto fragmentação, labirinto e circularidade. A reflexão da conjugação ou transgressão das fronteiras entre o real e o inventado passa pela análise das situações e instâncias narrativas, através das quais se modela a realidade, e pela abertura do texto à própria historicidade. Nesse trânsito do texto aos intertextos e nessa relação sobredeterminada do romance Agosto com seu próprio tempo encontramos elementos para se pensar a interpenetração dos discursos literário e histórico.
O presente trabalho busca elaborar uma leitura de três narrativas de João Gilberto Noll pertencentes a “trilogia da perambulação”: Bandoleiros, Rastros do Verão e Hotel Atlântico. Nesta leitura busca-se mostrar como o autor trabalha o ato de narrar através da desliteralização da narrativa e da contínua despersonalização da figurado narrador.
Infância, livro de memórias de Graciliano Ramos, publicado em 1945, destaca-se na história do memorialismo brasileiro por conter em seu texto aspectos inovadores, tanto do ponto de vista da técnica narrativa, quanto da posição estilística do escritor. Este trabalho procurou analisá-lo respeitando o seu caráter híbrido, o que não lhe suspende do circuito das memórias, mesmo quando se observa sua tonalidade ficcional. A gradativa consciência do mundo expõe elementos culturais e práticas educacionais que transgridem a atual concepção d e . universo infantil. Seja por sua tácita ausência ou por seu avesso, esse universo em letras de fôrma aponta também para o caráter social e histórico da literatura. Entre tantos elementos disponíveis para análise, Infância convida igualmente a pensar a história social da criança no sentido inverso, ou seja, por sua ausência.
Este trabalho pretende apontar caminhos para um reposicionamento de Chico Buarque de Holanda na rede discursiva contemporânea, num lugar diferente daquele que o reduz a "poeta social" ou herói da resistência contra a ditadura. Faço isso principalmente a partir de seu romance Estorvo, lançado em 1991, lendo-o não como "retrato do Brasil" mas precisamente como um desafio, um estorvo, à demarcação de fronteiras, nacionais ou institucionais. Essa leitura tem por base um desafio epistemológico às possibilidades de representação de uma realidade por um texto, alguns questionamentos de discursos de nação e um exame de mecanismos de defesa institucional.
Esta dissertação investiga o conceito de biografia em cinco textos escritos por mulheres sobre a vida da escritora Clarice Lispector, com o propósito de discutir as possibilidades discursivas e de leitura deste gênero literário. Um dos questionamentos primeiros do trabalho foi: se os textos são tão diferentes e deles surgem várias Clarices, se não há uma homogeneidade, são biografiasl Buscou-se, a partir daí, estabelecer uma posição de leitura que prestigiasse a versatilidade do gênero biográfico e o interrogasse, especulando sua postura transgressora. O biógrafo pode assim ser visto como alguém que arromba a porta do quarto alheio, puxa gavetas, abre portas; desarruma móveis e roupas. O biógrafo pode também ser visto como alguém que, apesar de desordeiro, e por ter tirado as coisas do lugar, impõe a si limites.
